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    Hollywood dá jeitinho brasileiro ao indicar protagonistas como coadjuvantes em Judas e o Messias Negro

    No Oscar 2021, os personagens principais do longa aparecem na categoria Melhor Ator Coadjuvante
    Por Daniel Reininger
    15/03/2021 - Atualizado há 5 meses

    Mais uma vez o Oscar pisou na bola! Judas e o Messias Negro recebeu seis indicações merecidas, afinal o longa não só é muito bem feito, como conta uma história poderosa. Só que aparentemente a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood considera que o filme não possui um protagonista ao permitir a indicação de seus dois personagens principais na categoria Ator Coadjuvante. Qual é a lógica disso?

    A gente explica a situação abaixo:

    Filme sem protagonista?

    Não, Judas e o Messias Negro não é um filme sem protagonista. Na verdade, os dois atores indicados como coadjuvantes são os principais da trama. É possível argumentar que existem outros importantes, mas a realidade é simplesmente essa: No mínimo, ou Daniel Kaluuya (como Fred Hampton) ou Lakeith Stanfield (como William O'Neal) deveria aparecer como Melhor Ator.

    O longa se destaca principalmente pelas performances de seus astros. Kaluuya convence como Hampton e Stanfield manda muito bem como o traidor O'Neal. Os personagens são extremamente humanos e emocionalmente complexos e a relação dos dois personagens e com o movimento dos Panteras Negras é o principal do filme.

    Cena de Judas e o Messias NegroReprodução
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    Escolha dos indicados ao Oscar

    Diversos elementos interferem em decisões como essa. É importante lembrar, antes de mais nada, de que o Oscar é um jogo político. Os indicados não necessariamente são os melhores e sim os mais influentes dentro de Hollywood. Além disso, os próprios estúdios são responsáveis por indicar o filme em cada categoria.

    Vale lembrar que é o próprio ator que escolhe em qual categoria quer concorrer, normalmente em cojunto com os produtores do filme e os votantes do Oscar o analisam dessa forma. . Isso pode ser uma excelente estratégia, que permite situações que, muitas vezes, não fazem o menor sentido.

    Na prática, a maioria das categorias tem os concorrentes escolhidos pelos membros do ramo correspondente. Ou seja, atores indicam atores, editores indicam editores de filmes e assim por diante. Além disso, todos os membros votantes podem selecionar os indicados para Melhor Filme.

    A votação das nomeações é conduzida tanto em papel quanto online, com a votação online sendo a escolha preferida para a maioria dos membros da Academia. A votação para indicações começa no final de dezembro e todos os votos são auditados.

    Em teoria, os votantes têm acesso a todos os filmes, mas na prática sabemos que a maioria deles não assiste todos os indicados, o que aumenta o peso do lobby e das questões políticas capzes de definirem os vencedores.

    Caso de Judas e o Messias Negro

    Parece claro que os dois protagonistas estão na categoria Melhor Ator Coadjuvante como uma decisão política e estatégica do estúdio. Afinal, é um jeito de ter os dois indicados e ainda abrir espaço na categoria principal de atuação para atores que corriam por fora, como Anthony Hopkins, indicado por Meu Pai

    Com isso, não só tiraram um pouco do prestígio das atuações de Kaluuya e Stanfield, como ainda limitaram a chance dos dois, que poderiam estar em categorias diferentes tranquilamente.

    A indignação é pela injustiça com os atores e pela falta de lógica de uma premiação de cinema que declarara, a quem quiser ouvir, que um de seus principais concorrentes não tem protagonista, algo absurdo. É difícil engolir que, ao permitir uma situação dessa, a própria Academia subestima as pessoas que ainda se importam com o Oscar.

    Cena de Judas e o Messias NegroReprodução

    O filme

    Impactante, Judas e o Messias Negro retrata as vidas do líder dos Panteras Negras de Chicago, Fred Hampton (Daniel Kaluuya), e do informante do FBI William O'Neal (Lakeith Stanfield), que forneceu o layout do apartamento de Hampton para a operação policial que o assassinou. 

    Hampton era um homem que poderia mudar o mundo, mas foi impedido por uma conspiração envolvendo o alto escalão dos EUA. Uma história real contundente, com eventos relevantes até hoje.

    O longa também é tecnicamente primoroso, com ambientes realistas e fotografia capaz de capturar a força de cada momento, seja intimista com closes e luz mais baixa ou um discurso inflamado, com tomadas abertas e luminosidade alta.

    Com uma narrativa contagiante, o longa conta uma história poderosa. O longa tem boas chances de ganhar algo em todas as categorias que concorre, são elas: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Daniel Kaluuya), Melhor Ator Coadjuvante (Lakeith Stanfield), Melhor Fotografia, Melhor Canção Original (“Fight for You”), Melhor Roteiro Original.

    O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira onde em nossa programação. 

    A 93ª cerimônia do Oscar, maior premiação do cinema organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, acontece no dia 25 de abril.

    Veja o trailer:

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