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    Novos filmes dos X-Men precisam se inspirar na animação dos anos 90

    Analisamos a série animada que adaptou mutantes de forma aprofundada
    Por Daniel Reininger
    09/02/2021 - Atualizado há 3 meses

    X-Men se tornou uma das mais importantes franquias da cultura pop não só por suas histórias criativas e interessantes, mas também por sua relevância em diversas áreas. No cinema, nas mãos da Fox, o grupo abriu as portas para os filmes de super-heróis como conhecemos, mas nenhuma adaptação foi melhor do que a animação dos anos 90.

    Exemplo a ser seguido

    Se você nunca assistiu, assista. Voltei a ver recentemente e foi uma ótima decisão, porque nenhuma outra versão dos X-Men foi capaz de adaptar tão bem as histórias dos mutantes para o audiovisual. 

    Com os mutantes sob controle da Marvel Studios, novos filmes são muito esperados pelos fãs e a esperança é que a empresa siga a lógica da animação clássica e crie algo realmente digno da franquia.

    A razão pela qual a animação dos X-Men funciona tão bem até hoje é porque a narrativa está interessada em desenvolver seus personagens acima de tudo. Os roteiristas investiram em sua humanidade e não apenas em seus poderes e cenas de ação.

    Assim como quando Stan Lee e Jack Kirby desconstruíram a ideia básica do super-herói ao criar pessoas com falhas nos anos 60, a série animada dos X-Men deu continuidade a essa tradição esquecida pelos longas dos heróis. Aliás, isso foi algo que só voltamos a ver com a Marvel Studios em Vingadores.

    No desenho, cada um dos personagens, sejam heróis ou vilões, luta contra seus próprios demônios internos, medo ou insatisfação com seus próprios poderes, insegurança, julgamentos ou, simplesmente, indignação com as injustiças sofridas. A animação era voltada principalmente para crianças, mas as questões universais exploradas trazem temas sociais profundos e complexos. Relevantes até hoje, diga-se de passagem.

    Os X-Men sempre representaram uma metáfora poderosa sobre a luta das minorias e contra os preconceitos. Curiosamente, assim como os quadrinhos, o desenho trabalha isso de forma bastante adulta e profunda. É verdade que os filmes da Fox também chegam a citar essas ideias, mas a série animada foi capaz de aprofundar questões individuais, além de sociais, de forma coerente.

    Ao adotar a abordagem de estilo de história em quadrinhos, os escritores foram capazes de aumentar as apostas sem recorrer a clichês. Dito isso, vale apontar que narrativas continuadas se tornaram comuns na animação e nas séries, mas a decisão de contar histórias mais longas nos anos 90 foi algo sem precedentes, idealizada pelo showrunner Eric Lewald e sua equipe responsável por X-Men, a série animada.

    Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Lewald revelou que a Marvel interferiu muito e tentou desviar a produção desse tipo de narrativa voltada para adultos. "Havia uma pressão incrível para mudar as coisas e torná-la mais jovem, mais boba ou dar a eles um cachorro de estimação. Para emburrecê-la. Felizmente, todos do lado criativo se uniram e disseram: 'Não, você vai ter que me despedir’", disse ele.

    Esse tipo de pressão afetou os filmes lançados pela Fox, mas não devem, de jeito algum, afetar os longas futuros dos mutantes. As temáticas dessa franquia são importantes demais para serem simplificadas pura e simplesmente pela diversão.

    A série animada dos X-Men dos anos 90 mostra que é possível contar boas histórias, abordar questões complexas e profundas e ainda divertir uma geração de pessoas.

    X-Men, a série animada está na Disney+ e merece ser vista, não só pelos fãs dos mutantes e dos quadrinhos, mas por qualquer pessoa que aprecie boas histórias. 

    Veja o trailer