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    Muito além do grito: o papel das mulheres nos filmes de terror

    Muito além das "scream queens", os filmes de Terror são responsáveis por trazer algumas das personagens mais interessantes do Cinema
    Por Redação
    11/01/2021 - Atualizado há 9 meses

    Os personagens de filmes de terror femininos, assim como o próprio gênero, passaram por várias fases ao longo dos anos. Na maioria das vezes estereotipado, o lugar da mulher foi mudando e se tornando mais complexo, recentemente atingindo um novo espaço bem mais subversivo se comparado ao seu longo histórico. 

    Antes de falar dele, no entanto, é preciso entender toda a trajetória dessas personagens até chegar nos dias atuais, começando pelas Scream Queens.

    Neve Campbell em cena de Pânico 4Reprodução

    Scream Queens e o início da representatividade da mulher nos filmes de terror

    Quem não lembra da cena de Psicose (1960) quando Marion Crane, interpretada por Janet Leigh, grita aterrorizada logo antes de ser assassinada? Se você não sabia, essa é a marca registrada das Scream Queens (na tradução literal, "Rainhas do Grito").

    Esse tipo de personagem surgiu nos anos 1930 quando o cinema ainda era mudo e o papel era reservado apenas para personagens femininas. As Scream Queens eram as vítimas de assassinos nos filmes de terror que, como o nome já sugere, gritavam bastante antes de morrer. Elas não tinham uma importância profunda no enredo, muitas vezes sem inclusive uma história sólida por trás.

    Essas personagens ocupavam um lugar passivo, dificilmente conseguiam se defender de alguma forma e suas mortes basicamente serviam para movimentar a narrativa com cenas dramáticas e chocantes. Além de Janet Leigh, outras Scream Queens memoráveis foram Lil Dagover em um dos primeiros filmes de terror da história, O Gabinete Do Dr. Caligari (1920), Helen Chandler em Drácula (1931) e Fay Wray em King Kong (1933), que inclusive inspirou um concurso de gritos.

    Apesar das Scream Queens serem uma figura presente até hoje no cinema de terror, a partir da década de 1940 as mulheres começaram a deixar a passividade de lado e, inclusive, assumir certa maldade em seus papéis.

    A Segunda Guerra e o começo do empoderamento das mulheres no terror

    Com a Segunda Guerra Mundial, o papel da mulher sofreu profundas alterações na sociedade como um todo. Antes, ele se resumia a ser dona de casa e ter muito pouca autonomia.

    No entanto, quando os homens tiveram que ir para a guerra, as mulheres assumiram as responsabilidades e funções antes consideradas masculinas. Essa mudança de papéis se refletiu também nos personagens de filmes de terror femininos.

    A partir dessa época, começaram a surgir vilãs memoráveis no cinema, como Regina Giddens, interpretada por Bette Davis em Pérfida (1941), que assiste à morte do marido enquanto considera ser uma viúva rica, e rendeu a Davis uma indicação de Melhor Atriz ao Oscar.

    Outra que não pode ficar de fora dessa lista é Phyllis Dietrichson, interpretada por Barbara Stanwyck em Pacto De Sangue (1944) que também foi indicada ao Oscar. Com esse pontapé, as mulheres começaram, ainda que de forma lenta e pontual, a serem mais ativas nas narrativas de terror, deixando de se restringir a personagens que só existem para morrer.

    Final girls: das conservadoras às independentes

    Em meados de 1980, surgiram as Final Girls, ou “as garotas finais”, em tradução livre, que são as personagens femininas que sobrevivem aos assassinos, algumas vezes inclusive os vencendo nos últimos minutos do longa. Elas surgiram como parte do subgênero slasher e trazem várias oposições às Scream Queens.

    Diferentemente das figuras originais e barulhentas que não têm importância para a história a não ser ter uma morte chocante, as Final Girls geralmente são centrais para a trama. São por elas que o público torce ao assistir ao filme, uma vez que ao longo da narrativa é possível criar um apego pela personagem e ver sua evolução. Em outras palavras, elas são figuras ativas que se desenvolvem e lutam para sobreviver.

    Apesar de as Final Girls serem um marco do empoderamento feminino no terror, é interessante ver que elas geralmente seguiram dois arquétipos principais: um, da virgem angelical e outro, da independente. O primeiro tipo carrega todo o conservadorismo moral de uma garota certinha e inocente como fórmula da sobrevivência, visto muito em filmes como Halloween: A Noite Do Terror (1978) com Laurie Strode, interpretada por Jamie Lee Curtis, e Sexta-feira 13 (1980) com Alice Hardy, interpretada por Adrienne King.

    No segundo, elas são mais próximas da realidade, em outras palavras, mulheres independentes com erros e acertos na sua trajetória, sendo que a primeira que aparece nas telonas com esse perfil é Sidney Prescott, interpretada por Neve Campbell, em Pânico (1996).

    Essa proximidade que o papel da heroína humana traz sem dúvida influenciou um aprofundamento dos personagens de filmes de terror femininos, que hoje não são mais resumidos a papéis de ou Scream Queens ou Final Girls. Eles vão muito mais além.

    Ambiguidade e independência nas personagens de filmes de terror femininos

    A partir de 2010, os filmes de terror ganharam uma nova roupagem, apostando em narrativas mais profundas e psicológicas do que o clássico slasher, por exemplo.

    Isso se reflete nas personagens femininas, que cada vez mais deixam de ter contornos que as limitam em papéis pré-formatados. Ao mesmo tempo, também vale lembrar que esse movimento ganha força pela onda de demandas por representatividade que são atendidas pelos estúdios como forma de agradar o público e manter as produções lucrativas.

    De qualquer forma, hoje as personagens femininas do terror dificilmente respeitam pré-requisitos. Em A Bruxa (2015), Thomasin, interpretada por Anya Taylor-Johnson, é uma profunda ambiguidade enquanto levanta questões ligadas ao ato de ser mulher - que ajuda a construir a tensão do filme. Já em Midsommar - O Mal Não Espera A Noite (2019), Dani, interpretada por Florence Pugh, tem seus traumas e sofrimentos explorados de forma aprofundada, algo que não era comum de ver em personagens femininas nos filmes - muito menos os de terror.

    Por fim, outro papel que merece destaque é para Cecilia Kass, interpretada por Elisabeth Moss, em O Homem Invisível (2020). O filme não poupa esforços de entrar fundo na vida da personagem assim como em explorar seus traumas de um relacionamento abusivo.

    Ao contrário de uma Scream Queen ou Final Girl, Kass é apresentada em toda a sua complexidade, aproximando a audiência da personagem como mais uma ferramenta a favor do terror.

     

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