Entenda porque Bad Boys Para Sempre funciona sem Michael Bay

O longa policial com WIll Smith e Martin Lawrence agradou ao público

25/09/2020 15h00

Por Gui Pereira

Quando dois astros da comédia se transformam em também atores de blockbusters de ação, o resultado seria nada menos que um sucesso. Desde o primeiro lançamento, há 25 anos atrás, as sequências faturaram mais de 400 milhões de dólares e alavancaram não só a carreira de Will Smith e Martin Lawrence, mas do diretor Michael Bay, que virou referência do gênero. Após 17 anos, a terceira parte dessa história se tornou um sucesso de bilheteria em 2020. 

Ainda no estilo 'buddy cops', sucesso dos filmes policiais dos anos 70, e com muito carisma e sintonia entre os velhos parceiros Mike Lowery (Smith) e Marcus Burnett (Lawrence), o longa traz uma dose equilibrada de drama que não se via nos outros filmes da saga. Sem o comando de Michael Bay, a trama, que coincidentemente continua carregada de exageros, piadas clichês, consagra o fenômeno nas mãos do diretores belgas Adil El Arbi e Bilall Fallah, que conseguem criar uma atmosfera inovadora para o que parecia ser 'mais do mesmo'. Fugindo da obsessão por cenas explosivas, efeitos especiais, a história construída por trás das limitadas cenas de perseguição é surpreendentemente interessante.

Enquanto nos primeiros filmes a dupla de policiais enfrentava as crises típicas dos trintões, agora, na casa dos 50, os dilemas são outros. Burnett está prestes a se aposentar, tem um neto, e Lowrey é solteirão e sofre um atentado que o deixa à beira da morte. Na contradição entre a busca por vingança de um e a tentativa de reduzir a agitação do outro, uma nova e mais jovem equipe chega ao departamento de polícia, formada pela tenente Rita (Paola Núnez), a especialista em invasões Kelly (Vanessa Hudgens), o nerd musculoso Dorn (Alexander Ludwig) e o hacker e atirador de elite Rafe (Charles Melton). Os contrapontos e atritos com a nova geração trazem à tona discussões importantes sobre violência e a dinâmica entre eles é mais um ponto alto do longa, apesar da falta de conexões sentimentais.

No fim das contas, os roteiros orquestrados por Bay foram consagrados para os anos 90, mas o resultado trazido pelos belgas agrada muito mais do que toda confusão explosiva e rasa dos primeiros filmes. Este terceiro foi anunciado pela primeira vez em 2003, logo após o sucesso do primeiro longa. Desde então a produção passou por diversas fases de desenvolvimento, mas nunca chegou a ver a luz do dia. Em 2008, Michael Bay anunciou seu retorno à direção, mas, o projeto demorou muito em sua pré-produção. Apesar de não dirigir, Bay tem uma participação especial no filme. O quarto capítulo da franquia foi anunciado logo no início das filmagens do terceiro e, depois do sucesso de estreia nos EUA, o filme foi enfim oficializado e Michael Bay está cotado para voltar a cadeira de diretor.

 

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