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    Olhar de Cinema: um balanço da relevância do festival curitibano

    Evento abre espaço para cinema pouco habitual nas salas comerciais
    Por Roberto Guerra
    13/06/2013

    A segunda edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba se aproxima do fim com saldo pra lá de positivo. Nestes dias de imersão cultural o público curitibano pôde mergulhar em propostas diferentes através de filmes alternativos de várias partes do mundo. Cinema que, em geral, dificilmente teria espaço nas salas comerciais do país.

    Medir a relevância de um evento como o Olhar de Cinema se atendo apenas a dados numéricos sobre público ou aspectos técnicos como grau de organização seria reduzir a discussão a pormenores - até porque em ambos os quesitos o festival fez bonito. Contextualizar a mostra dentro de um panorama cultural mais extenso nos permite ir além, como fizeram os filmes exibidos aqui ao longo desses dias.

    É preciso que se diga que as produções cinematográficas em cartaz no Olhar de Cinema não diferem em nada dos longas-metragens exibidos no circuito comercial quanto à classificação mais abrangente de cultura. E cultura são quaisquer manifestações artísticas resultantes da inteligência humana. É cultura uma comédia besteirol do Adam Sandler como um filme iraniano obscuro de longos planos silenciosos.

    Nenhuma definição diz que existe uma cultura boa e outra ruim, mas é fato que socialmente costuma-se dividir a cultura  em alta e baixa. Assim, os filmes exibidos no Olhar de Cinema, por exemplo, seriam "alta cultura". O blockbuster em cartaz em 700 salas, a "baixa cultura".

    Trata-se de definição que imputa julgamento de valor e reduz a discussão. Quem curte a chamada "baixa cultura" não deve ser esnobado por quem curte a alta e vice-e-versa. O importante é permitir o acesso das pessoas a ambas e eventos como o Olhar de Cinema tem importância por isso.

    Costumo resumir os produtos culturais em dois pontos: o conteúdo presente no objeto cultural e o esforço mental exigido para sua compreensão. Assim sendo, filmes como os exibidos no Olhar de Cinema são "alta cultura" no sentido der levar o espectador para um degrau mais alto, ampliando seu repertório e permitindo que tenha uma visão de mundo cada vez mais ampla.

    São produçõs que exigem esforço mental para compreendê-las. O que será que o diretor quis dizer? Será que é apenas um idiota pretensioso ou está sendo apenas irônico? É "alta cultura" porque deixa o espectador em estado de alerta intelectual, exercita seu cérebro, incomoda, provoca e traz satisfação intelectual.

    "Baixa cultura" é aquela que simplesmente deixa o público onde está ou o faz baixar um degrau. Uma não exclui a outra. Consumir "alta cultura" ajuda até mesmo a escolher a "baixa cultura" que irá se absorver quando se quer apenas bons momentos de entretenimento. 

    Cultura tem a ver, portanto, com o contexto no qual você escolhe estar. Por isso estão de parabéns aqueles que se deixaram provocar nesses dias pelos filmes exibidos no Olhar de Cinema, evento provocador e essencial que merece vida longa.

    Veja a lista de premiados do 2º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba:

    -Competitiva Internacional de Longa Metragem

    Prêmio Olhar: 74, THE RECONSTITUTION OF A STRUGGLE (Líbano) de Raed Rafei e Rania Raei.

    Prêmio Especial do Júri: GREATEST HITS (México/Canadá/Holanda) de Nicolás Pereda.

    Prêmio de Contribuição Artística: LEVIATHAN (EUA/Reino Unido/França) de Lucien Castaign-Taylor e Véréna Paravel.


    -Competitiva Internacional de Curta Metragem

    Prêmio Olhar: OH WILLY (Bélgica/França/Holanda), de Emma de Swaef e Marc James Roels.

    Menção honrosa: THE LIZARDS (França) de Vincent Mariette.

    Prêmio adicional: Prêmio especial do júri: STRUGGLE (Canadá), de Sophie Dupuis.

     

    -Competitiva Olhares Brasil de Longa Metragem

    Prêmio Olhar: KÁTIA (Brasil), de Karla Holanda.

    Prêmio de Contribuição Artística: MATÉRIA DE COMPOSIÇÃO (Brasil) de Pedro Aspahan.

    Menção Honrosa: A FLORESTA DE JONATHAS (Brasil) de Sérgio Andrade.

     

    -Competitiva Olhares Brasil de Curta Metragem:

    Prêmio Olhar: POUCO MAIS DE UM MÊS (Brasil), de André Novais Oliveira.

    Prêmio de Contribuição artística: ANIMADOR (Brasil), de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet.

    Prêmio adicional: Prêmio especial do júri: LINEAR (Brasil), de Amir Admoni.

     

    -Prêmio do Público

    Competitiva Internacional de Longa Metragem: ESSE AMOR QUE NOS CONSOME (Brasil), de Allan Ribeiro.

    Competitiva Internacional de Curta Metragem: THE LIZARDS (França), de Vincent Mariette.

    Competitiva Olhares Brasil de Longa Metragem: KÁTIA (Brasil), de Karla Holanda.

    Competitiva Olhares Brasil de Curta Metragem: CALIFA 33 (Brasil), de Yanko Del Pino.

     

    -Prêmio Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema

    LEVIATHAN (EUA/Reino Unido/França) de Lucien Castaign-Taylor e Véréna Paravel.

     

    -Prêmio Novo Olhar para o melhor filme da mostra Novos Olhares

    CATIVEIRO (Portugal), de André Gil Mata.

     

    -Menção honrosa: NOT IN TEL AVIV (Israel), de Nony Geffen.

     

    Prêmio Júri RPCTV

    O CASTELO (Brasil), de Rodrigo Grota.