Muro e busca por Godard dão vida à seleção do Festival de Curtas

24/08/2009 15h16

A sala BNDES da Cinemateca esteve cheia para a projeção da Mostra Brasil 3 do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo. Quem perdeu a projeção de sábado (22/08), ainda terá a oportunidade de assistir aos cinco filmes nesta segunda (24) [veja onde] ou quarta-feira (26) [veja onde]. A seleção reúne realizadores cujas produções nbuscam desenvolver a linguagem e propor estéticas. Cinema, de fato.

Começo por Muro, cujos 18 minutos trazem um consenso a qualquer pessoa que o assista: ele “chapa” seu espectador com um scope que assalta quem está dentro da sala. A cada sessão do filme do pernambucano Tião, mais portas se abrem. Particularmente, não sei quando elas vão se fechar e eu vou conseguir definir em uma palavra sobre o que se trata o filme. Por ora, me encanto com a quebra da narrativa, o primor visual e a ironia sobre progresso da humanidade.

A seleção também é composta por outro filme inventivo e extremamente irônico. Em JLG/ PG, Paolo Gregori foi buscar, física e cinematograficamente, Jean-Luc Godard. Irônico e criativo, os dois ao mesmo tempo, trabalha a resposta de Godard às suas demandas e, sem nenhum exagero, “senta a pua”.

Já Victor-Hugo Borges faz uma mistura de universo infantil com filme de terror em O Menino que Plantava Invernos. A animação é muito assustadora, apesar de ter um simples argumento de filme infantil. O universo colorido dá lugar a zumbis e suspense, mas o curta peca por um final confuso.

Sombras é o mais novo trabalho da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas (Um Ramo), inspirado no universo de Walter Hugo Khouri (As Amorosas). Uma mulher, o marido e a psiquiatra, cujo desenvolvimento narrativo novamente para no meio, característica dos filmes da dupla. A floresta é a metáfora da confusão mental de Ângela (Helena Albergaria). Uma sequência muito bonita, mas que tem um peso dramatúrgico menor que a primeira, que expõe os medos da personagem, e a terceira, que encerra e indica que tipo de relação se desenvolverá.

O filme mais fraco do panorama é o documentário Canosaone, de Fellipe Gamarano Barbosa, sobre o programador Fabiana Canosa. O diretor parte da premissa de que a vida de Canosa tem mais potência cinematográfica do que seus feitos pelo cinema. Escolha possível, mas o filme não justifica essa abordagem. Parece até uma versão em curta-metragem da egotrip Coração Vagabundo.


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus