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    Nórdico é o novo espanhol no streaming

    Produções do território europeu têm ganhado muitos fãs nos últimos tempos
    Por Da Redação
    28/08/2021 - Atualizado há 25 dias

    Ao pensar nos países nórdicos, o que vem a sua mente? Alguma coisa envolvendo vikings ou cerveja, acertei? Tudo bem, sem julgamentos! 

    Mas apenas para expandir sua imaginação, que tal visualizar esse cenário: uma névoa tão densa e impenetrável capaz de cobrir por inteiro a cidade de Helsinque. Rapidamente, o lugar ganha uma atmosfera sombria e nefasta graças à bruma inesperada. Os transeuntes somem depressa e apenas o chirriar das corujas podem ser ouvidos. 

    A capital da Finlândia pode abrigar essa passagem a qualquer momento sem problemas. Ou eu posso ter descrito qualquer uma cena aleatória de transição de alguma título nórdico disponível pela Netflix, ou em qualquer outra plataforma de streaming.

    E confesso logo que nem precisei ir muito longe para transcrever a sequência, hein? Já que nos últimos tempos, produções oriundas dos cinco territórios que compõe o norte da Europa (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia) estão conquistando o mundo inteiro com tramas e personagens complexos.

    Mas embora o território em questão seja notoriamente conhecido pelos altos índices de desenvolvimento humano ou dar título a matérias como “O que torna os países nórdicos tão felizes?”, da BBC, nas séries Bordertown e Trapped, por exemplo, a realidade é outra

    Viscerais e sombrias — aliás, descrições que muitos julgam ser exatamente o motivo por trás de tamanha obsessão pelo gênero — existem séries nórdicas das mais variadas categorias, mas todas têm algo muito valioso em comum: alta qualidade. Especialmente aquelas que carregam o clima condicionado pelo gênero conhecido por noir nórdico.

    Esta semana, a Netflix lançou mais um título importado da região. Só que mais “leve”: a comédia macabra e complexa Post Mortem: Ninguém Morre em Skarnes, da Escandinávia. Em 2021, a gigante do streaming também adicionou Katla ao catálogo, um thriller dramático oriundo da mesma região.

    Existe até mesmo um contraponto interessante na tendência. Pois, até então, os importados europeus que dominavam a Netflix eram praticamente todos espanhóis, como Elite, La Casa de Papel, e Vis a Vis.

    Que tal entender alguns fatores que ajudam a explicar como as produções  do norte da Europa passaram a chamar tanta atenção assim, ao ponto de ultrapassarem a barreira do idioma e virarem hits? Acompanhe.

    Explicando o tal do Noir Nórdico

    A atriz finlandesa Pihla Viitala rouba a cena em DeadwindDivulgação

    Antes de elencarmos alguns pontos que ajudem a esclarecer o sucesso das produções nórdicas, o ideal é começarmos a explanar o gênero Noir Nórdico

    Trata-se de uma categoria de ficção policial ambientada e que pode, ou não, ser escrita nos países nórdicos, ou na região da Escandinávia.  Os títulos retratam o universo policial do ponto de vista da polícia (seja por um policial, uma dupla, uma tropa, um comando inteiro, enfim). 

    Em aspectos técnicos, a linguagem é simples justamente para ser absorvida rapidamente e por um público em larga escala. Por isso, comumente, os diálogos evitam expressões rebuscadas, metáforas ou ironias. 

    Temas como homicídio, estupro, racismo, são abordados apenas para servir como pano de fundo e ressaltar a tensão entre as classes sociais e a força policial, além de evidenciar a ética e a moral de todos os envolvidos nos crimes abordados. 

    No geral, o grande caso abordado é apenas uma alegoria para apresentar um panorama político e social complexo que evidencia conflitos de natureza interna dos outros personagens. 

    Influências da TV nórdica em Hollywood

    The Killing foi exibida pela rede americana AMC antes de ser comprada pela NetflixDivulgação (Netflix)

    Não é preciso ir muito além para enxergar a influência do noir nórdico em Hollywood. Filme dirigida por David Fincher, adaptação da obra de Stieg Larsson, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011) é, essencialmente, um bom exemplo do gênero em solo americano.

    The Killing, série originalmente concebida para a rede AMC (que criou os sucessos Mad Men e Breaking Bad), e depois adquirida pela Netflix, é a cópia em inglês e extremamente fiel de Forbrydelsen, o título original que inspirou a produção.

    Agora vejamos exatamente quais são os pontos que ajudam a contribuir para o sucesso mundial dessas séries.

    Mistérios que vão além da superfície

    Califano é um drama sueco que está disponível pela NetflixDivulgação (Netflix)

    Na espera de algo formulaico? Esqueça. Os casos criminais abordados nas produções nórdicas se preocupam 5% em tentar descobrir quem foi o malfeitor do crime e 95% com o restante. 

    Para a equipe policial retratada nas produções, é muito mais importante — e interessante — decifrar as reais motivações por trás da barbárie e entrar na psiquê do ato. Quanto às cenas criminais, a coisa também só piora. 

    Em Assassinato de Valhalla (da Islândia) ou Areia Movediça (da Suécia), por exemplo, temos a chocante visão de cenas criminais como elas são. Chocantes e com requintes de crueldade. Definitivamente não é recomendável para aqueles que não suportam emoções fortes.

    Já em séries espanholas como Toy Boy ou Falco, a natureza criminal da narrativa não se expande para além do próprio caso.

    Personagens multifacetados

    Em Borgen, Birgitte Byborg é uma mulher a assumir o cargo de primeira ministra do paísDivulgação

    Os dramas nórdicos preferem gastar páginas de diálogos com as preocupações privadas de figuras amorais, arrependimentos intensos, memórias sórdidas, pensamentos que jamais devem ser explicitados em voz alta. 

    Em Borgen, série que acompanha Birgitte Byborg, a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do país, a personagem possui mais defeitos que qualidades. E isso é o que a torna tão fascinante. Você pode conferir a produção pela Netflix.

    As produções espanholas também contam com personagens multifacetados, um ótimo exemplo é Vis a Vis. Mas nem todas são assim, como Elite...

    Tempo ao tempo

    Nobel é outro suspense internacional que a Netflix importou para o BrasilDivulgação (Netflix)

    Os ansiosos que se retirem, porque aqui a coisa engrena quando quer — e porque quer. As séries nórdicas não gostam de entregar tudo de cara, seu ritmo é lento permitindo que as nuances se desdobrem ao seu tempo (e naturalmente). Ao se tratar de temas tão complexos e personagens enigmáticos, é comum que a história não conte com Deus Ex-Machinas ou outros artifícios tirados da cartola para desenvolver a narrativa. Ainda bem!

    Já em La Casa de Papel, Elite, Toy Boy, As Telefonistas ou Fugitivas, ação é o que não falta. Tudo acontece rapidamente e as peças do tabuleiro se movem com muita velocidade. O problema é que, com frequência, as motivações, os interesses dos personagens e os mecanismos narrativos soam um pouco forçados por conta desse efeito “muitas coisas acontecem em pouco tempo”.

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