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    Mostra: "A Atração" traz sereias devoradoras de homens e dá o que falar

    Mistura de romance, terror e musical tem bela estética, mas pouca história
    Por Iara Vasconcelos
    28/10/2016

    Em todas as suas edições, a Mostra de Cinema de São Paulo escolhe um país como destaque. Na 40ª edição, quem faz as honras é a Polônia. Além da homenagem ao cineasta Andrzej Wajda, que receberá o Prêmio Humanidade, o evento contou com uma seleção de filmes do país eslavo, dentre eles "A Atração", da diretora Agnieszka Smoczynska, que levou prêmio especial do júri no Festival de Sundance.

    O musical surrealista e glitterinado traz uma premissa bastante curiosa: Duas irmãs sereias, Silver (Marta Mazurek) e Golden (Michalina Olszanska), são descobertas por uma cantora amadora e levadas para uma boate oitentista onde viram a atração principal, cantando e fazendo performances eróticas enquanto exibem sua majestosa cauda.

    As sereias nada inofensivas gostam de se alimentar dos orgãos vitais de homens e animais, fugindo do imaginário popular criado pela Disney.

    A Atração

    Silver, uma hedonista de coração, enxerga o trabalho no lugar como um passatempo, enquanto procura maneiras de nadar até os Estados Unidos, mas a sua irmã se apaixona por um belo e jovem baixista, colocando em risco o plano das duas e ameaçando a sua condição de sereia.

    Dentre números musicais bizarros e nudez explícita, o filme vai aos poucos moldando um universo único, quase onírico, que causa sensações mistas no espectador. Enquanto a montagem de Smoczynska parece, por vezes, confusa, o cuidado estético prende a atenção. O longa parece fazer parte de um vídeo conceitual de moda, com figurinos extravagantes, maquiagem sempre ao ponto e luz perfeita. Não à toa, o prêmio ganho em Sundance foi o de "design e visão única".

    A Atração

    Infelizmente, o Rocky Horror Picture Show polonês não tem substância. Sem a exuberância estética, só resta ao longa uma história rasa e com muitos elementos desconexos, como personagens que entram e saem de cena, sem que sequer saibamos quem são. A trama também trata com uma apatia gigantesca o fato, bastante grotesco, de que as sereias são irmãs e crianças - pelo menos assim são chamadas durante todo o filme. Com cenas que beiram o voyeurismo barato, as duas se tocam e se beijam.

    Pelo menos, Agnieszka Smoczynska pode se vangloriar de que seu A Atração não passou despercebido e tem chances de angariar uma repescagem na Mostra, dada as suas sessões cheias.