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    A Vizinhança do Tigre leva periferia de BH às telas e agrada público em Curitiba

    Longa mineiro é mais uma produção exibida no festival Olhar de Cinema a transitar entre documentário e ficção
    Por Roberto Guerra, de Curitiba (PR)
    01/06/2014
    A Vizinhança do Tigre

    Nascido e criado na periferia de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, o diretor Affonso Uchoa queria fazer um filme sobre a localidade onde cresceu, mas que se distanciasse dos estereótipos comuns em que recaem muitas produções que abordam essas comunidades pobres. Sem projeto estabelecido na cabeça, levou sua câmera para o bairro Nacional e começou a filmar. Três anos de trabalho e 130 horas de material bruto colhido originaram o longa A Vizinhança do Tigre, exibido na noite desta sábado (31) como parte da mostra competitiva do Olhar de Cinema: Festival Internacional de Curitiba.

    O filme vem fazendo uma carreira exitosa. Saiu da Mostra Tiradentes, no início do ano, com os prêmios do júri e da crítica. Aqui em Curitiba foi muito bem recebido pelo público, que aplaudiu entusiasmado ao final da sessão. A Vizinhança do Tigre acompanha um grupo de jovens carentes mineiros. São eles Juninho (Aristides de Souza), Eldo (Eldo Rodrigues), Adilson Cordeiro (Adilson), Menor (Maurício Chagas) e Neguinho (Wederson Patrício). É dedicado a Eldo, que morreu de uma doença respiratória durante as filmagens.

    A produção é mais uma exibida no festival a cruzar livremente a fronteira entre documentário e ficção. Uchoa ficcionaliza as situações vividas pelos garotos, mas estas estão inseridas em seu cotidiano de exclusão social, pobreza e proximidade com a criminalidade, o que acaba os tornando atores de sua própria realidade. Mas não há – e aqui está um dos muitos méritos do longa – qualquer tentativa de vitimização desses personagens, apenas o registro íntimo de suas existências.

    A reflexão é deixada a cargo do espectador e há no filme um momento específico em que ela vem forte diante de tudo o que se viu na tela. Nesta sequência, nos minutos finais, um grupo de garotos passeia de skate pelas ruas do bairro enquanto uma trilha sonora melancólica sugere reflexão e faz pensar sobre como enxergamos essa fração majoritária, mas marginalizada, de nossa sociedade.

    A coexistência entre ficção e documentário não é tão bem elaborada como no longa Minha Classe (leia mais), produção italiana também em competição no festival, mas o tom diletante não compromete a apreensão do longa e é resultado colateral de seu processo de feitura.

    A Vizinhança do Tigre surgiu sem roteiro pré-estabelecido e se deu a partir de um processo de aproximação do cineasta e aqueles que viriam a ser seu atores. O diretor transitou na vizinhança do risco, mas felizmente teve êxito. 

    O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba segue até o dia 5 de junho, quando serão conhecidos os vencedores desta edição. A Vizinhança do Tigre tem outra exibição agendada para a quarta-feira (4) às 15h15. 

    Serviço: OLHAR DE CINEMA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURITIBA
    Quando: 28 de maio a 5 de junho de 2014
    Quanto: R$ 5 e R$ 2,50 (meia)
    Onde: Espaço Itaú de Cinema (Shopping Crystal - Rua Comendador Araújo, 731 – Batel); Cinemateca (Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco)

    *Os ingressos podem ser comprados antecipadamente no local de exibição dos filmes. Cada pessoa pode adquirir três ingressos por sessão.
    **Informações sobre a programação no site: olhardecinema.com.br