Maria Luiza: a historia da primeira transexual das Forças Armadas brasileiras

Documentário dirigido por Marcelo Díaz chega aos cinemas no dia 19 de novembro

16/11/2020 16h00

Por Thamires Viana

Maria Luiza, documentário dirigido por Marcelo Díaz, estreia nesta quinta-feira, dia 19 de novembro, contando a história de Maria Luiza da Silva, a primeira transexual na história das Forças Armadas brasileiras.

Após correr por festivais em todo o mundo, incluindo países como Holanda, Suíça e Sérvia, o projeto de 80 minutos é narrado pela própria Maria Luiza, trazendo seus relatos de força e determinação para ser quem realmente é.

Conheça mais sobre Maria Luiza:

Trama

Maria Luiza da Silva é a primeira transexual da história das Forças Armadas Brasileiras e, após 22 anos de trabalho como militar, foi aposentada por invalidez mesmo estando em condições de continuar trabalhando como mecânica de aviação na Aeronáutica Brasileira. Nesse documentário escrito e dirigido por Marcelo Díaz, acompanhamos as motivações usadas para impedí-la de vestir a farda feminina e a sua trajetória de afirmação como mulher trans, militar e católica.

O documentário

Com muita leveza, o diretor e roteirista mergulha na vida de Maria Luiza retratando grande parte da sua vida como militar. Com narração dela, o documentário apresenta ao público uma história real e necessária de ser vista em um país tão intolerante como o Brasil. Empática e resistente, a produção traz relatos de amigos, colegas de trabalho, familiares, imagens de arquivos e matérias jornalisticas que abordaram o assunto na época do afastamento de Maria Luiza da FAB (Força Aérea Brasileira), e ainda promove uma reflexão sobre a liberdade de sermos quem somos.

"Eu sempre me senti uma mulher, na minha vida inteira, mesmo quando eu estava no papel de um homem. Eu existo, eu sou militar da FAB, eu sou transexual", diz ela um dos trechos do documentário.

Justiça 

Em 2000, Maria Luiza foi obrigada a se aposentar das funções de cabo na FAB após 22 anos de serviço militar. Na época, ela foi considerada incapaz para o trabalhos após se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo. Ela então entrou na Justiça para pedir a reintegração ao serviço, mas o caso levou 16 anos para chegar a um desfecho. Em 2016, o TRF-1 afirmou que "a orientação sexual não pode ser considerada incapacidade definitiva" e anulou o afastamento da militar.

Porém, a decisão veio tarde demais pois Maria já estava com mais de 48 anos de idade, idade máxima para atuação no posto de cabo. Os advogados de Maria alegavam que se ela não tivesse sido obrigada a se aposentar na época, teria chegado ao posto de subtenente. O processo então pedia que ela recebesse o valor de aposentadoria referente a esse cargo.

Em junho deste ano, Maria Luiza ganhou na Justiça o direito de se aposentar como subtenente e garantir o benefício integral após 20 anos de disputa. 

Festivais 

Maria Luiza foi exibido em 16 festivais de cinema ao redor do mundo, incluindo o Seattle Latino Film Festival (EUA), Festival É Tudo Verdade, 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Festival Internacional de Cinema pelos Direitos Humanos da Colômbia, International Queer Film Festival Merlinka (Sérvia), Humano Film Festival (México), onde foi premiado como Melhor Documentário, e Geneva International Queer Film Festival/Everybody's Perfect (Suíça).

Estreia

O documentário Maria Luiza chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 19 de novembro. Confira a programação completa da sua cidade.

Assista ao trailer oficial:


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