Morre atriz e diretora Norma Bengell

A atriz foi eternizada ao fazer o primeiro nu frontal do cinema nacional

09/10/2013 09h27 (Atualizado em 09/10/2013 15h22)

Por Daniel Reininger

Uma das grandes estrelas do Cinema Novo, a atriz e diretora Norma Bengell, faleceu na madrugada desta quarta-feira (9). Ela estava internada na unidade Bambina do Hospital Rio Laranjeiras, no Rio de Janeiro, desde o último sábado. Ela tinha 78 anos.

Norma foi diagnosticada há cerca de seis meses com câncer no pulmão e estava no Centro de Tratamento Intensivo do hospital. Ainda não há informações sobre o velório da atriz, mas seu corpo será cremado no Cemitério do Caju, na capital fluminense.

Trajetória

A atriz nasceu no Rio de Janeiro e começou a se apresentar como vedete do teatro de revista ainda aos 16 anos. Por sua beleza, Norma chegou a ser lançada como cantora e gravou versões de A Lua de Mel na Lua e E Se Tens Coração. Chegou a lançar um LP em 1959, no mesmo ano de sua estreia no cinema.

Nas telonas, se mostrou uma grande atriz. Ela foi eternizada ao realizar o primeiro nu frontal do cinema brasileiro, em Os Cafajestes (1962). A repercussão a levou a trabalhar no cinema europeu.

Norma Bengell

Depois disso, ela praticamente fez um filme por ano, títulos como O Homem do Sputinik, Noite Vazia, A Casa Assassinada, A Idade Da Terra e Os Deuses E Os Mortos. Este último foi aclamado no Festival de Berlim.

Em 1961, estrelou O Pagador De Promessas, de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

No fim dos anos 1980, se arriscou na direção e filmou Eternamente Pagu, O Guarani, além do documentário Infinitamente Guiomar Novais.

Seu último trabalho foi no teatro em 2010, quando protagonizou Dias Felizes, de Samuel Beckett, com a direção de Emílio Di Biasi.

Repercussão:

Artistas comentaram a morte da atriz nas redes sociais nesta quarta-feira (9):

Aguinaldo Silva, dramaturgo, pelo Twitter:
"Ela ficará sempre em nosso coração, em lembranças imortais"

José de Abreu, ator, pelo Twitter:
"RIP Norma Bengell, minha paixão de adolescente! Ficamos amigos nos anos 90. Filmei com ela O Guarani."

Marta Suplicy, ministra da Cultura:
"Lamento a morte da atriz e cineasta Norma Bengell. Uma atriz que sobressaiu por sua ousadia e talento. Além de seus filmes, que se tornaram marcas do cinema nacional, recordo sua coragem enfrentando nas ruas, ao lado de Tônia Carreiro, Eva Wilma, Odete Lara e Ruth Escobar, a censura, a ditadura, e exigindo mais cultura. Merece nossas homenagens por tudo que representou. À família e amigos nosso pesar."

Marcio Garcia, ator:
"Estou triste. Sempre admirei a coragem de Norma e a ousadia que ela tinha na carreira. Não apenas por ter sido a primeira mulher com nudez frontal no cinema brasileiro, mas depois ter se enveredado na carreira de diretora. Na época em que ela fez 'O Guarani', ela juntou uma turma legal e o cinema brasileiro não tinha tanta força quanto hoje. Foi muito corajosa. Deu para notar que era uma pessoa com muita vontade de enfrentar todas as dificuldades."

Alessandra Maestrini,  atriz:
"Norma estava sofrendo muito, desejo luz e paz a ela, esteja onde estiver."

Neville d'Almeida, diretor de Rio Babilônia (1982):
"Norma Bengell foi uma das maiores estrelas do cinema mundial. A sequência que ela tem no filme 'Os Cafajestes', de Ruy Guerra, é antológica e ninguém faria como ela. Norma foi uma precursora e teve coragem e dignidade como atriz, dando ao cinema grandeza e liberdade. As atrizes de hoje são muito caretas, não entendem o próprio corpo. O ator precisa ter uma relação espetacular como corpo e a geração de Norma entendia isso. Eu tinha um projeto com ela para fazer a história de Maria Bonita, mas não deu certo e acabamos trabalhando juntos em 'Rio Babilônia'. Éramos muito amigos."

Diogo Vilela, ator:
"Eu tô muito comovido porque não sabia. Eu trabalhei até tarde e me disseram. Eu trabalhei com ela no 'Toma Lá Dá Cá'. Durante o processo, nós ficamos muito amigos. Ela me contava essa história dela, que foi uma atriz que teve uma carreira internacional. Eu lembro de adolescente, ela fazia teatro na França. É uma atriz que divulgou muito a cultura brasileira fora e era uma mulher que responde sobre a liberdade na arte através do filme dela. Ela teve esse legado da liberdade. Eu acho que isso é uma coisa que o artista conquista com muita dificuldade. É uma vencedora. Era uma pessoa diferente, introspectiva, carinhosa. Eu tô olhando uma foto dela no escritório que ela me deu, uma foto que ela se achava linda. Tínhamos um carinho."


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