Entenda a polêmica da escolha de Gal Gadot para viver Cleópatra nos cinemas

O anúncio gerou uma onda de críticas em torno do "embranquecimento" da rainha do Egito

24/10/2020 13h00

Por Thamires Viana

No início da última semana foi anunciado que a atriz Gal Gadot, intérprete de Mulher-Maravilha no universo de filmes da DC Comics, vai interpretar Cleópatra em um novo filme focado na história da rainha do Egito. O projeto da Paramount Pictures será dirigido por Patty Jenkins, a mesma diretora que trabalha com Gadot na franquia da heroína.

A atriz anunciou a novidade em seu Twitter oficial, afirmando estar orgulhosa em assumir o protagonismo de uma história tão importante como a da Rainha do Nilo. "Adoro embarcar em novas jornadas, adoro a emoção de novos projetos, de trazer novas histórias para a vida. Cleópatra é uma história que eu queria contar há muito tempo. Não posso ser mais grata por esse time!", escreveu ela no post.

No entanto, o anúncio da atriz israelense no papel de Cleópatra gerou uma onda de críticas e levantou a discussão em torno do whitewashing, isso é, o "embranquecimento" que muitas vezes é usado nos cinemas ao colocar uma pessoa branca para interpretar um personagem de outra etnia.

O caso causou revolta em centenas de seguidores que apontavam que essa é uma história que deveria ser interpretada por uma atriz árabe ou de origem africana. 

Entenda o whitewashing

No início do século XX, era comum que os filmes trouxessem atores brancos para interpretarem personagens de outras etnias. Nesses casos, muitos usavam blackface ou o yellowface, ou seja, pintura preta para viver personagens negros e amarela para viver personagens asiáticos. Além disso, existia uma forma caricata que esses atores usavam para interpretar esses papéis nas telas.

As técnicas eram bem aceitas na época, já que a diversidade de atores de outras etnias no mercado cinematográfico ainda era bem escassa. Foi só no final do século XX / começo do XXI, quando atores negros e asiáticos passaram a ganhar mais espaço no meio audiovisual, que o black e yellowface se tornaram menos populares.

Mas se engana quem pensa que as técnicas foram erradicadas do meio hollywoodiano. Em filmes atuais como, por exemplo, A Vigilante Do Amanhã: Ghost In The Shell, de 2017, Scarlett Johansson foi a escolhida para viver a Major Motoko Kusanagi. Logo de cara, o filme gerou repercussão negativa, já que uma ciborgue oriental estava sendo interpretada por uma mulher branca. 

Em outro caso polêmico, a atriz Zoe Saldana (Guardiões Da Galáxia) foi muito criticada ao ser escalada para Nina (2004), cinebiografia da cantora Nina Simone. Embora seja negra, mas com um tom de pele mais claro, Saldana precisou usar prótese para alargar o nariz e escurecer a pele com maquiagem. Na época, muitos se perguntaram sobre o porquê de não terem escolhido uma atriz que pudesse viver a cantora sem precisar de tantas modificações. Recentemente, a atriz se desculpou por ter aceitado o papel e afirmou que 'nunca deveria ter interpretado Nina'.

Cleópatra

Cleópatra, conhecida popularmente como a rainha do Nilo, foi uma das mais famosas e memoráveis rainhas do Egito. Ela nasceu no ano de 69 a.C. na cidade de Alexandria, e tudo indica que ela tinha uma origem mista entre norte-africana, grega e macedônia. Alguns pesquisadores afirmam que ela era, de fato, egípcia, mas há diversas contradições sobre a verdadeira descendência de Cleópatra.

A escalação de Gadot para viver a rainha do Nilo não é a primeira a levantar questionamentos sobre whitewashing. Em 1963, Elizabeth Taylor estrelou o clássico filme Cleópatra, um dos mais populares e caros da história do cinema, e até hoje a produção gera discussões sobre sua escolha, já que Taylor tinha origem anglo-americana. 

Projeto

Embora esteja cercado pela polêmica, o filme que será estrelado por Gal Gadot recebeu elogios por trazer, pela primeira vez, a história da rainha através do olhar feminino dentro e fora das telas.

O projeto encabeçado por Patty Jenkins terá roteiro assinado por Laeta Kalogridis, a mesma por trás de Ilha Do Medo, longa de Martin Scorsese, e foi adquirido pela presidente do Paramount Motion Picture Group, Emma Watts, em um leilão que colocou grandes estúdios como Warner Bros., Netflix e Universal Pictures em uma acirrada disputa.

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Whitewashing: 15 vezes em que Hollywood embranqueceu personagens


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