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    No aniversário de 21 anos, Festival de Curtas capricha na seleção nacional

    Por Heitor Augusto
    19/08/2010

    Vinte e um anos de Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, evento que atravessou diferentes fases do formato. Em 2010 a produção nacional é de alta qualidade, mas o espaço para o contato com o público fica praticamente restrito a festivais.

    Por isso, o Festival de Curtas, que começa nesta quinta-feira (19/8) e se estende até 27/8 exibindo mais de 400 filmes, é um evento fundamental na formação de público e oportunidade para se conhecer como outros países experimentam – ou não – a linguagem do formato. É a chance também de reunir, em uma única programação, filmes brasileiros que brilham em diversos festivais ao longo do ano (Brasília, Tiradentes, Cine PE, Cine Ceará, Paulínia, Gramado, entre outros).

    Só para dar um exemplo: pense no Programas Brasileiros, com títulos como Amigos Bizarros do Ricardinho, Bailão, Babás, Carreto, Ensaio de Cinema, Eu Não Quero Voltar Sozinho, Faço de Mim O que Quero, Handebol, Haruo Ohara, Recife Frio e Tempestade.

    Creio que o Brasil não consiga produzir, por ano, longas-metragens tão significativos como esses curtas. Só nessa pequena amostragem de 11 filmes temos diretores que lidam com temas que vão da memória (Marcelo Caetano e Rodrigo Grota) à adolescência (Daniel Ribeiro e Anita Rocha), passando pela ironia (Kleber Mendonça Filho, Sergio Oliveira e Petrônio Lorena) ou amizade (Marília Hughes e Cláudio Marques).

    Além da Mostra Brasil, o Programa Brasileiros ainda realiza o Panorama Paulista, Cinema em Curso, Kinooikos e Oficinas Kinoforum. Filmes e discussões para todos os gostos do público interessado em pensar o cinema brasileiro produzido em curta-metragem.

    Internacionais

    O 21º Festival Internacional de Curtas-metragens selecionou 71 filmes na Mostra Internacional que, como define o catálogo, “em vários filmes, é esse olhar atônito que prevalece, a partir da observação dos realizadores que utilizam o formato de curta-metragem para registrar com precisão e urgência os problemas que atingem o ser humano no início da segunda década do século 21”.

    Para construir tal olhar, o festival conta com filmes premiados. A Descida, de Shai Miedzinski, e A Gaiola, de Adrian Sitaru, foram agraciados em Berlim neste ano. A Delicada Arte do Cacetete (que título!) passou pelo Festival de Roterdã. Alongamento, de François Vogel, ganhou Clermont-Ferrand, o mais importante festival do gênero. Você e Eu, de Karsten Krause, foi reconhecido pelo júri de Oberhausen.

    Uma seleção que apresenta países europeus com produção ativa – caso de Inglaterra, França e Alemanha – e outros de cinematografia que raramente chegam ao público brasileiro – como Holanda (Salto Mortal), Finlândia (Beijos e Sussurros), Suíça (Fora do Rebanho) e Estônia (Oleg).

    Já na Mostra Latino-americana serão exibidos 36 curtas-metragens, com destaque para a produção argentina, chilena e mexicana.

    Qual o mercado para o curta?

    Em tempos de internet, redes sociais e mundo virtual, qual o caminho para a exibição dos curtas-metragens? Hoje, a principal janela está nos festivais de cinema espalhados pelo Brasil, no Curta Petrobras às Seis e no Porta Curtas.

    O Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo vai realizar um seminário para discutir as possibilidades de modelos de negócios para o formato. Serão três mesas de debate, duas palestras e um painel. Vale a pena acompanhar para descobrir se surgirão propostas interessantes ou palavrório que corre atrás do próprio rabo.

    Serão nove dias de programação intensa, dividida em diversos panoramas. O Festival de Curtas não é apenas um destaque entre os eventos do formato, mas um dos melhores festivais do Brasil.