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    Pânico: A trajetória da franquia de terror até o novo filme

    Wes Craven e Kevin Williamson criaram um fenômeno do horror
    Por Alexandre Dias
    20/06/2020

    O saudoso Wes Craven foi um gigante do gênero de terror. Em 1984 ele concebeu nada menos que A Hora Do Pesadelo, uma das produções mais cássicas da vertente do slasher, que trouxe o icônico Freddy Krueger às telas. Em 1996, o cineasta voltaria a revolucionar o subgênero com Pânico

    Juntamente com o roteirista Kevin Williamson, o diretor não só conseguiu explorar novamente a lucratividade desse tipo de filme com orçamentos mais baixos, como destrinchou um tom adormecido: a mistura da comédia com o horror. 

    As autorreferências da saga trouxeram longevidade à mesma, pois o caráter trash dos filmes de slasher passaram para um novo "nível" de qualidade. Essa característica permitiu sequências, séries de TV e até inspirações para outros projetos, como Todo Mundo Em Pânico, por exemplo. 

    Com isso, resolvemos relembrar a tajetória de Pânico até os dias atuais, que estão longe de deixar essa marca em segundo plano: 

    Trilogia 

    O primeiro Pânico foi um sucesso, rendendo mais de US$ 173 milhões no mundo inteiro. O foco da trama é o círculo de Sidney Prescott (Neve Campbell), uma jovem atormentada por problemas pessoais do passado, mas que vive a usual vida adolescente dos longas de slasher em uma pequena cidade. Ela termina por se tornar o alvo de um assassino que usa uma máscara inspirada na pintura O Grito, de Edvard Munch.

    É a típica premissa do subgênero do terror e o longa poderia ser bom sem as autorreferências de Craven, pois Sidney é bem desenvolvida e tem momentos interessantes na trama, assim como os personagens coadjuvantes. Porém, Craven e Williamson realizam um trabalho metalinguístico nunca antes visto em produções assim, que consegue localizar espectadores mais leigos no clima do filme e cativar por completo os amantes veteranos de terror. 

    Cena de Pânico

    Pânico 2 foi lançado um ano depois do primeiro e Pânico 3 em 2000. Ambos repetiram a boa bilheteria do longa original, com, respectivamente, uma renda mundial de mais de US$ 172 e US$ 161 milhões. A volta do slasher Ghostface, que pode ser qualquer um, é forçada, mas de um modo proposital. O segundo filme, por exemplo, explora a ideia do que uma continuação de terror é feita, enquanto o terceiro, que chega com o estigma de trilogia, é a inflação natural de tudo o que já ocorreu na saga. 

    Tom único

    Pânico não tem medo nenhum de tirar sarro de si. Não à toa, os roteiros de Williamson sempre foram muito literais. Há personagens em todos os longas que, basicamente, explicam a trama. E a habiliadade de Craven faz isso ser um mérito, não uma redundância. 

    Primeiramente, por vários outros filmes, não só de terror, serem levantados nas histórias; só esse quesito faz qualquer amante de cinema ir à loucura. Em Pânico 2, por exemplo, há um momento na sala de aula em que a pergunta "quais sequências foram boas?" é feita. Essa indagação não está sendo feita só para os personagens, mas para o espectador, o que cria uma empatia imediata com a franquia. 

    O tom de comédia finaliza esse apreço do público. Há piadas e personagens cômicos na franquia, como é o caso do atrapalhado, mas carismático, policial Dewey Riley (David Arquette). 

    David Arquette em Pânico

    Portanto, não são filmes que deixam o espectador sair com uma carga interna pesada da sessão. Nem por isso, o terror não está presente com maestria. Uma prova viva disso é a cena repleta de gore da garagem do primeiro longa. 

    Revitalização

    Pânico 4 foi uma espécie de reboot da franquia, afinal, só chegou às telonas em 2011. Porém, Não só Craven e Williamson voltaram às suas funções originais, como a tríade sagrada desse universo também: Prescott, Riley e Gale Weathers (Courteney Cox, a Monica de Friends).

    Esses retornos cravaram a ideia de que a saga principal cinematográfica é muito bem estabelecida, como o caminho percorrido no futuro por outros projetos viria a indicar. Obviamente, a trama também faz essa afirmação, ao questionar a estrutura dos remakes.

    Dessa forma, a história traz novos adolescentes, mas também recuperando a nostalgia dos eventos dos longas anteriores. Não à toa, Prescott, literalmente e metaforicamente, volta à cena após passar anos afastada. 

    Pânico 4 faturou mais de US$ 97 milhões no mundo todo. 

    Série  

    Em 2015 - o mesmo ano da morte de Craven - a série baseada nos filmes estreou. No Brasil, a produção de três temporadas pode ser conferida na Netflix, ainda que só os dois primeiros anos estejam no catálogo do serviço. 

    Cena da série do Pânico

    A trama traz novos personagens e até uma nova máscara para o Ghostface. Como era de se esperar, a polêmica se instaurou no resultado final irregular. 

    A terceira temporada de Scream foi lançada nos Estados Unidos em 2019. 

    Futuro

    Ao contrário do que ocorreu com a série, o futuro da franquia é mais animador. O quinto filme da saga está em desenvolvimento com Kevin Williamson como um dos produtores executivos. Arquette, Campbell e Cox retornam aos papéis originais. 

    A direção é ocupada pela dupla Matthew Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, do terror Ready Or Not. O roteirista desse último longa, Guy Busick, e seu produtor, James Vanderbilt, serão os responsáveis pelo texto do novo Pânico

    Não há muitos detalhes sobre o projeto, mas com o retorno de nomes conhecidos, especialmente anos depois do último lançamento cinematográfico, a expectativa é de que a querida franquia de terror volte com o seu ótimo tom original, que consegue ser o mesmo de sempre sem se repetir. 

     

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