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    MOSTRA 2010: Os Dois Escobares relaciona tráfico e auge do futebol colombiano

    Por Heitor Augusto
    02/11/2010

    Em 1994, o Brasil sagrou-se tetracampeão mundial de futebol. Mas, antes de começar a Copa do Mundo nos Estados Unidos, era a seleção da Colômbia que assombrava os outros com jogadores talentosos, como o camisa 10 Valderrama, o goleador Asprilla, o forte Rincón e o guerreiro Valencia. Nesse time de estrelas, quem sofreu o maior baque foi o zagueiro Andrés Escobar.

    Gol contra, eliminação ainda na primeira fase e, na volta à Colômbia, dias depois da derrota para os Estados Unidos, Andreas foi assassinado. Qual a relação entre o episódio envolvendo o Escobar jogador e o maior traficante de drogas dos anos 80? Justamente a questão que o documentário Os Dois Escobares, que terá sua última sessão na Mostra na quarta-feira (3/11), às 18h20, no Unibanco Artplex 2, tenta responder.

    “Olhando para o assassinato de Andrés percebemos que a ascensão e a queda do futebol colombiano está inexoravelmente ligada ao Cartel de Medelín, liderado por Pablo Escobar”, afirma Jeff Zimbalist, codiretor do documentário, ao Cinelcick.

    Zimbalist, que codirigiu Favela Rising, filme sobre o carioca Afroreggae, conta que um dos objetivos de Os Dois Escobares, indicado para concorrer ao troféu Bandeira Paulista da Mostra, é atingir uma plateia que não é apaixonada por futebol. “Torço que, fazendo um filme sobre as trajetórias de Pablo e Andrés Escobar, podemos mostrar para um público internacional o impacto que o futebol pode ter em uma sociedade”. Além de trazer imagens inéditas do confronto Colômbia e Estados Unidos, que sacramentou a volta dos latinos para casa após o gol contra de Andrés, o filme reconstroi a trajetória política do país no início dos anos 90: disputa de carteis e a morte de Pablo Escobar.

    Jeff Zimbalist conta que Os Dois Escobares foi gestado quando um amigo colombiano o convidou a fazer um filme sobre o Massacre de Urabá (1988). Com isso, penetrou na realidade daquele momento e nas conexões entre o futebol colombiano ter se tornado potência mundial pela primeira vez na história e o tráfico de drogas. “Acho que a morte de Andrés não foi em vão, pois tirou o véu de que a instituição do futebol não era imune ao dinheiro das drogas”.

    Como diz Francisco Maturana, técnico da seleção entre 1987-90 e 93-94, “quando os chefes de carteis foram presos, acabou o dinheiro. Acabando o dinheiro, acabou o futebol. Como contratar profissionais de fora, importar estrategias e manter nossos talentos no país?”. Desde então, o futebol colombiano jamais chegou perto do status do início da década de 90. A seleção da Colômbia não disputa uma Copa do Mundo desde 1998, quando encerrou-se o ciclo da geração Valderrama-Rincón-Asprilla.

    Serviço – Sessão de Os Dois Escobares na Mostra
    Quarta-feira (3/11), às 18h20, no Unibanco Artplex 2 (Sessão 1215)