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    O Poço: Entenda o final e as referências do longa

    Longa está disponível no catálogo da Netflix e se tornou sucesso de público
    Por Thamires Viana
    07/04/2020

    Disponível no catálogo da Netflix, O Poço se tornou um fenômeno da plataforma. Desde sua chegada ao serviço de streaming, o longa garantiu o primeiro lugar entre o Top 10 de filmes mais vistos pelo público brasileiro e vem quebrando a cabeça de quem assiste com sua trama complexa e final ambíguo.

    Dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, O Poço traz dezenas de críticas sociais, além de referências religiosas e mensagens da numerologia.

    Se você já conferiu o filme mas está perdido entre as referências abordadas e o desfecho sombrio, a gente te explica. Se ainda não viu, cuidado com os spoilers abaixo!

    O Poço - spoilers

     

    Trama

    Em O Poço, a trama é ambientada em uma prisão vertical onde os detentos são designados por níveis e forçados a se alimentar da comida que fica em uma plataforma que se move entre os andares. A cada mês, os presos mudam de andar, descendo ou subindo, e nesse ponto vemos que não existem critérios, ou seja, eles não são designados para baixo por fazerem algo ruim ou para cima por fazerem algo bom. 

    Goreng, o protagonista, entra no Poço por vontade própria para cumprir três objetivos: garantir um certificado, parar de fumar e terminar de ler o livro Dom Quixote de la Mancha

    Como funciona o sistema?

    Em seu primeiro dia ele conhece o velho Trimagasi, seu companheiro de andar, e passa a analisar a estrutura da prisão quando a plataforma desce pela primeira vez. Goreng vê o egoísmo do parceiro no consumo da refeição e começa a dar traços de que pretende mudar esse sistema. Para ele, quem está nos andares de cima pode comer apenas o suficiente e assim deixar alimentos para os que estão nos andares abaixo.

    Ao mostrar a fartura da plataforma e a quantidade de alimentos suficiente para todos, o longa critica diretamente a distribuição errada de recursos e renda na sociedade em que vivemos.

    Outra crítica se dá com a ganância e egoísmo de Trimagasi: ele consome o máximo de alimentos possível e, quando a plataforma desce, cospe na comida das pessoas abaixo. Aqui, O Poço faz uma crítica não só ao sistema, mas ao que há de pior dentro das pessoas. 

    O que é o Poço?

    Se tratando de um filme com final ambíguo, não há definições certas sobre o que a cadeia representa no longa, mas há duas teorias que podem esclarecer o que significam os andares do local.

    Religião

    Nessa teoria, o primeiro nível representa o céu, o mais alto e recheado de oportunidades (como a fartura de comida), enquanto o último nível é o inferno (escasso e abandonado). Goreng analisa o movimento da plataforma de comida e chega à conclusão de que o local conta com 250 andares. Junto com Baharat, parceiro de cela do nível 6, o protagonista tem a ideia de descer até o final para distribuir de forma honesta os alimentos disponibilizados e encontrar a filha perdida de Miharu. No caminho, ele descobre que a plataforma não para nos andares onde há mortos e que a prisão tem ao todo 333 andares. Se multiplicados por 2 (número de pessoas em cada andar) dá a soma de 666, popularmente conhecido como o número da besta. Dessa forma, a teoria religiosa esclarece as referências de céu e inferno.

    Desigualdade social

    Outra teoria mais 'pé no chão' encara a prisão como camadas da sociedade, ou seja, quem está acima se alimenta melhor e tem mais oportunidades do que quem está abaixo. Quando Trimagasi come mais do que o necessário, cospe e urina quando a plataforma desce, é uma forma metafórica de dizer "quem está acima se sente superior e despreza os que estão abaixo". A descida com Baharat faz referência a essas camadas pelas quais Goreng passa para compreender os menos afortunados e ajudá-los.

    A mensagem

    Quando colocam em prática o plano de descerem até o final do poço, Goreng e Baharat falam sobre a mensagem que precisam enviar até o nível zero e chegam à conclusão de que a panna cotta (o doce intacto) é o que deve ser preservado e levado de volta ao primeiro andar. Quando encontram a filha de Miharu perdida e sozinha no andar 333, compreendem que a garota é a mensagem que deve ser enviada ao sistema do Poço e a alimentam com o doce.

    Nesse ponto, a trama retorna ao conceito de 'solidariedade espontânea' mencionado pela personagem Imoguiri, onde ela questiona se existe o fator de ajudar alguém sem se sentir obrigado ou favorecido com isso. Portanto, ao alimentar a menina e mandá-la viva de volta ao nível zero, Goreng pode ter compreendido esse conceito e praticado sua solidariedade.

    No entanto, a criança perdida não passa de um fruto da imaginação do protagonista, já que o próprio diretor afirmou em entrevista que a menina não existe de fato. "Goreng está morto antes de ele chegar até o nível mais baixo, e essa é apenas sua interpretação do que ele sentiu que tinha que fazer", disse Gaztelu-Urrutia ao Digital Spy.

    Veja também:

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