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    O Filho de Sam: o caso real do serial killer satanista que ganhou série na Netflix

    A nova produção envolvendo David Berkowitz chegou nesta quarta (05) ao catálogo
    Por Da Redação
    14/04/2021 - Atualizado há 4 meses

    A Netflix já havia abordado brevemente o caso de David Berkowitz na segunda temporada da série Mindhunter, que tem histórias de serial killers conhecidos como temática principal. Mas, desta vez, o psicopata acusado de matar pelo menos seis pessoas e ferir outras sete, e que afirmava receber ordens do próprio demônio, ganhou a sua própria produção documental.

    Os Filhos de Sam: Loucura e Conspiração chegou hoje (05) ao streaming e tem como mote principal a possibilidade de Berkowitz não ter agido sozinho, visto que ele afirma que diversos crimes atribuídos a ele, na verdade, foram cometidos pela seita satânica da qual ele fazia parte. 

    Veja a seguir mais detalhes sobre a história do assassino que aterrorizou Nova York nos anos 70:

    Os Filhos de Sam | Trailer oficial

    A infância conturbada

    Nascido no dia 1 de junho de 1953, no Brooklyn em Nova York, EUA, David Berkowitz foi adotado com apenas três dias de vida pelo casal Nathan e Pearl Berkowitz. Não demorou muito para que ele começasse a rejeitar os pais adotivos, principalmente a sua mãe, com quem teve uma relação bem complicada desde cedo.

    A princípio, sua mãe biológica, Betty Broder, que foi casada com Anthony Falco, lhe deu o nome de Richard David Falco. Mas Richard era fruto de um caso que Betty teve com um homem casado, Joseph Kleinman, que teria sugerido que a criança fosse abortada, mas a mãe decidiu seguir com a gravidez, registrando Falco como o pai.

    David Berkowitz foi o nome que Richard recebeu de seus pais adotivos. David tinha complexo de inferioridade, odiava a escola e carregava um constante sentimento de culpa devido ao fato de acreditar que a sua mãe biológica teria morrido durante o seu parto. Aos 10 anos de idade começou  a apresentar traços comportamentais introspectivos. Preocupada, sua mãe adotiva decidiu levá-lo a um psicólogo especializado em distúrbios infantis, John Vincent.

    A morte precoce da mãe adotiva de Berkowitz (câncer aos 30 anos de idade) acabou abrindo caminho para o envolvimento de David com o culto satânico, pois a segunda esposa de seu pai tinha interesse por ocultismo e bruxaria.

    O perfil psicológico

    De acordo com John Vincent, o psicólogo, Berkowitz apresentava uma inteligência acima da média para a sua idade, porém tinha dificuldades para manter a atenção nas atividades escolares e frequentemente apresentava tendências piromaníacas (incendiárias). Alguns anos mais tarde, os especialistas da polícia de Nova York o definiriam como uma pessoa esquizofrênica e paranoica.

    Aproximadamente aos 10 anos de idade, David fez a sua primeira “vítima”: o pássaro de estimação de sua mãe adotiva. O animal morreu depois de ser alimentado com sabão em pó por algumas semanas. Outro hábito que ele desenvolveu na época, e que lhe acompanharia até a fase adulta, seria caminhar sozinho pelas ruas de Nova York. David descia pelas escadas de incêndio do prédio em que morava e vagava pelas ruas durante horas.

    Após perder a mãe para um câncer de mama, David desenvolveu um passatempo bastante estranho: provocar pequenos incêndios pelos arredores do bairro. Como muitos desses incêndios não eram identificados, David nunca foi responsabilizado pelos delitos.

    O tempo no exército, a busca pelos pais biológicos e o satanismo

    O relacionamento de David com seu pai, que já não era muito saudável, se tornou ainda pior, em 1971, quando Nathan Berkowitz se casou pela segunda vez e se mudou para a Flórida, deixando o filho sozinho na cidade de Nova York, aos 18 anos de idade.

    Pouco tempo depois, David se alistou no exército, mas, diferente do que ele imaginou, foi enviado à Coréia do Sul, e não ao Vietnã. Durante esse período, David recebeu treinamento militar, aprendeu a manusear armas e teve a sua primeira experiência sexual com uma prostituta coreana. David frequentemente enviava cartas ao seu pai, na Flórida, se desculpando pelo comportamento desde a infância e pedindo que Nathan esquecesse que tinha um filho.

