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    O Cangaceiro comemora aniversário de 57 anos de prêmio em Cannes

    Por Heitor Augusto
    12/05/2010

    1953. Naquele ano, o Brasil foi marcado pela criação da Volkswagen e da Petrobras, enquanto o mundo assistia ao descobrimento da estrutura do DNA. Para nós, porém, o dia 12 de maio foi especial. Nesta data, O Cangaceiro foi premiado como Melhor Filme de Aventura do Festival de Cannes.

    Categoria que, por sinal, nem existe mais. Em 1953, Henri-Georges Clouzot ganhou o Grande Prêmio (a Palma de Ouro só seria criada dois anos depois) por Le Salaire de la Peur (“o salário da dor”), que sequer chegou a estrear por aqui. Além do afago no ego, o que representou o prêmio para o O Cangaceiro? Qual o papel do filme na cinematografia brasileira?

    O drama de Lima Barreto sobre um grupo de cangaceiros que fica dividido após o surgimento de uma mulher bonita foi o ápice do projeto de indústria que a Vera Cruz conseguiu alcançar no Brasil. O estúdio foi criado em 1949 pelo produtor italiano Franco Zampari e pelo industrial Francisco Matarazzo Sobrinho, inspirado na carioca Atlântida, notória produtora de chanchadas, consideradas “sub-filmes”.

    O modelo de produção tinha inspiração de Hollywood: apuro técnico, dramas de qualidade (por vezes dramalhões) e um grupo de estrelas conhecidas o suficiente para atrair público ao cinema. Os profissionais por de trás das câmeras vinham importados da Europa, enquanto os equipamentos de Nova York. O rol de estrelas nacionais contava com nomes extremamente populares à época, como Mazzaropi, Tônia Carreira, Eliane Lage e Anselmo Duarte.

    Na fase de ouro, entre 49 e 54, foram produzidos 18 filmes. O Cangaceiro trouxe muitas alegrias e outro tanto de tristeza à Vera Cruz. Desde sua estreia em 20 de janeiro de 1953, no paulistano Art-Palácio, o filme despontou como um sucesso. Época de ingressos baratos, cinema de rua e público maciço prestigiando o cinema nacional.

    Porém, com o filme ficou evidente o tendão de Aquiles do estúdio: a distribuição. De bilheteria no Brasil foi US$ 1,5 milhão na época (US$ 7 milhões hoje, ou seja, R$ 12,3 milhões) – e a população brasileira era de apenas 52 milhões de pessoas. Trocando em miúdos: mesmo com quase um quarto dos brasileiros de hoje, O Cangaceiro arrecadou o dobro de Alice no País das Maravilhas.

    Dessa dinheirama, por causa do contrato de distribuição com a Columbia, a Vera Cruz recebeu apenas US$ 500 mil, insuficientes para cobrir o orçamento de US$ 750. O estúdio também não tocou no dinheiro arrecado com a venda para mais do filme para mais de 80 países e também não teve participação alguma na bilheteria francesa, apesar de o filme ter ficado em cartaz por muitos anos.

    A Vera Cruz quebrou. O “responsável”? Justamente O Cangaceiro, premiado em Cannes há exatamente 57 anos como Melhor Filme de Aventura.