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    Motivos para ver o clássico Bravura Indômita, dos irmãos Coen

    O renomado longa com Jeff Bridges está disponível no streaming
    Por Alexandre Dias
    10/06/2020

    Clássico dentro de clássico. Essa é a definição da história de Bravura Indômita. A trama nasceu na literatura, mas migrou para os cinemas na década de 60, e em 2010 ganhou mais uma adaptação histórica nas telonas. 

    Este último filme foi dirigido pelos conceituados irmãos Ethan e Joel Coen e recebeu nada menos que dez indicações ao Oscar 2011, incluindo de Melhor Filme. Disponível na Netflix, o longa é a pedida certa não só para os fãs de um bom faroeste, mas aos que gostam de assistir uma obra cheia de nuances e qualidades técnicas. 

    Para aumentar ainda mais a sua expectativa de ir conferir Bravura Indômita, listamos cinco motivos pelo qual o filme pode ser caracterizado como uma produção imperdível. Confira: 

    História marcante

    A trama de Bravura Indômita é basicamente um road movie, em que uma adolescente, Mattie Ross, sai em busca do assassino de seu pai. Quem a acompanha é o xerife Cogburn, um homem com métodos incomuns e um comportamento antissocial.  

    Diversos outros personagens surgem no meio da empreitada, como o policial de índole ambígua LaBoeuf e o próprio assassino do parente de Ross, Tom Chaney. Todas as interações entre esses elementos culminam em acontecimentos intensos, mas que fazem a narrativa avançar, logo não "chocam por chocar". 

    Como um bom road movie, o final é impactante e recheado de emoção. Na conclusão da trama, o espectador se sente praticamente na cabeça de todos os personagens de tão bem explorados pelos Coen, que conseguem misturar sensibilidade e razão com maestria.

    Diálogos afiados

    O roteiro é um dos grandes responsáveis por trazer tanta humanidade aos personagens junto de debates religiosos e morais. Não à toa, a adaptação do livro de Charles Portis para o texto do filme foi realizada pelos próprios irmãos diretores. 

    "Você precisa pagar por tudo neste mundo, de um jeito ou de outro. Não há nada de graça, exceto a graça de Deus", Mattie diz em determinado momento da trama. Essa fala é extremamente aberta em sua análise, algo proposital feito pelos Coen, pois o objetivo do filme é entender para onde cada personagem quer ir. 

    Cogburn, por exemplo, é bronco, beberrão e vivido, portanto o que significa ele ter aceitado aquela missão? Do lado oposto, Mattie carrega a inocência de uma pessoa jovem, mas, como a própria frase diz, sem muita ingenuidade; obviamente, a própria iniciativa da missão dela comprova isso. 

    Todos esses questionamentos estão presentes em diálogos afiados, que não são colocados nas telas de maneira auto-exlicativas e redundantes. 

    Emoção e humor

    O tom de Bravura Indômita é muito parecido com o de Onde Os Fracos Não Têm Vez, talvez o melhor e mais ambicioso filme dos irmãos Coen. A trama tem pontos extremamente dramáticos e com críticas ao comportamento humano, mas em nenhum momento há um melodrama exacerbado. 

    Pelo contrário, os diretores são conhecidos por aplicarem muito bem o humor nessas horas. O teor cômico não é escrachado como Queime Depois De Ler, porém contém a ironia ácida clássica da dupla. 

    Essa equivalênca de emoções discrepantes oferece um filme dinâmico e interessante para o espectador, que em nenhum momento fica cansativo nas suas quase duas horas de duração. 

    Elenco fantástico

    As atuações são um show à parte. A começar pela dupla protagonista, que é encarnada por Hailee Steinfeld e Jeff Bridges. Na época, a primeira ainda era uma atriz mirim, mas até hoje esse segue como um dos principais papéis da sua carreira por ter atribuído à personagem a versatilidade requerida. 

    Já Bridges está habituada a interpretar o famoso coroa bronco, mas nem por isso deixa de cativar. E isso acontece justamente pela interação com Steinfeld, que desperta os seus sentimentos mais profundos. 

    Como se não bastasse, Matt Damon equilibra perfeitamente o lado mesquinho de LaBoeuf e Josh Brolin dá a Chaney o peso vilanesco necessário.

    Comparação de obras

    A primeira adaptação de Bravura Indômita foi lançada em 1969 e também é considerada um clássico. O longa está disponível no Telecine Play e é uma boa pedida para assistir antes ou depois do filme de 2010 para o exercício de comparação.

    É compreensível que a versão de abertura dessa história nas telonas tenha sido lançada na década de 60, pois era um período de mudanças para os faroestes no cinema, que já estavam desgastados e se reinventariam com o Western Spaghetti italiano. Ainda assim, é um projeto com mais de 50 anos, então entender cada abordagem do seu tempo é essencial.

    Isso sem falar no livro que deu origem a tudo em 1968. Por ser a obra que permitiu todas essas adaptações, entender como a mente do autor concebeu tudo aquilo e depois migrou para releituras de outros realizadores é uma ótima forma de absorver a complexidade da trama. 

     

    Nesta matéria você leu sobre: Bravura Indômita, Onde Os Fracos Não Têm Vez, Queime Depois De Ler.

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