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    MOSTRA 2010: Projeção arruína Carlos, cinebiografia de personagem mundialmente procurado nos anos 70

    Por Heitor Augusto
    28/10/2010

    Quarta-feira (27/10), primeira sessão de Carlos, oportunidade ímpar de assistir na Mostra ao retrato cinematográfico de cinco horas e meia que Olivier Assayas fez de um dos homens mais temidos no mundo nos anos 1970, Ilich Ramírez Sánchez, codinome Carlos. Sala cheia no Cine Sabesp.

    Começa a projeção. Algo está fora dos eixos. Percebe-se que a fotografia não atinge o nível que poderia. O amarelo do Oriente Médio brilha além da conta, o tamanho do filme está menor do que a tela comporta. O esforço da imagem em transportar o espectador para quatro décadas atrás não está funcionando. A projeção de Carlos está muito aquém do filme fotografado por Denis Lenoir eYorick Le Saux.

    Uma pena para quem se dispôs a passar pela experiência única de uma cinebiografia tão audaciosa quanto a de Assayas. É realmente triste olhar para a tela e enxergar que ali não está o grande filme que foi realizado por uma equipe. Pena que o pior ainda estaria por vir.

    Na última parte da sofrível projeção em HDCam, o áudio duplicou: ouvíamos tanto as falas do original em inglês quanto à dublagem em francês, simultaneamente. O projecionista ainda reiniciou o aparelho, mas nada salvou algo que começou muito mau. Depois de aguentar por 15 minutos o áudio duplicado e suportado por quatro horas uma projeção aquém do filme, desisti! Muitos também se resignaram e trocaram ingressos para as próximas sessões do longa.

    Nesta Mostra Internacional de Cinema, tivemos projeções com qualidade à altura de seus filmes – por exemplo, A Primeira Coisa Bela –, mas tivemos muitas outras que foram verdadeiras ofensas: os bonitos planos abertos de A Árvore ficaram distorcidos e a beleza das paisagens naturais da Austrália foi para o espaço, ou o malaio Depois de Todos Esses Anos, que parecia ter sido feito com câmera de celular em baixíssima resolução.

    Sem rodeios: a sessão de ontem de Carlos foi uma grande brochada!

    Tirando tudo isso...

    Excetuando esses detalhes que influenciam diretamente o conforto durante o filme, Olivier Assayas conseguiu conseguiu o que Soderbergh tentou em Che e Jean-François Richet logrou em alguns momentos com Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte: capturar o espírito de uma época, algo mais sofisticado do que apenas passar por fatos da história do biografado.

    Claro que Carlos passa pelos principais episódios da vida de Ilich, que começou como um borra-botas numa organização em defesa da criação do Estado Palestino e chegou a alcance internacional. Mas a cinebiografia vai fundo na essência do personagem (que tem na violência um de seus alimentos) e na alma de uma época.

    Parafraseando o colega Luiz Zanin, do Estadão, “há tempos em que a História se acelera”. Carlos entende isso e transmite essa sensação durante os seus 330 minutos. Ilich não é um herói, mas sim um homem, com todas as complicações que esse reconhecimento implica. Com a cinebiografia, estamos imersos no que representa os anos 70 e princípio dos 80 para a História.

    Se tiver uma projeção digna de seu status, Carlos vai integrar a lista de um dos filmes imperdíveis da 34ª Mostra Internacional de Cinema.

    Serviço – Sessões de Carlos na Mostra
    Sábado (30/10), às 20h, no Unibanco Artplex 2 (Sessão 825)
    Terça-feira (2/11), às 16h30, na Cinemateca Sala BNDES