De Oldboy a super-heróis: os quadrinhos que viraram filmes

Filmes de quadrinhos!

05/10/2020 12h15

Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência.

O que faz do bloco de imagens uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes.

A mesma preocupação em simular a sensação de movimento por meio da representação cabe ao cinema, que, no entanto, tem outras ferramentas para trabalhar o imaginário do espectador e resolver a questão da organização na narrativa.

Nas HQs, cabe ao leitor a tarefa de completar o espaço em branco que separam os quadros, imaginando, por exemplo, que a partir do desenho do herói saltando de um prédio e da próxima figura, na qual persegue um bandido, seja possível concluir os movimentos de aterrissar no solo, avistar o malfeitor e, aí sim, iniciar a corrida.

Já no cinema, tal participação criativa do espectador é minimizada pelo fato de que a retratação dos movimentos pode ser realizada de maneira completa, seja em um plano sequência ou com recortes que coloquem em evidência um início, meio e fim bem definidos para o entendimento da ação.

Um formato complementa o outro e gerou adaptações icônicas. Estas são algumas delas:

Oldboy (2003)

Oldboy é uma adaptação de um mangá com o mesmo nome, originalmente publicado de 1996 a 1998. Existe uma versão americana de 2013, mas a única razão para lhe colocarem os olhos em cima é se quiserem perceber o que se deve fazer e, neste caso, o que não se deve fazer, numa adaptação.

Priorize o filme sul-coreano, de 2003, que é daqueles filmes que não precisa de sinopse, não precisa de trailer, não precisa de descrições detalhadas, nem de razões para ver. É um filme de adaptação à escuridão e a preparação de um corpo e uma mente para sobreviver à uma pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber o porquê.

Hellboy (2004)

O diabo vermelho de chifres serrados ganhou uma excelente adaptação pelas mãos detalhistas de Guillermo del Toro, em 2004, que escreveu o filme junto com Peter Briggs. O que vemos na tela é uma das melhores histórias de origem de "heróis", juntamente com uma linda aventura cheia de monstros originais, designs fantásticos de produção e uma sensacional atuação de Ron Perlman.

O filme também ganhou duas continuações que, ainda que eficientes, não chegam aos pés do original.

V De Vingança (2005)

Apesar de ter alterado alguns aspectos políticos da trama original da HQ de Alan Moore e David Lloyd, a produção dirigida em 2005 por James McTeigue e roteirizada pelas Irmãs Wachowski foi muito importante para apresentar conceitos políticos como a anarquia. Além disso, Guy Fawkes, soldado inglês que participou da Revolução da Pólvora na Inglaterra do século XVII, virou uma figurinha conhecida para além das aulas de História.

Sin City - A Cidade Do Pecado (2005)

Muitas adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos podem ser capazes de imitar a narrativa do material original, no entanto poucas chegam tão de perto de fazê-lo quanto "Sin City – A Cidade do Pecado" (2005). Co-dirigido pelo criador da série, Frank Miller, o filme é quase uma cena de recriação dos quadrinhos, especificamente do primeiro, terceiro e quarto volumes.

Quase todas as cenas capturadas no filme, tem as HQs quase substituindo o roteiro. Do diálogo aos monólogos internos, Sin City – A Cidade do Pecado é efetivamente a mesma mídia que seu material de origem, apenas traduzida em um meio artístico diferente.

Persépolis (2007)

Persépolis (2007) retrata de forma magnífica a perseguição da guerra do Irã. Em meio a um ambiente perigoso e com muita discriminação contra mulheres, Marjane se descobre e descobre seu amor pela música punk. É uma adaptação da graphic novel homônima que a diretora Marjane Satrapi publicou como forma de registrar sua biografia e denunciar a repressão praticada pelo regime de seu país.

Apesar do contexto histórico, o longa se concentra mais no desenvolvimento subjetivo da personagem e na maneira como ela reage e apreende o mundo e o contexto político ao redor. Outro aspecto que chama a atenção é o formato.

O uso do desenho, tanto em preto e branco quanto em cores, ajuda a dar leveza às situações e realça os momentos divertidos do enredo.

DC - Cavaleiro das Trevas (2008)

Batman - O Cavaleiro Das Trevas (2008) tem como plano central a desconstrução do herói. E nisso o Coringa é totalmente responsável. Ele primeiro deseja a identidade secreta do Batman, depois deseja à morte daquele que sabe essa identidade.

Além disso, ele consegue transformar Harvey Dent, o "cavaleiro de armadura branca" no insano Duas-Caras. Vemos referências aos quadrinhos (Batman #1 (1940), Piada Mortal). As mudanças nos mitos não são absurdas e insuportáveis e o elenco é primoroso.

Os quadrinhos, à princípio, eram um formato estático, impresso. A caricatura do gênero começou a ganhar vida e movimentos com as animações.

Azul É A Cor Mais Quente (2013)

A diferença do título, assim como do nome da protagonista do filme, evidencia a distância do filme de Abdellatif Kechiche (2013) em relação ao romance gráfico de Julie Maroh, de que a obra do diretor franco-tunisiano constitui uma adaptação livre.

Além do distanciamento e da liberdade assumidos por Kechiche em relação à obra adaptada, mesmo nos dois capítulos de sua vida em que consiste o filme, o azul pertence, sobretudo, ao primeiro, quando Adèle conhece Emma, a garota de cabelos azuis, e as duas iniciam sua intensa relação; o segundo mostra a rarefação, a diluição do azul, desde logo, pela mudança da cor dos cabelos de Emma, que prenuncia, de alguma forma, as transformações pelas quais passa sua relação com Adèle.

Marvel - Saga do Infinito (2008-2019)

O MCU fez algo sem precedentes: adaptou toda uma saga para o cinema. Foram mais de 10 anos que desaguaram em Vingadores - Ultimato (2019), o ato final da Saga do Infinito.

A trama é baseada em mais de uma história em quadrinhos da Marvel Comics.

Elas são conhecidas como Trilogia do Infinito e foram publicadas no começo dos anos 1990. A saga engloba Thanos - Em Busca de Poder (Thanos Quest #1 e #2); Desafio Infinito (Infinity Gauntlet, volumes #1 a #6) e, por fim, Guerra Infinita. Cruzada Infinita também costuma ser incluída na saga, dependendo da publicação.

Quer conhecer outras adaptações para o cinema? Não perca nosso texto especial sobre o tema: "Adaptações para o cinema: livros, quadrinhos, videogames e animações"!


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