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    MOSTRA 2010: Fritz Lang restaurado, exposição de Kurosawa e Wim Wenders são os destaques

    Por Heitor Augusto
    10/10/2010

    A versão extendida de Metrópolis com 30 minutos extras encontrados num museu da Argentina, uma exposição com desenhos de Akira Kurosawa e projeção restaurada de Rashomon, além das retrospectivas das obras de F.J. Ossang (Silêncio) e Serge Avedikian (Chienne d'Historie) estão entre os destaques da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

    Um panorama geral do evento, que acontece de 22 de outubro a 4 de novembro, foi apresentado pelos diretores Leon Cakoff e Renata de Almeida. A começar pelo filme de abertura: O Estranho Caso de Angélica, do veterano mais jovem do cinema, o português Manoel de Oliveira, longa que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2010.

    Além de Oliveira, outro queridinho da Mostra também dará as caras novamente neste ano. Wim Wenders terá três atividades por aqui: vai apresentar pessoalmente sua versão de 280 minutos de Até o Fim do Mundo (1991); chegará ao Brasil em 16 de outubro para organizar a exposição Lugares, Estranhos e Quietos, que trará algumas de suas fotografias; além de receber uma curta retrospectiva com seus filmes, entre eles Asas do Desejo e Paris, Texas. Onipresente, Wenders também assina um dos cartazes da Mostra. - o outro é de Kurosawa.

    Retrospectivas, homenagens e exibições especiais darão um tempero a mais à Mostra 2010. Exemplo é a parceria com a Cinemateca Brasileira para exibir, no Dia do Patrimônio Audiovisual (27 de outubro), sete produções nacionais clássicas, entre elas O Corinthiano, protagonizado por Mazzaropi, e Gregório 38, de Alex Prado. “Não é só para restaurar e deixar lá, queremos mostrar os filmes ao público”, explica Renata de Almeida, codiretora da Mostra.

    Metrópolis, filme de Fritz Lang cercado de dúvidas já que a cópia original foi apreendida quatro meses depois do lançamento em 1927, terá uma projeção no dia 24 acompanhada da orquestra Jazz Sinfônica no auditório do Ibirapuera. “A estrutura do filme muda completamente, especialmente o entendimento dos três personagens coadjuvantes”, afirmou a restauradora Anke Wilkening ao Cineclick em outubro de 2009.

    Kurosawa pede passagem

    Bem que a ideia inicial foi fazer uma retrospectiva completa de Akira Kurosawa (1910-1998), que forma a trinca dos grandes diretores japoneses ao lado de Ozu e Mizoguchi. “Mas as cópias estão em má qualidade, não vale a pena”, justifica Renata. A solução foi desmembrar em três a participação de Kurosawa na Mostra Internacional de Cinema em 2010.

    O Instituto Tomie Ohtake abrigará, de 22 de outubro a 28 de novembro, a exposição Kurosawa – Criando Imagens Para O Cinema. Nada menos do que 80 storyboards de seis filmes do cineasta: Kamegusha, Ran, Dreams, Rapsódia em Agosto, Madadayo e The Sea Watches. Kurosawa começou a desenhar em Kamegusha porque tinha medo de não conseguir realizar o filme por falta de dinheiro. Para não perder as imagens, as desenhou.

    Além da exposição, a Mostra e a editora Cosac Naify vão lançar À Espera do Tempo – Filmando com Akira Kurosawa, livro da diretora assistente e produtora do cineasta, Teruyo Nogami. A terceira atividade sobre Kurosawa na Mostra é a exibição da cópia restaurada de Rashomon – ao lado do Wenders, Kurosawa, com um de seus desenhos, assina o segundo cartaz do festival.



    Desconhecidos também pedem passagem

    Uma das características que sempre diferenciaram a Mostra de outros festivais é seu apreço por realizadores desconhecidos do público brasileiro. Seguindo a tradição, duas retrospectivas serão dedicadas a perscrutar a obra de F.J.Ossag e Serge Avedikian. O primeiro é um multi-artista francês – cantor, escritor e cineasta – e tem no currículo filmes como Silêncio e Treasure of the Bitch Islands.

    Já o segundo trata-se de uma promessa para o longa-metragem: Avedikian venceu neste ano a Palma de Ouro com o curta-metragem Chienne d'Histoire. Ambos são presença garantida na Mostra.

    Ao lado das retrospectivas, 2010 será o ano da Noruega no evento cinematográfico paulistano. Escolha justificada assim por Leon Cakoff, codiretor da Mostra: “Porque eles têm filmes bons!”. Renata vai além e diz que é a tendência do festival apresentar gente desconhecida. “Descobrir é um de nossos interesses”.

    A atenção especial ao cinema norueguês será dada à obra de Bent Hamer, que recentemente desembarcou nos cinemas brasileiros com Caro Sr. Horten. Serão exibidaos também Eggs, Factotum - Sem Destino, Histórias de Cozinha e Home for Christmas.

    Além do apreço pelos (ainda) desconhecidos, a Mostra traz algumas figuras carimbadas com potencial de esgotarem antecipadamente os ingressos das sessões. Sofia Coppola (Um Lugar Qualquer), Abbas Kiarostami (Cópia Fiel), Woody Allen (Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos), Takeshi Kitano (Autoreiji), Mathieu Amalric (Turnê), Jean-Luc Godard (Socialism), entre outros. Em geral, os destaques de Veneza e Cannes.

    Aos cinéfilos, um recado

    A 34ª Mostra Internacional de Cinema estará espalhada por 27 concorridas salas de cinema em São Paulo. Aos cinéfilos que compram os pacotes antecipados, o aviso é que o valor da integral continua o mesmo dos últimos dois anos (R$ 390). A Central da Mostra começa a funcionar em 16 de outubro no Conjunto Nacional (avenida Paulista, 2073).