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    MOSTRA 2010: Metrópolis transforma em ritual exibição com milhares de pessoas no Ibirapuera

    Por Heitor Augusto
    25/10/2010

    Nem de longe Metrópolis é o melhor filme do austríaco Fritz Lang, mas certamente o mais místico. Quatro meses depois da estreia ocorrida em 20 de janeiro de 1927, o filme foi tirado de circulação pela produtora alemã UFA (Universum Film Aktiengesellschaft) e retalhado: 153 minutos se transformaram em 116. As partes retiradas se perderam, mas em 2008 foram encontrados rolos em 16mm no Museu de Cinema Pablo C. Ducros, em Buenos Aires [saiba mais aqui].

    Mesmo sem o status de obra-prima, assistir a Metrópolis com acompanhamento ao vivo da Orquestra Jazz Sinfônica, no gramado atrás do Auditório do Ibirapuera, repleto de gente – estimam-se 12 mil – tornou a fria noite de domingo (24/10), não apenas uma sessão, mas um evento.

    Pode ser utopia de crítico de cinema, mas é emocionante ver um bocado de pessoas, num domingo à noite, disposta a ficar sentada na grama por quase três horas horas – contando os intervalos para o descanso da orquestra – para assistir a um filme mudo feito há 83 anos! Uma sessão a céu aberto mais silenciosa do que uma exibição em qualquer cinema do circuito, com gente abrindo e fechando o celular, mandando SMS, falando alto e incômodos afins.

    No Parque do Ibirapuera, o que se presenciou foi uma experiência única. Grupos de amigos levaram cangas para proteger suas roupas da grama, vinho para espantar o frio e petiscos para tapear a fome. Devemos a Fritz Lang o feito de proporcionar uma experiência coletiva tão forte quanto um show do nosso artista preferido.

    Os que se aventuraram a ficar até o final – vocês não acreditaram que os 12 mil permaneceram até o fim, né? – tiveram a chance de conferir uma versão Metrópolis praticamente completa (ainda faltam duas cenas, que foram substituídas por cartelas explicativas). Quem assistira a versão anterior lançada no Brasil sabe da dificuldade de o filme manter seu ritmo, das cenas desconexas que tomam a tela inesperadamente.

    Antes, Metrópolis marcava pelos enquadramentos soberbos, os cenários magnânimos e a capacidade de imaginar um mundo tecnológico ainda incipiente. Depois dos 27 minutos encontrados na Argentina e da projeção de ontem, tornou-se um exercício muito mais agradável acompanhar o filme de Fritz Lang.

    Afinal, no corte de 153 para 113 minutos (sem contar outro corte criminoso de 83 minutos, realizado na década de 1980), todas as subtramas que explicam como Freder Frederesen, o filho do senhor de Metrópolis, conseguiu unir as mãos (operários) e o cérebro (patrões) – ou seja, Lang aplicou o Lulismo em 1927.

    Metrópolis está aí, vivo, e a projeção no gramado o Ibirapuera provou isso. Por que a Mostra Internacional de Cinema não incorpora em seu calendário anual a exibição de um clássico restaurado com exibição ao ar livre? São Paulo está pronta para isso.