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    Opinião: The Witcher, da Netflix, é uma divertida bagunça

    Série está disponível no serviço de streaming
    Por Daniel Reininger
    03/01/2020

    A primeira temporada de The Witcher não é nada convencional. Na verdade, é bem bagunçada. Possui uma estrutura complicada que atrapalha o crescimento de personagens e limita as tramas apresentadas, misturando tramas de longo prazo, com histórias curtas, mas também há muitas coisas boa para quem gosta de Fantasia, a começar pelos combates e atuação do Bruxão. Só não espere um novo Game of Thrones.

    Henry Cavill, famoso por viver o Superman, encaixou perfeitamente como Geralt de Rivia, um ser sobre-humano criado para caçar monstros. Evitado pela sociedade, ele oferece seus serviços para quem puder pagar. A interpretação do ator capta o cansaço de um personagem que viveu por décadas de combate e os diálogos curtos mostram um homem com pouco interesse nas questões mundanas. Embora isso seja fiel ao livro original, também atrapalha o desenvolvimento de Geralt. Ao final parece que o Lobo Branco não evoluiu. Só que o amor do ator pelo personagem fica claro e é fácil gostar de do Bruxo.

    Já o resto do elenco apresenta atuações que deixam a desejar. Yennefer, interpretada por Anya Chalotra, é a que mostra maior potencial, embora ainda não a tenha profundidade dos livros. Sua Trama é boa, mas poderia ser melhor. O bardo Jaskier, interpretado por Joey Batery, faz bem à trama e até virou meme, mas também sabemos pouco sobre ele e na trama serve basicamente para seguir Geralt (e cantar sobre seus feitos).

    Já Ciri (Freya Allan) não tem muito o que mostrar, já que é deixada de lado por tempo demais e com uma trama sem graça, o que atrapalha a série e seu desenvolvimento. Aliás, os três arcos são muito diferentes em termos de tom e ritmo, o que caisa estranheza também.

    Na verdade, a primeira temporada é praticamente um prólogo da história principal, que apenas começou a ser contada na última cena do último episódio. Isso faz com que a trama pareça um pouco sem graça. Entretanto, os oito episódios da série fazem um ótimo trabalho em apresentar um mundo fascinante que vale a pena explorar. 

    Aliás, oito episódios parecem pouco para aprofundar personagens, criar e fechar arcos e ainda introduzir um mundo totalmente novo, com diversas raças, reinos, lendas e personagens estranhos. Entretanto, a Netflix encara o desafio de transformar os livros do escritor polonês Andrzej Sapkowski em um fascinante mundo e, apesar de alguns tropeços, a primeira temporada agrada.

    Divertido e repleto de ação, The Witcher, da Netflix, ainda tem muito trabalho a fazer antes de atingir a alta qualidade estabelecida pelos videogames ou livros que também contam essa história. Da interpretação ao CGI, a série ainda precisa melhorar bastante, mas isso não significa que não vale a pena maratonar essa série ainda hoje!

    The Witcher já está disponível na Netflix. Assista ao trailer: