OSCAR 2012: Retorno de Woody Allen e iraniano brigando por roteiro são os destaques

Algumas surpresas marcaram este ano as indicações à estatueta

24/01/2012 17h10

Em 2012, teremos um Oscar concentrado em três favoritos – O Artista, Os Descendentes e A Invenção de Hugo Cabret – e outros seis coadjuvantes. Num ano em que as regras da Academia para a escolha dos indicados foi alterada novamente, a lista dos concorrentes ao 84º Oscar traz algumas surpresas e um fato raro: pela primeira vez, desde 2005, a Pixar não tem uma animação brigando por uma estatueta na categoria principal (apenas em Curta de Animação com La Luna).

O campeão de indicações é a incursão de Martin Scorsese no cinema 3D: 11 indicações para A Invenção de Hugo Cabret. Porém, é possível que ocorra o mesmo que em 2009, quando o multi indicado O Curioso Caso de Benjamin Button saiu apenas com três estatuetas, todas em categorias menores.

Difícil não apostar todas as fichas no filme que celebra um cinema que não volta mais. Ainda mais que O Artista, com estreia no Brasil agendada para 10 de fevereiro, abocanhou o prêmio do Sindicato de Produtores (PGA), o principal termômetro para o Oscar. O humor geral é o de aproveitar a rara chance de consagrar um filme como esse, o que seria um acontecimento: quantas vezes vemos um longa em preto-e-branco, mudo, dirigido e interpretado por franceses e a falar do próprio cinema tomar de assalto a Academia?

Caso vença, seria um caso parecido com o de Guerra ao Terror, premiado por seus méritos, mas também por um desejo de marcar uma oportunidade: consagrar uma mulher na direção.

Os Descendentes, certamente o filme independente do ano nos Estados Unidos, recebeu “apenas” cinco indicações, mas seria um erro menosprezá-lo: o filme de Alexander Payne foi lembrado em categorias fundamentais – Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Ator e Montagem.

Neste ano, nove longas-metragens alcançaram o coeficiente mínimo que garantiriam uma indicação a Melhor Filme. Há alguns exageros – nem de longe Cavalo de Guerra é um grande filme de Spielberg – e algumas injustiças, sendo a principal a ausência pelo segundo ano consecutivo de Clint Eastwood, que desta vez concorria com o interessante J. Edgar.

Por outro lado, a cerimônia que novamente será apresentada por Bill Christal terá Woody Allen concorrendo tanto por Direção quanto por Roteiro, algo que não ocorria desde 1995 com Tiros na Broadway.

Irã rouba as atenções

A grande surpresa não está na categoria principal, mas sim na presença de um filme iraniano concorrendo não só no que já era esperado – Melhor Filme em Língua Estrangeira –, mas encontrando uma brecha para ser indicado a Roteiro Original. É um grande feito ver A Separação, que já havia dominado o Festival de Berlim ano passado, conquistar a Academia numa categoria tão crucial para a indústria americana como o roteiro. Merecida indicação.

Falando de Filme em Língua Estrangeira, o longa de Asghar Farhadi é francofavorito numa categoria que neste ano chega cambaleando, dando chance para um filme pífio como Bullhead chegar à corrida por uma estatueta.

A mudança nas regras do Oscar casou também outra grande surpresa: apenas duas músicas atingiram a nota mínima (8.25) e conseguiram uma indicação à Melhor Canção. Já na categoria Trilha Sonora, os membros da Academia mostraram novamente que até um espirro de John Williams será reverenciado: indicação dupla por Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim. Alexandre Desplat, compositor em ascendente que fez um bom trabalho em A Árvore da Vida, ficou de fora.

Além de O Artista, a França conseguiu ganhar a Academia ao ver indicado, pelo segundo ano consecutivo, um longa como Melhor Animação – Um Gato em Paris está na briga. No ano passado, brigou com O Mágico. A surpresa na categoria é a ausência de Tintim, de Spielberg/ Peter Jackson.

No restante das categorias principais, a tendência é mantida. Para a Academia, Direção de Arte e Figurino continuam sendo notadas apenas em filmes de época ou fantasia, e Edição de Som como sinônimo de blockbuster. Nas categorias de atuação, nenhuma surpresa e um entendimento que repete os anos anteriores: filmes menores e bons, mas sem o mesmo poder de lobby de outros trabalhos, abocanham no máximo indicações isolados de atuação. Casos de Toda Forma de Amor (Christopher Plummer) e O Espião que Sabia Demais (Gary Oldman).


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