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    Mulher Nota 1000 levaria qual nota hoje em dia?

    Filme de John Hughes estreou em 1985
    Por Thamires Viana
    27/11/2020

    Em 1985 chegava aos cinemas Mulher Nota 1000, comédia escrita e dirigida por John Hughes, um dos diretores mais conhecidos de filmes adolescentes da década. No filme com ares de ficção-científica, Anthony Michael Hall e Ilan Mitchell-Smith interpretam dois garotos nerds que decidem criar a "mulher perfeita" com a ajuda de um computador.

    Assim como os demais filmes de Hughes, Mulher Nota 1000 foi tão bem recebido pela crítica na época, mas ao contrário de Curtindo A Vida Adoidado e Clube Dos Cinco, esse não envelheceu tão bem assim. Levando em conta os outros clássicos na carreira do diretor americano, este talvez seja o filme menos sensível de todos.

    Em A Garota De Rosa-shocking (1986), por exemplo, Hughes comete muitos erros para um filme adolescente ao inserir piadas racistas e cenas que transbordam machismo. No entanto, a inserção de um casal apaixonado que ganhou status cult nas décadas seguintes "mascarou" as problemáticas do filme.

    Mulher Nota 1000

    Na comédia, vemos o lado mais fratboy dos roteiros de Hughes, ou seja, aquela ideia de "garoto da fraternidade" que está sempre em busca de provar sua masculinidade para todo o colégio e para isso usa uma garota. A trama não é nada diferente do que já vimos em outras comédias americanas, vamos combinar. Enquanto eles estão no auge de sua adolescência descobrem que conseguem criar a mulher ideal através de um computador para satisfazer suas fantasias. Interpretada por Kelly LeBrock, Lisa surge como um objeto sexual da dupla, já que eles escolhem todos os detalhes: tamanho dos seios, pernas, cintura, cabelos... Mas a moça acaba mostrando que é muito mais do que isso! 

    Engraçado que embora o longa traga todas essas atitudes machistas, retrato de seu tempo, Lisa é uma personagem que consegue quebrar um pouco a ideia de símbolo sexual do filme. Ela tem uma inteligência admirável que, muitas vezes, é vista como um ponto fraco dela pelos garotos. A sensatez dos dias atuais nos faz enxergar uma personagem muito à frente do seu tempo que toma atitudes bem diferentes do que a dupla de jovens espera. Planejada para ser apenas alguém que está ali para realizar suas vontades, Lisa mostra um lado muito mais realista ao catalisar ensinamentos de valores próprios aos adolescentes.

    John Hughes e o machismo  

    Embora sejam muito queridos pelo público, não é de hoje que os filmes de Hughes são alvo de críticas por abordagens machistas, racistas e homofóbicas. Vale lembrar que Molly Ringwald, protagonista de Clube Dos Cinco, A Garota De Rosa-shocking e Gatinhas E Gatões, publicou um extenso artigo na revista The New Yorker em 2018, logo após declarações do #MeToo, chamando os filmes de Hughes de "misóginos, racistas e homofóbicos". No texto, a atriz desabafa sobre a abordagem dos longas e em como isso afeta a ela mesma anos depois.

    "Estava preocupada que algumas partes do filme fossem problemáticas para a minha filha, mas não esperava que no final afetassem mais a mim", disse.

    E aí, nos tempos atuais qual seria a nota de Mulher Nota 1000?

     

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