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    Por que o Brasil não consegue emplacar no Oscar?

    Novamente, país fica de fora da seleção de Melhor Filme Internacional no prêmio máximo do cinema
    Por Flávio Pinto
    22/12/2021 - Atualizado há 6 meses

    Na noite desta última terça-feira (22), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (a AMPAS), órgão responsável pelo Oscar, publicou suas pré-listas da edição de 2022 do prêmio. 

    Geralmente, algumas categorias, como as de som e de filme internacional, limitam o campo em uma seleção entre 10 a 15 finalistas. E, mais uma vez, o Brasil ficou de fora na categoria de produção internacional. 

    Este ano, a Academia Brasileira de Cinema (ABC) escolheu submeter o filme Deserto Particular, de Aly Muritiba, para a competição de cinema. Infelizmente, a desclassificação vem sem surpresas. Isso porque, desde 2008, que o nosso país não encontra um espaço dentre as produções finalistas na categoria. 

    A última vez que estivemos entre os pré-selecionados foi com o filme O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger. Mas o que o Brasil vem fazendo de errado? O que está faltando para o nosso país ser consagrado no principal prêmio do cinema?

    Continue a leitura para saber mais.

    Como é feita a seleção?

    Cada país é convidado, pela AMPAS, a submeter o título considerado o seu melhor daquele ano para a Academia. O grande pré-requisito é que aqueles títulos devem ter distribuição nos Estados Unidos e apenas uma produção por país é permitida. 

    Geralmente, quem a inscrição oficial do país é feita por um júri, comissão ou organização — comumente ligadas a órgãos de produção e distribuição de filmes de um país. Por exemplo, a inscrição britânica é enviada pela British Academy of Film and Television Arts, enquanto a brasileira, atualmente, é feita pela Academia Brasileira de Cinema, mencionada anteriormente. 

    Após a seleção de cada país, cópias com legendas em inglês são enviados aos membros do Comitê de Filme Internacional, e, em seguida, há uma pré-votação para selecionar os finalistas da categoria. Na fase final, uma vez que 10 a 15 títulos já tenham sido escolhidos, todos os membros da Academia votam em qual devem ser os 5 indicados oficiais. 

    Histórico brasileiro

    Nós submetemos filmes ao Oscar, na categoria de filme internacional, desde 1961, na edição 33.ª. A primeira escolha foi A Morte Comanda o Cangaço, de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta

    Durante muitos anos, o nosso representante foi escolhido pela Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme), com algumas exceções. Em 1996, por exemplo, o nosso representante foi escolhido através de uma comissão independente montada por Luiz Carlos Barreto, no qual foi selecionado uma produção com sua assinatura, e assinado por seu filho, Fábio Barreto, O Quatrilho — que foi indicado ao prêmio máximo, mas perdeu para o holandês A Excêntrica Família de Antônia.

    Já a partir de 1997, a seleção ficou a cargo da Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura (Minc), enquanto nos últimos anos, a escolha passou a ser de uma comissão montada pela Academia Brasileira de Cinema (ABC).

    Ao longo de seis décadas (1961 a 2022), o Brasil só foi finalista em 5 edições, e indicado em 4: 

    • O Pagador de Promessas, em 1963
    • O Quatrilho, em 1996
    • O Que É Isso, Companheiro?, em 1998
    • Central do Brasil, em 1999
    • O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, em 2008 — apenas pré-finalista
    'Central de Brasil', de Walter Salles, foi o último filme brasileiro a ser indicado na categoria, em 1999Divulgação

    Opinião: Ser o melhor não importa

    Ano após ano, o que parece prevalecer na categoria de Filme Estrangeiro não é a qualidade de uma produção, e sim, o lobby feito por trás da companhia ou distribuidora por trás de um título. Em primeiro lugar, é fundamental que o país faça a sua seleção o mais cedo possível. 

    Assim, uma divulgação prévia já começará a ser feita imediatamente, além de fazer com que a produção tenha mais facilidade para entrar na seleção oficia de festivais estrangeiros. Esse giro por eventos e festivais também facilita que o título seja prontamente adquirido por uma distribuidora com base nos Estados Unidos. 

    Em anos recentes, a Samuel Goldwyn Films, Sony Pictures Classics, Magnolia Pictures, NEON, Amazon Studios e a Netflix têm obtido sucesso na categoria. E é justamente nessa aquisição que uma produção pode começar a sonhar a chegar ao Oscar. 

    Produtoras e distribuidoras com dinheiro conseguem espaço em jornais, revistas, outdoors, mesas redondas, eventos, envio de screeners e todo o material promocional necessário para que os votantes da Academia tenham acesso — ou pelo menos conhecimento — de um título estrangeiro. 

    Por isso que muitos apontavam que a melhor escolha para o Brasil este ano seria 7 Prisioneiros, de Alexandre Moratto. Com distribuição internacional pela Netflix, uma temática universal e com passagens em festivais importantes, como Sundance e Veneza, o longa parecia uma aposta certa.

    'Deserto Particular' merecia ter sido finalista

    Embora sem uma temática urgência, o drama de Aly Muritiba merecia ter chegado ao Oscar. Deserto Particular foi uma aposta sensível, autêntica e importante por parte da Academia Brasileira de Cinema. 

    Estrelado por Antonio Saboia, o longa tem brilhantes atuações, personagens desenvolvidos e uma trama impactante — sem cair para apelações, como 7 Prisioneiros — que poderia ter caído no gosto dos votantes da Academia. Especialmente por trazer uma temática LGBTQIA+ de um país atualmente comandado por um governo de extrema-direita. 

    Infelizmente, a aquisição tardia da Kino Lorber, que aconteceu somente uma semana antes dos anúncios dos finalistas, foi um dos motivos pelos quais o olhar sensível de Muritiba sobre um policial com conflitos internos e em busca de liberdade não teve chance no Oscar.

    Agora, resta torcer para o Brasil no ano que vem. 

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