    Em 1973, David foi transferido para Fort Knox, no Kentucky, onde acabou se convertendo ao Cristianismo. Mas, após ser desligado do exército, em 1974, voltou para Nova York e parou de frequentar a igreja. A vida solitária em uma das mais populosas cidades do mundo fez com que David dedicasse o seu tempo livre a investigar a identidade de seus pais biológicos.

    Depois de uma incansável busca, David descobriu que a sua mãe biológica não havia morrido no parto como ele acreditava. Na verdade, ela ainda estava viva e se chamava Elizabeth Broder. Elizabeth pediu desculpas por ter abandonado o filho, quando se conheceram e revelou que ele era filho de Joseph Klineman, um homem que já era casado e tinha filhos quando eles se envolveram. Seu verdadeiro pai não o assumiu devido ao fato do filho ser fruto de um caso extraconjugal, o que levou a mãe a registrá-lo com o nome do ex-marido e posteriormente entregá-lo à adoção.

    Como o encontro familiar foi bem diferente do que ele esperava, David se sentiu muito frustrado e logo cortou relação até mesmo com a irmã, com quem chegou a se encontrar algumas vezes. “A vontade de matar minha família biológica crescia a cada dia. Tive que lutar muito para que a vontade não fosse colocada em prática. Por isso, me afastei deles”, como o próprio David disse.

    Na primavera de 1975, totalmente solitário e frustrado, Berkowitz se juntou a um culto satânico, iniciando um tempo de terror até então jamais visto. A princípio, segundo relatos de David, o grupo apenas se envolvia com atividades como previsões do futuro e comunicação com espíritos. Mas, com o tempo, a seita começou a consumiu pornografia sádica, drogas e a cometer crimes violentos.

    Ator interpretando David Berkowitz na segunda temporada da série MindhunterReprodução

    O sensacionalismo da mídia e os problemas de identidade

    O Filho de Sam foi um apelido que David deu a si mesmo em uma carta encontrada pela polícia próxima a uma das cenas dos crimes, que estava endereçada ao Departamento de Polícia de Nova York. No documento, Berkowitz dizia ser um monstro que gostava de sair para matar e beber sangue. Antes de ser reconhecido como “O Filho de Sam”, a imprensa se referia a David como o assassino calibre .44, por causa da arma que ele usava nas vítimas.

    Uma das razões pelas quais os crimes se tornaram memoráveis até hoje foi a forma sensacionalista com a qual a imprensa lidava com o caso na época. O New York Post se aproveitou bastante da situação fazendo matérias polêmicas e sem qualquer respeito pelas vítimas e suas famílias.

    As primeiras vítimas e o revólver calibre .44

    Na véspera do Natal do mesmo ano em que David se envolveu com o grupo satânico, 1975, surgiram as primeiras vítimas do assassino. Duas mulheres que transitavam pela região foram atacadas por David portando uma faca de caça. Michelle Forman que, após o ataque, precisou ser hospitalizada e uma segunda vítima que nunca foi confirmada. Rapidamente, David chegou à conclusão de que aquela não seria a melhor maneira de alcançar os seus objetivos. Então, abandonou as armas brancas e voltou a sua atenção às armas de fogo. Logo depois disso se mudou para o Yonkers.

    Foi em uma viagem ao Texas, para visitar um amigo do tempo no exército, que David comprou a arma que o caracterizaria com o seu segundo apelido mais conhecido, um revólver Bulldog calibre .44. Essa seria a arma que David utilizaria para cometer os assassinatos e tentativas de homicídio que lhe renderam seis prisões perpétuas. De acordo com David, a maioria de seus alvos eram mulheres porque aquela era a sua forma de “se vingar pelo mal que elas lhe causaram”.

    A  conversão ao Cristianismo e a lei criada em seu nome

    David Berkowitz acabou se convertendo ao Cristianismo, na prisão, e atualmente trabalha em uma iniciativa criada para ajudar presidiários que lutam contra doenças mentais. Embora a oportunidade de solicitar liberdade condicional tenha surgido, David se recusou todas as vezes porque acredita que não seja possível sair da prisão devido à seriedade de suas ações.

    Se você já se questionou a respeito das implicações morais de explorar casos de assassinatos tão graves em produtos audiovisuais, saiba que uma lei conhecida como Son of Sam foi criada justamente para impedir que os criminosos obtenham lucro com a publicidade das obras criadas a partir de seus crimes. Em casos como o de David Berkowitz e a série da Netflix, que já chegou ao catálogo, o Estado tem autorização para usar o lucro da produção para compensar as vítimas do criminoso.

    Mindhunter | Segunda temporada | Trailer oficial

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