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    Lincoln: Sally Field fala ao Cineclick sobre papel que lhe rendeu indicação ao Oscar

    A atriz vive Mary Todd, esposa do presidente americano e figura controversa na história do país.
    Por Paoula Abou-Jaoude, enviada especial do Cineclick
    23/01/2013

    Sally Field (Uma Babá Quase Perfeita) falou com o Cineclick em Beverly Hills sobre sua personagem no drama dirigido por Steven Spielberg, Lincoln. A atriz vive Mary Todd, esposa do presidente americano e figura controversa na história do país.

    A atriz, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, comentou sobre a dificuldade de interpretar essa mulher forte e incompreendida e conta como ela quis honrar sua memória, mostrando um lado que muitos ignoram quando lembram de Abraham Lincoln e sua primeira dama.

    Lincoln estreia no Brasil nesta sexta-feira no Brasil. Leia nossa crítica.

    Confira a entrevista abaixo:

    O que você aprendeu sobre Mary em sua pesquisa?

    Descobri muito sobre ela, mas já sabia um pouco sobre quem ela era e para interpretá-la eu estava determinada a passar por cima de todos, inclusive de Steven (Risos). Tenho a estudado há muitos anos. Ela é uma mulher fascinante na história americana, que foi caluniada, incompreendida e realmente ignorada, como frequentemente acontece com as mulheres na história americana. Ela foi a primeira pessoa a ser chamada de primeira-dama e não pelas razões certas.

    Por quê?

    Ela foi chamada assim porque achavam que era arrogante e exigente, que se recusava a ficar no andar de cima e calar a boca. As Primeiras Damas antes dela nunca eram vistas, ficavam no andar de cima, ondea família vive na Casa Branca, e se aventuravam muito raramente no andar de baixo para participar das poucas celebrações e festas na Casa Branca. A própria Casa Branca na época era um chiqueiro literalmente, porcos, galinhas e vacas percorriam a parte inferior, onde as pessoas traziam seus animais para se encontrar com o presidente sobre algum assunto qualquer . Isso tudo mudou com Maria, porque ela acreditava que era muito importante naquele período, com a guerra civil em curso, que existisse algum símbolo elegante, nobre e importante que mostrassem o peso e da importância da democracia nos Estados Unidos. Ela lutou por isso e quase foi parar na cadeia. Em uma das cenas você vê que Thaddeus Stevens (Tommy Lee Jones) tenta prendê-la por ter gastado muito dinheiro. Sim, ela gastou dinheiro demais, mas porque acreditava ser necessário.

    Ela parece ter sido uma mulher muito forte para a época.


    Acho que sem Mary Todd realmente não existiria Abraham Lincoln como o conhecemos. Ela o conheceu cedo, quando ela era uma garota e ele um jovem advogado. Ele era basicamente um caipira. Ela era extremamente bem educada. Ela veio de Lexington, Kentucky, mas de uma família muito poderosa e importante no cenário político. Ela cresceu com escravos e entendia sobre política e era mais educada do que a maioria das mulheres da época. Ela escolheu alguém para ser presidente e esse era Abraham Lincoln, porque ela queria se casar com o presidente. Em uma era diferente, creio que ela teria concorrido à presidência, porém, naquela época as mulheres não tinham espaço para usar seu intelecto, exceto por meio do homem escolhido, então ela escolheu muito sabiamente. Ela ensinou-lhe muito sobre política, sobre ceder, mesmo que ela não cedesse nem um pouco em sua própria vida (Risos), mas ela tentou vestí-lo bem. Ela estava sempre o criticando por seus erros de gramática. Eles foram realmente uma equipe. As pessoas nunca lhe deram crédito, porque parte do mito era que ele tinha que viver com uma louca e torturante esposa. Era parte de seu comportamento heróico que ele tivesse que suportar esta mulher e, na realidade, ele não teria conseguido sem ela.

    É complicado comparar a politica atual com a da época do filme, mas se Lincoln estivesse vivo, você acha que estaria orgulhoso ou desapontado?

    Lincoln era um otimista. Acho que ele analizaria o trabalho a ser feito e arregaçaria as mangas para fazê-lo. O verdadeiro problema seria Mary. (risos) Ele teria que lidar com ela assim como o país todo, pois ela estaria revoltada com a disfunção e com as coisas que precisam ser resolvidas, aquelas que todos nós conhecemos bem, então todos acabariam ouvindo sobre isso (risos).