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    Mostra investiga rigor estético do português Pedro Costa

    Por Heitor Augusto
    01/09/2010

    É muito difícil se posicionar frente ao cinema do Pedro Costa. Na cinematografia portuguesa, de um lado da trincheira estão os filmes que tentam buscar um público indiferente aos realizadores locais. Do outro, os cineastas que decidem instigar já que os patrícios raramente vão prestigiá-los. Mais ou menos assim: já que não dá dinheiro mesmo, então eu vou fazer arte.

    Nessa linha de cinema à qual a Cinemateca portuguesa anda antenta, temos três cineastas notórios (Manoel de Oliveira, mestre supremo, nem entra na lista dos mortais): João Pedro Rodrigues (Morrer Como Um Homem) se expressa com mais agressividade, enquanto Miguel Gomes (Aquele Querido Mês de Agosto) tem estilo fluido.

    O terceiro da trinca é Pedro Costa, que ganha uma mostra completa a começar nesta quarta-feira (1° de setembro) no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo. Após passar pelos paulistas, a mostra O Cinema de Pedro Costa viaja para o Rio de Janeiro (11 a 23/9) e Brasília (14 a 26/9).

    Pedro Costa (Juventude em Marcha e No Quarto da Vanda), que virá a São Paulo no dia 8 para conversar com o público, leva ao extremo o pensamento de que o espectador deve ir em direção ao filme, não o contrário. Essencialmente, porque seus filmes não constituem uma experiência consumível e descartável logo após a sessão. Se você for ao cinema é porque realmente está lá para imergir no filme, não para sentar passivamente na cadeira e aguardar o espetáculo se desenrolar.

    Para quem está do lado de cá, a chave de seus filmes está no conceito de “antropologia visual”: misturar ficção e documentário, sem necessariamente refletir sobre as diferenças ou aproximações dos gêneros, atores e não-atores e, com isso, buscar que a concentração do real de cada plano seja suficientemente forte para alcançar um sentido pleno, emotivo e profundo.



    Verdade dos personagens, das situações, dos sentimentos. O caminho para um cinema simples em tempos verborragia imagética, que passa por muita disciplina e coerência discursiva do começo ao fim do processo. Rigor de quem faz e esforço para quem assiste, já que é mais simples se submeter ao movimento na tela do que ao estático.

    Influências lá e cá

    Em 1989, aos 30 anos, Pedro Costa dirigiu o primeiro longa-metragem, O Sangue. Desde então, são apenas sete longas e três curtas – pouco para 21 anos de carreira, a maioria dialogando com o cinema de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet.

    No Brasil, a maior influência trazida pelos filmes de Costa está no cearense Petrus Cariry: O Grão se passa num sertão similar ao de Cinema, Aspirinas e Urubus, mas com independência de plano para plano. Cada cena tem sua própria emoção e severidade.

    Os pobres do Bairro 6 de Maio, os imigrantes de Cabo Verde e os trabalhadores braçais são personagens que frequentam constantemente as lentes de Costa. “[...] O cinema está mais próximo da rua e do sujo, tem-se que passar por alguma coisa mais baixa, em todos os sentidos, para se atingir algo altíssimo”, afirmou em entrevista a Daniel Ribeiro (curador de O Cinema de Pedro Costa) e Pedro Maciel Guimarães.

    Justamente por isso é difícil se posicionar em relação ao seu cinema. O rigor e a disciplina do processo de realização, a realidade concreta como matéria e o simples como mote levam a imagens por vezes estilizadas. A impressão é de que a vida daqueles personagens é mais bonita no cinema do que no dia a dia. Não é uma estetização deliberada, mas que pode passar pela interpretação de quem assiste. O ódio, ao lado do amor, passa pelo sentimento quando assistimos a um filme de Pedro Costa.

    Confira a programação completa de O Cinema de Pedro Costa

    Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
    1º a 12 de setembro, de quarta a domingo
    Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - (11) 3113 3651 / (11) 3113 3652
    Cinema: 70 lugares

    Quarta-feira (1º de setembro)
    19h30: Ne change rien

    Quinta-feira (02/09)
    17h30: O sangue
    19h30: Casa de lava

    Sexta-feira (03/09)
    15h30: Onde jaz o teu sorriso?
    17h30: Gente da Sicília + 6 bagatelas
    19h30: Ossos + A caça ao coelho com pau

    Sábado (04/09)
    15h: Juventude em marcha
    17h45: Mesa redonda: Palavra e política na trilogia das Fontainhas, com Jair Tadeu da Fonseca e Stella Senra e mediação de Daniel Ribeiro Duarte

    Domingo (05/09)
    15h30: Ossos + A caça ao coelho com pau
    17h30: No quarto de Vanda

    Quarta-feira (08/09)
    17h30: Ne change rien
    19h30: Conversa com Pedro Costa

    Quinta-feira (09/09)
    15h30: Casa de lava
    17h30: Trás-os-Montes
    19h30: Palestra: Pedro Costa e o cinema português, por Carolin Overhoff

    Sexta-feira (10/09)
    17h30: Tudo refloresce
    19h30: Juventude em marcha

    Sábado (11/09)
    15h30: O sangue / exibição em blu ray
    17h30: O estado do mundo
    19h30: Número zero

    Domingo (12/09)
    15h: Beauty #2
    17h: Onde jaz o teu sorriso?
    19h: No quarto de Vanda

    Cinemateca Brasileira – 16 de setembro
    18h30: Número Zero
    20h30: Seminário Cinefilia e Preservação com Pedro Costa e Thierry Lounas, com mediação de Paulo Sacramento