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    MOSTRA 2010: Wim Wenders mostra lado fotógrafo e afirma: Paisagens são imagens das nossas almas

    Por Heitor Augusto
    21/10/2010

    Em 2008, Wim Wenders passou pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo para apresentar Palermo Shooting, filme que, ao contrário de seu realizador, não deixa saudade alguma. Em 2010, a principal participação do diretor de Paris, Texas, Asas do Desejo e Buena Vista Social Club na Mostra é fotográfica: Wenders traz à cidade sua exposição Lugares, Estranhos e Quietos, que abre ao público nesta quinta-feira (21/10), no Masp.

    Uma seleção com 23 fotos tiradas ao longo de suas muitas viagens. “Não sou um cidadão viajante, mas um fotógrafo viajante”, afirmou o cineasta – e fotógrafo – alemão à imprensa na tarde de quarta-feira (20/10). O cineasta chegou ao Brasil há quatro dias para montar a exposição. Em dois anos, Wenders praticamente não mudou: continua com um apurado senso de humor e um aguçado senso de observação. Senso que, aliás, traduz muitas das imagens expostas no Masp.

    “Sou curioso e gosto de fotografar lugares. Por que não fotografo pessoas? Já tem fazendo isso, e muito bem. Acredito que as paisagens são imagens das nossas almas”. Como de costume, Wenders toma fôlego, pensa um pouco e busca lá de dentro o xeque-mate: “Aprendemos mais sobre seres humanos olhando para paisagens do que para pessoas. Minhas fotos não precisam de legendas”.

    Sempre que pode, Wenders relembra seu interlocutor que a porta de entrada para o cinema foi a pintura. “Sim, queria ser pintor. Na faculdade, o que me interessava era a pintura. Tudo que sei de cinema e fotografia devo a ela”. O olhar de pintor está indicado em várias das imagens expostas em Lugares, Estranhos e Quietos.

    Wenders trasforma uma esquina trivial na mais peculiar do universo ou mostra em imagens como Roda Gigante e Cratera de Meteorito por que é um mestre do enquadramento: fotografias dominantes e onipotentes, tiradas por alguém que se posiciona como curioso e estrangeiro a esses lugares.



    “Sempre me interessou o conflito entre homem e natureza”, ilustra o alemão. Justamente por isso, Wenders não suporta ambientes artificiais e tecnológicos – os CGIs, sigla em inglês para Imagens Geradas por Computador. O mundo real é sua matéria-prima. “Lugar algum criado digitalmente é tão bonito quanto o nosso planeta”. Indireta para a Pandora de Avatar?

    Relutante ao CGI mas empolgado com o digital (“que salvou os documentários”) e especialmente com o 3D: Wenders acaba de terminar as filmagens, em terceira dimensão, do documentário sobre a coreógrafa Pina Bausch, morta em junho de 2009. “Há vinte anos queria fazer um filme sobre ela, mas não sabia filmar dança”. O panorama mudou quando o cineasta assistiu pela primeira vez um filme em terceira dimensão, o documentário U2 3D.

    “Filmar assim foi uma experiência emocionante, além de cara e trabalhosa. Dançava junto e tocava as mãos de Pina”. Mas 3D não é uma tecnologia para desenhos ou filmes de ficção científica que criam uma realidade paralela? De maneira alguma, defende Wenders.

    “Nós fomos acostumados a associar o tecnologia ao espetáculo, explodir prédios e afins. Você acha que o 3D é para coisas fora da realidade, mas não há nada mais cativante no formato do que a realidade”.

    Serviço
    Lugares, Quietos e Estranhos, exposição das fotografias de Wim Wenders
    De 21 de outubro a 16 de janeiro de 2011
    MASP – Museu de Arte de São Paulo
    Avenida Paulista, 1578 – 1º andar – Fone (11) 3251 5644
    De terça a domingo: das 11h às 18h (bilheteria aberta até 17h30)?
    Quinta-feira: das 11h às 20h (bilheteria até 19h30)
    Ingressos:
    Para público em geral: R$15,00 (valor inteiro) ?
    Para estudantes, professores e aposentados com comprovantes: R$7,00 (meia-entrada)?
    Menores de 10 e maiores de 60 anos não pagam ?
    Terça-feira: entrada gratuita para o público em geral