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    Opinião: Esquadrão Suicida mostra que a mulher pode ter espaço nas adaptações de HQs

    Personagens femininas roubam a cena no novo filme da DC
    Por Rebeca Tosta
    09/08/2016

    Esquadrão Suicida pode até não ter agradado a maioria dos críticos, mas uma coisa ninguém pode negar: são as mulheres que tomam as rédeas do filme. Arlequina (Margot Robbie), Amanda Waller (Viola Davis) e Magia (Cara Delevingne) ganham destaque e participam ativamente dos conflitos mais importantes da trama.

    Diferentemente de tudo o que já vimos por aí nas adaptações das HQs para o cinema, as mulheres de Esquadrão não estão ali só para fazer número. Elas falam, questionam, articulam planos e tendem a ser o foco em praticamente todas as cenas. É claro que ainda contam com muita erotização, mas nos fazem ter esperança para o que está por vir.

    Doce vilã

    Arlequina é, sem dúvida, a personagem principal do longa. Margot Robbie a compreendeu e interpretou com maestria. Tanto que somos levados a ter uma rápida identificação com a vilã e querer saber mais sobre ela. Na verdade, sua história parece ir muito além do que apenas seu relacionamento com Coringa no filme, o que fica em segundo plano.

    A personagem é profunda e complexa. Tem seus planos de construir uma vida ao lado de seu par (que, convenhamos, está longe de representar aquele vilão que a prende em um relacionamento abusivo), mas também passa a nutrir sentimentos por outras pessoas. Desta maneira, ela se impõe diante das adversidades do filme e ganha destaque em quase todas as cenas na intenção de proteger seus novos amigos.

    Ela também não é uma mera coadjuvante quando o assunto são as lutas. Arlequina enfrenta os inimigos do grupo de igual para igual e vai muito além dos meros golpes que estamos acostumados a ver as mulheres fazendo nos filmes de heróis. Mas, além de ir muito bem nas brigas, ela se mostra perspicaz e é uma peça de total importância para o grupo.

    Mas, como nem tudo é perfeito, ainda temos uma personagem bastante sexualizada. Roupas curtas, cenas em câmera lenta mostrando seu corpo são alguns exemplos. É claro que não demorou muito para que isso rendesse gifs e memes que ainda representem o corpo da mulher como um mero objeto. Além disso, estamos longes de ver uma discussão aprofundada do relacionamento entre ela e Coringa, que foi apresentado como um homem muito mais apaixonado do que sabemos que ele realmente é.

    Grata surpresa

    A julgar pela quantidade de vezes que apareceu nos trailers, não parecia que Magia ganharia tanto espaço. Engano nosso! Quem já viu o longa sabe bem que a personagem é crucial para todo o conflito da trama e traz um pouco mais de protagonismo feminino para o filme.

    É bem verdade que a atuação de Cara Delevingne não é crucial para isso. Afinal, o fato mais importante está em colocar uma mulher no papel de uma vilã com potencial de acabar com o mundo. Seu plano está longe de ser o mais incrível de todos, mas ainda assim precisamos concordar que já é um ótimo começo. Afinal, não queremos apenas que a mulher seja vista como uma heroína forte, mas que ela possa participar de qualquer forma em igualdade aos homens. E, para isso, antes precisamos ocupar as lacunas que não haviam sido preenchidas por uma mulher.

    Comandante de pulso!

    Para fechar o trio de destaque no filme, temos Amanda Waller. Viola Davis dispensa apresentações e mostrou mais uma vez que é capaz de interpretar uma personagem forte. No longa da Warner, é ela a responsável por convencer o governo a reunir seus maiores vilões para defender a população. Não é algo lógico e de longe não parece uma boa ideia, ainda assim Amanda é persistente e se mantém certa de que seu plano é a única salvação diante dos meta-humanos.

    Ela não se cansa até convencer, tem foco. É uma personagem completa e não se esconde atrás da sombra de um homem, como costumava acontecer nos filmes de heróis. Na verdade, não demora muito para que os próprios integrantes percebam quem realmente está no comando. Já no primeiro encontro com Pistoleiro (Will Smith), ele mostra saber que Rick Flag é só mais um subordinado de Waller.

    É claro que nem tudo é perfeito e o filme está longe de ser uma representação feminista. Ainda assim, podemos destaca-lo como sendo de grande avanço principalmente para o gênero do longa. Assim, a DC avança novamente e mostra que, além de pensar em filmes solos de suas personagens femininas, está preocupada também em coloca-la em posição de igualdade aos homens. Esperamos que a atitude inspire outros estúdios. E que venha o longa de Mulher-Maravilha!