cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    Os cinco sentidos do terror, a moda agora é mexer com todas as sensações

    Um Lugar Silencioso, Bird Box e Raw fazem parte da onda de terror sensorial que vem dominando o cinema
    Por Flávio Pinto
    10/08/2021 - Atualizado há cerca de 2 meses

    Em 2018, o ator John Krasinski lançou nos cinemas Um Lugar Silencioso, sua estreia na direção. Com um orçamento tímido de US $22 milhões, o terror sobre personagens que não conseguem falar devido a circunstâncias apocalípticas foi uma verdadeira sensação arrecadando mais de US$ 350,3 milhões mundialmente. O sucesso inesperado deu início a uma série de outras obras do gênero que também passaram a apostar em um elemento em comum para deixar as audiências à beira das cadeiras: a privação dos sentidos. 

    Embora essa técnica não seja totalmente inovadora, o sucesso estrondoso da estreia de Krasinski na direção abriu margem para o ressurgimento da tendência. Assim, nos últimos anos, o “terror sensorial” — termo que designa esse artifício temático, tornou-se mais presente em filmes do gênero, principalmente em títulos que fizeram muito sucesso recentemente, como Hereditário, Midsommar - O Mal Não Espera, Bird Box, Corrente do Mal, entre outros. 

    É tudo muito simples: com a privação de um dos sentidos vitais dos seres humanos (audição, visão, paladar, audição ou olfato), a atmosfera gerada pelas produções consegue ter impacto psicológico ainda maior na plateia. Afinal de contas, se o intuito de um filme de terror é — essencialmente — fazer com que a plateia se assuste, qualquer artifício é bem-vindo. 

    Histórico do terror sensorial

    Há muito tempo, cineastas concentram algumas narrativas de terror em personagens com deficiências, protagonistas que sofreram acidentes difíceis, ou em pontos de vista que privam a audiência de um — ou até mais de um — dos sentidos vitais para contar histórias arrepiantes. Dois clássicos exemplos são Janela Indiscreta (1954), de Alfred Hitchcock, e Um Clarão nas Trevas (1967), de Terence Young

    No filme de Hitchcock, acompanhamos o protagonista vivido por Jimmy Stewart, confinado a uma cadeira de rodas. Essa privação física somada à observação compulsiva que o personagem desenvolve, faz com que ele seja o espectador de um crime. Mas será que seu personagem realmente presenciou um ato hediondo da janela do apartamento, ou simplesmente está perdendo a cabeça? 

    Isso pode ser justificado, ou não, pelo fato do personagem estar confinado a uma cadeira de rodas e estar passando por crises e processos mentais sem escapatória. E a intenção do filme é passar essa atmosfera, a de aprisionamento, confinamento, de impotência e a de perder os sentidos (e a razão). Foi essa fórmula a que tornou Janela Indiscreta um clássico do gênero. 

    Jimmy Stewart e Grace Kelly em Janela IndiscretaDivulgação

    Já em Um Clarão nas Trevas, a visão é privada da audiência. No filme, acompanhamos uma mulher cega, Suzy (vivida por Audrey Hepburn — papel que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar como melhor atriz), que se vê alvo de criminosos que invadem sua casa em busca de uma boneca que foi recheada de heroína. Uma das sequências mais aterrorizantes do filme envolvem uma invasão no apartamento de Suzy, no qual ela percebe, mas sem saber quem está entrando ou saindo do local. 

    O jogo de luzes e edição para fazer com que a sequência simule o desconforto da personagem — cega e sentindo a presença de outras pessoas ao seu redor — é uma das mais intensas do cinema. Para completar, ainda há uma cena de combate (ou, digamos, sobrevivência) entre a personagem e um dos membros da gangue. Um clássico que merece o seu play.

    Trailer de Um Clarão nas Trevas

    Terror para aguçar todos os sentidos

    Existem títulos do terror que mexem com cada um dos cinco sentidos, não só a visão ou a audição. Selecionamos aqui obras que também conseguem mexer com o paladar, o tato e até mesmo com o olfato daqueles que os assistem. Veja a seleção.

    Cena de Hush, da NetflixDivulgação (Netflix)

    Paladar

    Embora as tecnologias ainda não permitam que o cinema explore o paladar em sua completa totalidade, existem filmes de terror que conseguem captar a sensação de gosto para fins assustadores. O padrão dos filmes selecionados é similar: as produções insinuam que o ato de se alimentar pode custar muito caro para algumas pessoas.  Como Raw (2016), de Julia Ducournau (que este ano ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes), Canibais (2013), de Eli Roth, e O Poço (2019), de Galder Gaztelu-Urrutia

    Trailer de Raw

    Olfato

    Tão difícil — ou até mais — de captar quanto o paladar, o olfato é um dos sentidos cuja atmosfera de ser explorada em um filme requer ainda mais trabalho, independente do gênero. No entanto, nos filmes de terror, há alguns bons exemplos de títulos que capturam a essência (sem trocadilhos) perfeita de como um aroma é capaz de tirar alguém dos eixos. 

    Perfume: A História de um Assassino (2006) acompanha Jean-Baptiste Grenouille, um homem com olfato aguçado e a obsessão por coletar cheiros. Ao fazer um estágio com um perfumista que lhe ensina o segredo de coletar 12 cheiros para criar uma fragrância, sugerindo um misterioso 13.º cheiro, Jean-Baptiste segue em uma matança para coletar os cheiros de 13 distintas mulheres. Dirigido por Tom Tykwer, o filme é estrelado pelo vencedor do Emmy Ben Whishaw

    Imagem do filme Perfume: História de um AssassinoDivulgação

    Visão

    Embora Bird Box seja o título mais óbvio, a sugestão para o tema cegueira é Blind - Eu Estou Aqui (2019). No filme dirigido por Marcel Walz, acompanhamos uma atriz que fica cega após uma operação mal-sucedida. Enquanto tenta se ajustar a sua nova realidade, seu apartamento é invadido por um homem misterioso que passa a observar cada um de seus movimentos. Outra bela opção também é Lights Out (2016), de David F. Sandberg

    Pôster do filme Blind — Eu Estou AquiDivulgação

    Audição

    A privação da audição é um dos recursos mais comuns, mas não menos assustadores, que produções de terror utilizam para arrancar alguns calafrios da audiência. E os exemplos são inúmeros. Hush: A Morte Ouve (2016), de Mike Flanagan, A Órfã (2009), de Jaume Collet-Serra, O Homem nas Trevas (2016), de Fede Alvarez (que utiliza tanto a privação da visão, como da audição), O Silêncio (2019), de John R. Leonetti, entre outros.

    Trailer de Hush

    Tato

    O tato é o sentido mais complexo de elaborar quando estamos discutindo a privação sensoriais em narrativas de terror, especialmente porque há um termo chamado “body horror” — quando a temática de uma produção se concentra na transformação corporal exagerada ou explosiva de um personagem. Contudo, a expressão criada por Phillip Brody, historiador de cinema, se refere a filmes como A Mosca (1987), de David Cronenberg, ou O Enigma de Outro Mundo (1982), de John Carpenter.

    Aqui, a privação de tato quer promover o medo à sensação do toque. Em Corrente do Mal (2015), de David Robert Mitchell, por exemplo, o filme busca passar a mensagem deturpada que naquele vilarejo uma maldição é passada de pessoa a pessoa através de sexo. Assim, a privação do sexo é a falta de toque. O medo de ser tocado é o ponto de tensão do filme. 

    Cena de Corrente do MalDivulgação

    Veja mais