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    Lincoln: Spielberg fala sobre desafios para contar a história do ícone político dos EUA

    "Não quis fazer de Lincoln um herói adorado, mostrei mais um homem do que um monumento"
    Por Paoula Abou-Jaoude, enviada especial do Cineclick
    25/01/2013

    Levar aos cinemas a história de um dos ícones da política norte-americana não foi tarefa fácil para Steven Spielberg. Porém, com atores centrados e profundo respeito pelo tema, a equipe comandada pelo diretor realizou a obra com mais indicações ao Oscar 2013, Lincoln.

    Spielberg falou com o Cineclick sobre a admiração pelo 16º presidente dos Estados Unidos, o desenvolvimento do personagem junto ao ator Daniel Day-Lewis e a grande emoção que o arrebatou no último dia de filmagem.

    Lincoln estreia hoje nos cinemas brasileiros.

    Confira a entrevista:

    De quais armadilhas você quis fugir ao contar a história de Lincoln?


    A grande armadilha que desejei evitar foi fazer um filme apenas sobre momentos inesquecíveis de sua vida. Não quis fazer de Lincoln um herói adorado, mostrei mais um homem do que um monumento. Isso foi o mais importante para mim.

    Há monumentos suficientes. Sua imagem está nas moedas e na nota de U$ 5. Não precisamos mais disso. O que precisamos é refletir sobre quem ele foi, como viveu e tomou decisões importantes. Para mim, o 16º Presidente Abraham Lincoln foi o maior que já tivemos.

    Você acredita que Lincoln esteve à frente de seu tempo ao tentar resolver muitas questões complexas?

    Ele era a pessoa certa no momento certo. Realmente estava destinado a viver e fazer algo grandioso. Entre seus grandes feitos, deu fim à guerra, aboliu a escravidão, reunificou a América e salvou a ideia do processo democrático. Nasceu para isso e teve seu apoio na esposa Mary Todd. Ele não tinha ambições, ela sim. Ele não tinha os olhos sob o prêmio - a presidência -, ela tinha.

    Provavelmente, Mary pensou que poderia se casar tanto com Stephen Douglas ou Abraham Lincoln, e escolheu unir-se à Lincoln porque imaginava sua presidência. Então, todos esses grandes eventos na história pessoal ou na história de personagens a sua volta conspiraram para ele ter a chance de fazer algo realmente grandioso e tornar-se uma figura imortal.

    Como foi trabalhar com Daniel Day-Lewis?

    Daniel é diferente de qualquer outro ator com quem já trabalhei. Muitas vezes me pareceu um homem misterioso, mas é um cavalheiro muito acessível e caseiro. Tem um processo silencioso de pesquisa. Provavelmente acabou lendo mais do que eu sobre Lincoln depois de aceitar o papel. Nós trabalhamos muito próximos. Demos a ele suporte com a pesquisa sobre como o sotaque de Lincoln pode ter sido afetado por ter nascido em Illinois e crescido tanto em Kentucky quanto em Indiana. Daniel encontrou uma maneira maravilhosa de se expressar.

    Estudou muito e isso se reflete em seu desempenho. Porém, toda magia de seu talento, genialidade, a forma como ele realmente encontrou Lincoln, aconteceu de modo privado. Dirigi a ele e outros atores em todo o processo, mas no primeiro dia de filmagem, ele era Abraão Lincoln, e no último dia, era Daniel Day Lewis (risos). E o último dia de filmagens foi um dos mais tristes da minha vida inteira porque caminhei até Daniel para parabenizá-lo e ele respondeu com um sotaque Inglês. Comecei a chorar. Não estava pronto para ouvir o sotaque inglês.(risos)

    Quão diferente foi seu processo de filmagem?

    Nunca vi tantos atores com profundo respeito e reverência por um personagem, tema e período da história. Sempre trabalho e filmo rápido, pois isso mantém o processo vivo, mantém as pessoas pensando que realmente estão em uma história real - seja em A Guerra dos Mundos, Indiana Jones ou Lincoln. Neste caso, foi incrível o fato de o elenco não deixar o set quando moviamos a câmara de um lado para o outro, o que, por vezes, leva 20 minutos.

    Esses atores apenas ficavam lá sem que eu estivesse os instruindo ou dando quaisquer regras. Ao invés de conversarem sobre basquete, próximo trabalho ou filhos, sentavam-se em silêncio absoluto. Dessa forma, a equipe trabalhou neste silêncio. Nunca estive em um set assim, era como estar na biblioteca de Nova Iorque (risos), onde você pode ouvir um alfinete cair durante o trabalho. Todo mundo trouxe uma espécie de respeito sobre o que estávamos fazendo e sobre o assunto.

    Eu usava um terno todo dia, porque me senti realmente estúpido de jeans e camiseta, circulando da maneira como normalmente faço, com meu boné de beisebol, quando todos estavam usando suas melhores roupas do século 19. Não poderia ser o único cara diferente. Daniel me chamava de capitão, como o capitão de um navio, e eu não poderia o ser sem usar um terno de três peças. Foi a primeira vez que me vestir para ir trabalhar (risos).

    O que você costuma fazer para relaxar e descontrair?

    Jogo Angry Birds e Rummy Tiles no meu iPad (risos). E quando meus filhos voltam da escola e estão por aí, fazemos viagens ao campo e outras coisas coisas juntos, algo muito divertido. Assistimos televisão juntos. Tenho muitas maneiras de liberar a pressão do trabalho e isso acontece principalmente em casa. Sou uma pessoa realmente caseira.