Mostra SP: System Crasher é um filme perturbador e compreensível

Longa é o representante da Alemanha na corrida para o Oscar 2020

28/10/2019 18h22

Por Thamires Viana

System Crasher, longa da diretora Nora Fingscheidt e representante da Alemanha na corrida pelo Oscar 2020, é daqueles que divide as opiniões do público. Com cinco exibições na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a produção alemã tem temática forte e ritmo acelerado para contar a história de Benni (Helena Zengel), uma menina de nove anos com comportamento agressivo e imprevisível que está sob os cuidados do serviço social.

Com o roteiro escrito pela própria Nora, o longa mergulha na mente revoltada da criança para tentar - em vão - compreender os motivos que desencadeiam seus traumas. Deixada pela mãe em uma instituição, Benni não pode ser contrariada por ninguém, ou então explode em uma fúria envolvendo palavrões e agressões físicas. Além disso, o abandono gerou na jovem uma carência fora do limite, e isso é potencializado a cada mudança de ambiente enfrentada por ela.

Ao longo de 120 minutos, a diretora intercala momentos de brutalidade com a inocência comum de uma garota da idade de Benni, equilibrando sua abordagem entre o descaso da sociedade em relação aos transtornos mentais e as consequências causadas pela desestruturação familiar. Dessa forma, o filme se divide em dois caminhos diferentes, levando o público a buscar a melhor forma de interpretar essa história. Seria a garota realmente doente ou o desamparo familiar a deixou revoltada em um nível irreversível? 

Sem deixar claro os demais traumas que levaram Benni ao extremo, System Crasher se distancia do julgamento: não há punição para as atitudes da criança e nem para a mãe que a abandona, da mesma forma em que não há verdade absoluta sobre o que de fato acontece. É um misto de diagnósticos incertos e ruptura familiar que transforma a criança em um grande perigo para todos ao redor, explodindo em busca de liberdade e compreensão. 

Nota: 9

Confira o trailer:


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