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    'Oscar 2022' será lembrado por tapa de Will Smith em Chris Rock

    Cerimônia deu o que falar por outros motivos também
    Por Daniel Reininger
    28/03/2022 - Atualizado há cerca de 2 meses

    O Oscar 2022 será para sempre lembrado como “O Oscar em que Will Smith deu um tapa em Chris Rock ao vivo”. Assim que o ataque aconteceu, poucos entenderam se aquilo era ou não real, mas logo ficou claro que não só era de verdade, como seria o ponto que definiria essa cerimônia na história.

    O tapa

    Difícil lembrar de um momento tão chocante como esse na história da premiação e olha que o Oscar é conhecido por momentos de protesto, dramas, erros e situações embaraçosas. É um dos problemas de um programa ao vivo, coisas acontecem e saem dos trilhos.

    O tapa de Will Smith após Chris Rock fazer uma piada grosseira sobre a queda de cabelo de Jada Pinkett Smith mudou o clima da festa por toda a última hora da transmissão. 

    Ao subir no palco para receber o prêmio de Melhor Ator, ainda tivemos a chance de ver Will Smith num misto de confusão, tom desafiador e de arrependimento se misturando num discurso que será analisado e revisto por semanas, senão anos. Nem vou me arriscar opinar além disso, porque é óbvio que Will Smith não estava em seu melhor momento.

    Vale lembrar que a treta é antiga. Em 2016, quando Chris Rock foi apresentador do Oscar, Will e sua esposa, Jada foram alvos de piadas. O lance é que Jada boicotou o show por conta de apenas atores brancos concorrerem aos prêmios de atuação, então o comediante soltou a frase: “Jada disse que não vem. Eu fiquei tipo, 'Ela não está em um programa de TV?' Jada vai boicotar o Oscar? Jada boicotar o Oscar é como eu boicotar a calcinha da Rihanna. Eu não fui convidado!” brincou na época.

    O triste é ver um Oscar que podia ser lembrado pela diversidade ficar marcado pela violência.

    Oscar 2022 além do tapa

    A Academia, pela primeira, vez entregou seus prêmios técnicos antes da festa, exibindo de forma editada durante o evento, com a desculpa de economizar tempo.

    Só que a tática não deu certo, afinal o Oscar deste ano foi o mais longo desde 2018, com 39 minutos além do tempo estipulado. O mais triste é o recado de que o trabalho dos profissionais dessas categorias é menos importante na indústria, o que não é verdade.

    Em termos de apresentadoras Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall abriram bem a celebração, mas algumas piadas ao longo da noite não funcionaram. 

    Foi um programa que ainda sofre com vícios do passado, mas pelo menos tenta algo novo. 

    Estatuetas

    Em relação aos prêmios distribuídos, percebemos um Oscar errático, com estatuetas espalhadas entre diversos filmes. Duna ganhou a maioria dos técnicos, mas não todos. No Ritmo do Coração venceu três importantes prêmios, mas foi só. O tão falado Ataque dos Cães ficou apenas com o de Direção e nada mais. 

    O destaque positivo da noite foi a representatividade, que ganhou muito com a vitória de Ariana DeBose (Amor Sublime Amor) e Troy Kotsur (No Ritmo do Coração). Eles foram escolhidos como melhor atriz e ator coadjuvante. Ariana é a primeira queer afro-latina a ganhar a estatueta e Troy é o primeiro surdo a levar o prêmio. Parabéns para eles e para a Academia!

    Além deles, tivemos Jane Campion como melhor diretora. Pela primeira vez a Academia premiou mulheres em dois anos seguidos na categoria Melhor Direção, afinal, Chloé Zhao venceu em 2021. Muito bom!

    Parece que o Oscar aprendeu com as críticas dos últimos anos.

    Votação do público

    Por fim, outro ponto a ser lembrado e analisado em anos futuros foi a votação popular no Twitter. Criada com a ideia de trazer mais interação do público, deu destaque a filmes pequenos ou muito criticados tanto por espectadores quanto por críticos e mostrou que a força do Fandom é maior do que se podia esperar.

    Filmes como Cinderela com Camila Cabello apareceram na premiação, pura e simplesmente pela força de seus fãs. Apesar do filme não ter sido bem recebido, a cantora possui mais de 12,7 milhões de seguidores no Twitter e mais de 60 milhões no Instagram e eles teriam votado em peso para levar o nome da atriz ao Oscar. E isso se repetiu com Army of the Dead e Liga da Justiça de Zack Snyder, afinal o diretor também possui um grupo de fãs ferrenhos. 

    Por mais que a atuação dos Trolls pareça ter sido limitada, ao menos à primeira vista, a escolha do público se resumiu a grupos de Fandom dispostos a verem seus ídolos no Oscar à todo custo. Então fica a pergunta: essa iniciativa atingiu o público e os resultados que a Academia gostaria? 

    Grande vencedor da votação dos fãs

    Para ficar na memória

    Por muitos motivos, o Oscar 2022 ficará na memória dos cinéfilos, só espero que os bons filmes que venceram estatuetas também fiquem. 

    Se não fosse o famigerado tapa, estaríamos agora falando apenas sobre como o Oscar aprendeu a dar espaço à diversidade e como isso é positivo ou como a Academia ainda não aprendeu a fazer um show moderno para o século XXI, mas ao menos tenta coisas novas.

    Entretanto, esses aspectos acabaram ficando de lado, o que é uma pena. 

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