Opinião: Falta de foco estragou a nova trilogia de Star Wars

Os Últimos Jedi mexeu com o universo, mas Ascensão Skywalker gasta mais tempo tentando corrigir do que evoluir

17/11/2020 10h00 (Atualizado em 26/11/2020 17h35)

Por Daniel Reininger

Daqui a 1 mês, Star Wars: O Despertar Da Força faz cinco anos de seu lançamento e, mais ou menos na mesma época, o fatídico Star Wars: A Ascensão Skywalker completa um ano. Diante da estreia de uma das melhores produções de Star Wars já feitas, a série The Mandalorian, parece o momento ideal para analisar a nova trilogia e avaliar se tudo valeu a pena.

Sequência vs Prólogo

Os filmes prólogos Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma, Episódio II - O Ataque Dos Clones e Episódio III - A Vingança Dos Sith foram muito criticados e são, realmente, muito inferiores aos clássicos Episódio IV - Uma Nova Esperança, Episódio V - O Império Contra-ataca e Episódio VI - O Retorno De Jedi. Entretanto, eles tem uma coisa que a nova trilogia iniciada em O Despertar Da Força não tem: coesão de história.

Apesar das suas falhas devastadoras, os prólogos trazem uma narrativa focada, colocando Darth Vader (ou, no caso, Anakin Skywalker) no centro da trama. A ascensão, queda e eventual redenção de Anakin é uma história digna de ser contada.

Em contraste, a trilogia iniciada em 2015 não tem nenhum foco real e cada longa deixava mais claro a falta de direção. E nada feito às pressas costuma funcionar. É uma triste constação, afinal, O Despertar da Força, apesar de ser um remake de Uma Nova Esperança, foi um ótimo jeito de revitalizar a franquia e ainda introduzir algumas ideias interessantes e personagens caristmáticos.

Depois disso, a nova trilogia pareceu passar por desgaste nos bastidores. Os Últimos Jedi foi contra boa parte das ideias introduzidas por J.J.Abrams em Despertar da Força, enquanto Ascenção Skywalker criado para apagar tudo que foi feito em Os Último Jedi.

Collin Trevorrow deveria escrever e dirigir o capítulo final da saga Skywalker, mas, ironicamente, foi demitido por diferenças criativas. Abrams foi então trazido para terminar o que havia começado, mas essa decisão enterrou de vez o terceiro filme da trilogia, porque não existia mais coesão em relação a suas ideias iniciais.

É difícil entender realmente o arco de Rey na trilogia mais recente. Ela começou com uma pessoa que vivia sozinha no deserto e terminou como uma pessoa que vive sozinha no deserto, mas fez algumas batalhas entre uma coisa e outra. É muito pouco desenvolvimento para uma protagonista de Star Wars.

Em contraste, em cada um dos prólogos, vemos Anakin em estágios distintos de seu arco: primeiro como um escravo, depois como um malcriado Padawan e finalmente como um Sith. 

Os últimos Jedi

Fica claro como Os Últimos Jedi era o que a franquia precisava, afinal, é o melhor filme da trilogia nova, porque é o único realmente interessado em ser uma história coesa, independente e não uma releitura dos clássicos.

O Despertar Da Força foi o que precisava ser em 2015. Divertido, leve, com clima de Star Wars e seguro. O longa funciona como um reboot, é capaz de respeitar o legado e ainda assim criar uma história nova capaz de conquistar novos públicos. É ótimo!

A Ascensão Skywalker tenta apagar tudo de subversivo de Os Últimos Jedi, sem riscos e sem alma. Esse final não tem o mesmo coração dos outros oito longas.

Da nova trilogia, Os Últimos Jedi é o único filme capaz de respeitar a saga e ainda expandi-la no cinema. O longa arrisca, testa limites e tenta ser algo único independente do legado. O longa faz isso de forma coesa, apesar das falhas de ritmo, um arco inteiro dispensável (o de Finn e Rose) e momentos de humor desnecessários. Ele abalou as estruturas, inovou e ainda divertiu. Só que fez a base de fãs que sustentou Star Wars por décadas entrar em fúria.

O diretor Rian Johnson (Looper - Assassinos Do Futuro) acertou ao tentar surpreender o público brincando com expectativas e, muitas vezes, confundindo ao tomar caminhos inesperados para criar novas dinâmicas e motivações para os personagens. Isso faz bem para a franquia e para o universo. Os arcos de Kylo Ren e Rey funcionam. E o longa ainda possui algumas das melhores cenas da nova trilogia.

Fato é: o cineasta J.J. Abrams (Star Trek) passou tanto tempo tentando desfazer elementos de Os Últimos Jedi em Ascensão Skywalker que criou um filme que é na verdade um corretivo.

Quando o longa tenta realmente finalizar a saga, cai nos mesmos temas do passado e comete os erros vistos também em Despertar da Força: abusa de obviedades e de tramas similares aos longas originais. É seguro e funciona, só que, em 2015, isso foi perdoável por ser um reboot, mas fazer a mesma coisa no último longa da saga não é aceitável e gera frustração.

Os Últimos Jedi está longe de ser perfeito, mas abriu as portas para um final realmente espetacular, que J.J. Abrams preferiu ignorar e seguir com o óbvio. Uma pena. 

Acertos

No fim das contas, Star Wars: O Despertar Da Força e Star Wars: Os Últimos Jedi são filmes interessantes, de forma independente, mas não como parte de uma trilogia, ainda mais com uma conclusão tão anticlimax.

A verdade é que as melhores produções recentes de Star Wars são: um derivado, o ótimo Rogue One: Uma História Star Wars, uma série de TV, a incrível The Mandalorian, e um desenho, Rebels. Curioso.

Veja os trailers dos três filmes da nova trilogia: 










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