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    Oscar 2021 ficará marcado pelo tom casual e diversidade

    Apesar da pandemia, premiação foi uma das mais justas já realizadas
    Por Daniel Reininger
    26/04/2021 - Atualizado há 18 dias

    A cerimônia do Oscar me incomoda há muito tempo. Longa, com piadas razoáveis (no máximo) e repleta de exageros, que vão do nível bizarro de glamour, passam pela tentativa forçada de deixar as coisas “fun” e chegam ao constante ativismo político a cada agradecimento, a festa perdeu a graça. Em 2021, vivemos uma situação atípica com a pandemia e a cerimônia mudou de forma absurda, para o bem e para o mal. 

    O show foi produzido por pessoas extremamente talentosas (Steven Soderbergh entre eles) em circunstâncias nada invejáveis ​​(pandemia global e maioria dos filmes comerciais adiados) e, por isso, resolveu dar mais foco nas pessoas e não nos produtos comerciais do Oscar

    Com isso, tivemos representatividade e menos exageros e o 93º prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi um das mais interessantes de assistir.

    Valeu pela mudança de local, que deixou o tradicional Teatro Dolby para acontecer na bela Union Station de Los Angeles. Valeu pelo formato, que colocou os shows como um dos eventos do tapete vermelho, que, para mim, funcionou bem melhor, ainda mais pelo tom mais íntimo.

    Foi mais humano, capaz de homenagear as pessoas que fazem filmes e, como Soderbergh afirmou antes do show, proporcionar a eles a experiência  de receber prêmios na companhia de seus entes queridos.

    Ou seja, valeu pelo tom casual e pessoal, o que deixa tudo mais palpável. Valeu pelo foco nas pessoas e não só nos filmes, algo importante nesse momento. E o mais importante: Valeu por, finalmente, trazer representatividade que tanto prometia nos últimos anos, em todos os níveis, dos apresentadores aos vitoriosos.

    Entre as falhas, além de não mostrar tantos clipes dos filmes, que sempre ajudam o público a identificar os concorrentes, o in memoriam deixou muita gente de fora, inclusive Naya Rivera, de Glee. Obviamente, isso não deixou a internet nada feliz. 

    De qualquer forma, o sentimento que prevalece após o Oscar é de alívio. A mensagem desse evento é de que existe esperança de dias melhores pela frente, com uma cerimônia presencial que sinaliza a tão aguardada volta de todos aos cinemas.

    Quero deixar uma coisa clara: ainda estamos falando da entrega de prêmios para um bando de gente rica e famosa, então o nível de diversão é algo muito particular para cada pessoa que a assiste. Dentro dessa ideia, mesmo sem tudo dar certo, a festa me agradou.

    Isso porque o novo formato deu novos ares à premiação. Mesmo com a audiência mais baixa da história, algo esperado para o momento em que vivemos, foi uma cerimônia que gostei de ver do começo ao fim. E isso se deve, principalmente, aos vencedores.

    Momentos do Oscar 2021

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    Merecidos vencedores

    Esse ano, vimos o resultado da diversidade buscada pela Academia e cobrada pelo público e indústria nos últimos anos. Mulheres, negros, asiáticos, idosos foram indicados e muitos deles saíram vencedores e, melhor, por mérito e não politicagem.

    O próprio prêmio fez história em várias frentes. Chloé Zhao de Nomadland tornou-se a segunda mulher a ganhar na categoria Melhor Direção. E, de novo, ela é uma mulher asiática, o que deixa sua vitória ainda mais relevante.

    Vale apontar que Nomadland foi o favorito a Melhor Filme do início ao fim, o que não é uma coisa fácil de sustentar por tantos meses e provavelmente foi ajudado, nesse ponto, pela pandemia. Mas é importante reforçar: o filme venceu merecidamente. 

    Outro fato notável sobre a vitória do longa é que esse é o primeiro vencedor de Melhor Filme verdadeiramente centrado em uma mulher desde Laços de Ternura, há 37 anos. 

    Vencedores como Menina de Ouro tiveram protagonistas masculinos e femininos, mas Nomadland é um filme sobre mulheres e com show de Frances McDormand, merecidíssima vencedora do Oscar de Melhor Atriz pela terceira vez.

    Anos de esforço para promover a diversidade com ações como #Oscarsowhite garantiram também prêmios à atriz coreana de Minari, Yuh-jung Youn, a Soul da Pixar, o primeiro filme do estúdio de animação com um elenco afro-americano, sem falar em Daniel Kalluya como Ator Coadjuvante.

    Além disso, embora o Oscar de Anthony Hopkins por Meu Pai tenha tirado o prêmio póstumo merecido de Chadwick Boseman, ele se tornou o vencedor mais velho como ator, um resultado marcante contra um dos maiores preconceitos da indústria Hollywoodiana. E sua atuação é algo magnífico e sua vitória foi, também, justa.

    Com poucas surpresas, entre elas Mank levar o prêmio de fotografia, algo também merecido, o Oscar desse ano deu um show no quesito boas escolhas, tanto entre indicados, quanto premiados.

    Existem algumas situações bizarras, como Daniel Kaluuya ganhar o prêmio de ator coadjuvante mesmo como um dos protagonistas do filme, mas pelo menos ele levou pra casa a estatueta, algo absurdamente merecido pelo incrível Judas e o Messias Negro.

    No fim das contas, o Oscar 2021 será marcado pelos baixos números de audiência e críticas diversas à cerimônia, destaque para os streamings, mas, para mim, ficará também como o primeiro, em muito tempo, que realmente entendeu que a indústria vai muito além de homens brancos trabalhando em filmes óbvios.

    Assim como Parasita em 2020, que por sinal já iniciou esse processo de vitórias por merecimento e não politicagem, Nomadland é um filme marcante que realmente merece levar três das estatuetas mais cobiçadas do Oscar.

    Daniel Kaluuya em Judas e o Messias NegroReprodução

    Confira os vencedores:

    MELHOR FILME

    Meu Pai
    Judas e o Messias Negro
    Mank
    Minari
    Nomadland - VENCEDOR
    Bela Vingança
    O Som do Silêncio
    Os 7 de Chicago

    MELHOR ATOR

    Riz Ahmed | O Som do Silêncio
    Chadwick Boseman | A Voz Suprema do Blues
    Anthony Hopkins | Meu Pai - VENCEDOR
    Gary Oldman | Mank
    Steven Yeun | Minari

    MELHOR ATRIZ

    Viola Davis | A Voz Suprema do Blues
    Andra Day | The United States vs. Billie Holiday
    Vanessa Kirby | Pieces of a Woman
    Frances McDormand | Nomadland - VENCEDORA
    Carey Mulligan | Bela Vingança

    MELHOR ATOR COADJUVANTE

    Sacha Baron Cohen | Os 7 de Chicago
    Daniel Kaluuya | Judas e o Messias Negro - VENCEDOR
    Leslie Odom Jr. | Uma Noite em Miami
    Paul Raci | O Som do Silêncio
    Lakeith Stanfield | Judas e o Messias Negro

    MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

    Maria Bakalova | Borat: Fita de Cinema Seguinte
    Glenn Close | Era uma Vez um Sonho
    Olivia Colman | Meu Pai
    Amanda Seyfried | Mank
    Yuh-Jung Youn | Minari  - VENCEDORA

    MELHOR DIREÇÃO

    Thomas Vinterberg | Druk: Mais uma Rodada
    David Fincher | Mank
    Lee Isaac Chung | Minari
    Chloé Zhao | Nomadland  - VENCEDORA
    Emerald Fennell | Bela Vingança

    MELHOR FOTOGRAFIA

    Judas e o Messias Negro
    Mank  - VENCEDOR
    Relatos do Mundo
    Nomadland
    Os 7 de Chicago

    MELHOR FIGURINO

    Emma
    A Voz Suprema do Blues  - VENCEDOR
    Mank
    Mulan
    Pinóquio

    MELHOR EDIÇÃO

    Meu Pai
    Nomadland
    Bela Vingança
    O Som do Silêncio - VENCEDOR
    Os 7 de Chicago

    MELHOR ANIMAÇÃO

    Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica 
    A Caminho da Lua
    Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca
    Soul - VENCEDOR
    Wolfwalkers

    MELHOR DOCUMENTÁRIO

    Collective
    Crip Camp
    Agente Duplo
    Professor Polvo -  VENCEDOR
    Time

    MELHOR FILME INTERNACIONAL

    Druk: Mais uma Rodada (Dinamarca)  - VENCEDOR
    Better Days (Hong Kong)
    Collective (Romênia)
    O Homem que Vendeu Sua Pele (Tunísia)
    Quo Vadis, Aida? (Bósnia)

    MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

    Collete  - VENCEDOR
    A Concerto is a Conversation
    Do Not Split
    Hunger Ward
    A Love Song for Latasha

    MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

    Emma
    Era uma Vez um Sonho
    A Voz Suprema do Blues  - VENCEDOR
    Mank
    Pinóquio

    MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

    Terence Blanchard | Destacamento Blood
    Trent Reznor e Atticus Ross | Mank
    Emile Mosseri | Minari
    James Newton Howard | Relatos do Mundo
    Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste | Soul  - VENCEDORA

    MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

    Fight for You | Judas e o Messias Negro  - VENCEDORA
    Hear my Voice | Os 7 de Chicago
    Husavik | Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars
    Io Sí | Rosa e Momo
    Speak Now | Uma Noite em Miami

    MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

    Judas e o Messias Negro
    Minari
    Bela Vingança  - VENCEDOR
    Som do Silêncio
    Os 7 de Chicago

    MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

    Borat: Fita de Cinema Seguinte
    Meu Pai  - VENCEDORA
    Nomadland
    Uma Noite em Miami
    O Tigre Branco

    MELHOR SOM

    Greyhound
    Mank
    Relatos do Mundo
    Soul
    O Som do Silêncio - VENCEDOR

    MELHORES EFEITOS VISUAIS

    Amor e Monstros
    O Céu da Meia-Noite
    Mulan
    O Grande Ivan
    Tenet - VENCEDOR

    MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

    Meu Pai
    A Voz Suprema do Blues
    Mank - VENCEDOR
    Relatos do Mundo
    Tenet

    MELHOR CURTA-METRAGEM

    Feeling Through
    The Letter Room
    The Present
    Dois Estranhos - VENCEDOR
    White Eye

    MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

    Toca
    Genius Loci
    Se Algo Acontecer... Te Amo - VENCEDOR
    Opera
    Yes-People

    Veja mais