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    Narcos: A queda do império de Pablo Escobar

    Pode Narcos sobreviver após a a morte de Escobar?
    Por Bianca de Souza
    05/09/2016

    Narcos, uma das séries mais aguardadas de 2016 está de volta. Na primeira temporada, a trama nos apresentou o nascimento de uma lenda, Pablo Escobar, o garoto pobre de Medelin que acabou se tornando um dos homens mais ricos e procurados do mundo.

    Como muitos sabem, a série é baseada em fatos sobre a vida do maior traficante de drogas que já existiu na Colômbia e acompanhou seu auge e o início de sua queda. Sendo assim, o segundo ano de Narcos precisaria nos apresentar a morte de Escobar para se manter relevante.

    A atuação do brasileiro Wagner Moura como Pablo Escobar volta a ser um dos pontos positivos da série. O ator soube transmitir com naturalidade o aspecto cansado da personagem, suas possíveis angustias e tristezas. Por outro lado, com a mesma naturalidade, Moura encarna o pior do chefão do tráfico e podemos ver a ira de Escobar em seus olhos.

    É importante lembrar que, enquanto o primeiro ano de Narcos abrangeu cerca de 15 anos de vida do traficante, a segunda temporada se passa em um curto espaço de tempo, cobrindo os últimos meses da existência de Pablo Escobar, isso não favoreceu Narcos. 

    Focando na queda do império do líder do cartel de Medelín, a série acaba ficando um tanto arrastada. Ao contrário da primeira temporada que teve como um dos pontos fortes a abordagem dos atentados violentos organizados pelo chefe do cartel de Medelín (que foi a marca registrada de Escobar), a segunda temporada quase chega a ignorar esses pontos ao abordar sua fuga da polícia e disputa de poder com os inimigos do tráfico.

    A impressão que temos é de que os fatos ocorridos durante a caçada à Pablo foram muito mais fragmentados do que o ideal, tudo para fechar os dez episódios que compõe a temporada. Com isso, a trama demora a cativar e a ação não empolga, numa temporada que se mostra inconstante.

    Maritza (Martina García), Gilberto Orejuela (Damián Alcázar) e Limon (Leynar Gomez) são alguns dos novos personagens que surgem na história. Conforme a situação se complica e seus aliados se afastam, Escobar se vê obrigado a confiar em novas pessoas, sendo assim alguns deles vão ganhando grande destaque conforme a trama avança. Estes nomes acabam se tornando decisivos no destino de Don Pablo, hora como aliados e em outros momentos colocando os agentes da DEA no rastro de Escobar.

    Por falar nisso, os agentes americanos Steve Murphy (Boyd Holbrook) e Javier Peña (Pedro Pascal) não convencem como protagonistas da trama. O personagem de Boyd Holbrook se mostra apático por quase toda a temporada. Por outro lado, Peña tenta se mostrar alguém interessante, que se envolve completamente (até mais do que deveria) na caçada ao maior inimigo da América na Colômbia.

    Narcos

    O segundo ano de Narcos apela para o lado mais humano de Escobar, mostrando um pai, marido e filho dedicado. O Patrão, como era chamado por seus seguidores, é retratado como um homem grato àqueles que são leais, amável com a família e, sobre tudo, preocupado com a segurança de sua esposa e filhos. Ele está disposto a qualquer coisa para mantê-los à salvo, qualquer coisa mesmo.

    Pode Narcos sobreviver após a morte de Escobar?

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    Steve Murphy (Boyd Holbrook) e Javier Peña (Pedro Pascal), Narcos


    A ausência de uma personagem forte, imprevisível e explosiva como Pablo Escobar pode vir a ser um problema para Narcos. Até o momento, a série, principalmente, a primeira temporada, tem um roteiro bem escrito e boa direção, mas provavelmente não seria o sucesso que é se não contasse com a biografia do lendário líder do Cartel de Medelín como base.

    Se nos guiarmos pela história, após a queda do império de Escobar, outros narcotraficantes surgem para tomar seu lugar e é justamente este gancho que Narcos deve seguir com o Cartel de Calí.

    A segunda temporada pouco aborda o consumo de drogas nos Estados Unidos, mas deixa claro que o mercado existe e não para de crescer, porém é preciso aprofundar essa questão e ir além das fronteiras norte-americanas para série continuar relevante e interessante.

    Para manter-se entre os lançamentos mais aguardados da Netflix, Narcos terá de provar que seus protagonistas, os agentes da D.E.A., Steve Murphy e Javier Peña, não dependem do personagem icônico que é Pablo Escobar. Mas para isso precisam crescer na trama, algo que ainda não aconteceu em duas temporadas, apesar de Javier Peña já mostrar estar nesse caminho.