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    Nem Jennifer Aniston salvou 2ª temporada de 'The Morning Show'

    Série atingiu um novo patamar de mediocridade e arrogância no segundo ano
    Por Flávio Pinto
    24/11/2021 - Atualizado há 12 dias

    É muito fácil cair no "conto da carochinha" que diz que The Morning Show é uma boa série. Mas não se engane, pois, ela não é. 

    Embora a primeira temporada tenha trazido, pelo menos em seus últimos episódios, uma narrativa coerente — embora um pouco apelativa — sobre os resultados e as repercussões de se ignorar políticas contra assédio sexual em um ambiente de trabalho, a produção simplesmente falhou miseravelmente em sua segunda temporada a fazer o básico: tentar contar uma história decente e o desenvolver de seus personagens.

    Sobre o que é The Morning Show?

    Produção da Apple TV+ cheia de pompa, The Morning Show é uma série que gira em torno dos bastidores de um programa diurno fictício. Apresentado por Alex Levy (Jennifer Aniston) e Mitch Kessler (Steve Carell), tudo parece ir bem até que Kessler é demitido em meio a um escândalo de má conduta sexual.

    Assim, Alex luta para manter seu emprego como principal âncora de notícias, provocando uma rivalidade com Bradley Jackson (Reese Witherspoon), repórter de um canal pequeno, alçada ao estrelato após uma decisão impulsiva — que muda o mundo do jornalismo de TV.

    Com Aniston e Witherspoon como produtoras-executivas, a Apple ficou tão empolgada em ter as duas estrelas na telinha — com destaque à ex-Rachel Green retornando à televisão — que renovou a produção para duas temporadas sem nunca ter visto um dos roteiros da produção. E é aí em que a história fica realmente complicada.

    A bagunça conhecida como a segunda temporada de 'The Morning Show'

    Ambientada em 2020, a segunda temporada da série queria trazer à tona às mudanças nos paradigmas da sociedade com a explosão do novo coronavírus. O problema é que a fórmula não acerta nunca e parece se apoiar em colocar reviravoltas sem pé nem cabeça ao fim de cada episódio. 

    Cheia de diálogos espertinhos e irritantes, a produção joga para o expectador todas as ironias e alegorias sem muito sucesso. Por exemplo, logo após o co-âncora Daniel Henderson (Desean Terry) ser exposto ao vírus em Pequim, uma série de introduções pedestres são feitas em relação aos protocolos como o uso de máscaras e distanciamento social — totalmente desnecessárias. 

    As tramas envolvendo a situação também são muito óbvias. Não há espaço algum para o público não se sentir, de certa forma, como um idiota. Costumeiramente, a série tenta promover discussões e seus ideais aos espectadores de forma condescendente, como se fôssemos idiotas. 

    A execução da série em si também atira para todos os lados. Em um momento, quer fazer você rir, em outro, chocar. Sem coerência alguma. Embora ela possua alguns destaques. Aniston, por exemplo, brilha na melhor performance da sua carreira como a âncora sofrendo os efeitos de uma atmosfera tóxica de trabalho. Assim como Billy Crudup, que está excelente na série e tem seu espaço bem definido. 

    Em compensação, Carell e Witherspoon continuam completamente desperdiçados. Por questões contratuais — acredito que de Carrell com a própria Apple TV+, o público é obrigado a embarcar em uma jornada espiritual de Mitch Kessler, cuja trama em si foi iniciada e concluída ainda na primeira temporada. Já a Bradley de Witherspoon simplesmente não cola. Embora uma excelente atriz, a personagem é descolada de todo o resto da série, sem contar que a seleção da Legalmente Loira para o papel foi totalmente equivocada.

    Aniston fica nua em cena "chocante" de Morning ShowReprodução

    Novelão com nomes de ouro

    Outro ponto péssimo da segunda temporada é que a série ficou com mais cara de novela do que de série da HBO. A cada episódio parece que há uma grande tramoia envolvendo um dos funcionários do programa fictício, como subornos, acobertamento, acordos de confidencialidade. E todos feitos com a sutileza de uma faca-peixeira. 

    O cronograma da segunda temporada de The Morning Show é similar ao nosso: os primeiros casos do coronavírus aparecem sob uma enxurrada de explicações sobre a pandemia a debates super específicos dos âncoras da série. É estranha e sem tom a forma com como a produção tenta navegar discussões séries de forma panfletária. 

    A série é exibida pela Apple TV+.

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