Na quarentena com Leandro Hassum: comédia, ócio e projetos

O Cineclick teve uma conversa exclusiva com o comediante

09/06/2020 13h30

O ator e comediante Leandro Hassum começou no teatro quando tinha apenas 16 anos, mas foi só quando entrou em Zorra Total, programa humorístico da Rede Globo, no começo dos anos 2000, que sua fama decolou. Agora, com mais de 30 filmes e diversas séries e programas no currículo, o apresentador do programa Tá Pago, da TNT, é um dos nomes mais conhecidos e rentáveis da comédia do Brasil. "Sou um cara movido por desafios", ele diz.

Hassum, que sempre foi ativo nas redes sociais, tem aproveitado a quarentena para ajudar o próximo, apoiando e divulgando diversas campanhas sociais, além de participar de algumas iniciativas como um stand-up virtual, que considerou desafiador. "Eu acredito que teremos uma revolução em todos os setores, e na arte não será diferente. Este é o maior dos talentos do ser humano: se reinventar", afirma.

Confira a entrevista abaixo:

Você tem alguns projetos que, por conta do coronavírus, foram adiados, como o filme dos Minions 2 e a série Casa Paraíso, do Multishow. Pode nos contar um pouco sobre essas produções e outras que tem engatilhado para esse ano e o próximo?

A nossa programação do ano foi completamente impactada. Em abril estrearia o meu novo show em turnê nacional, É Nóixx Família, começando por São Paulo, e no mesmo período iniciaríamos as gravações do sitcom Casa Paraíso, do Multishow. Ambos foram adiados. Outra obra com exibição adiada foi o filme dos Minions 2, em que dublo Gru na versão para o Brasil. O lançamento foi para 2021.

Para o segundo semestre agora, possivelmente em setembro, temos a expectativa de produzir a segunda temporada do meu programa Tá Pago, pela TNT, e seguir a princípio em novembro com a produção da Casa Paraíso. Ainda não sabemos como tudo vai evoluir. Vivemos dia após dia no planejamento dos projetos.

Além disso, estarei agora em julho no Brasil levando um pouco do que posso doar neste momento, por meio de show e performance em formato drive-in, pois acredito que precisamos nos conectar com a alegria... Esse sempre foi meu propósito e, apesar das dificuldades por que tantos estão passando, sei que podemos ter o humor como grande aliado, uma espécie de filtro da dor de todos nós.

Como foi sua experiência com o programa Vai Passar!, do canal Multishow?

O Multishow carinhosamente me convidou para o projeto e foi muito bacana fazer parte deste movimento. Uma das coisas que afeta o ator ou artista, nesse cenário de isolamento social, é a distância do palco e das pessoas que nos assistem e nos retroalimentam com as suas reações, assim como a impossibilidade de atuar. Para mim, é como se faltasse oxigênio. Ócio criativo só é bom quando você opta por ele, quando é algo forçado não é prazeroso.

Foi muito bacana e diferente de tudo o que já fiz gravar remotamente, sozinho, ouvindo o direcionamento pelo computador ou pelo telefone. Sem dúvida foi uma experiência enriquecedora e desafiante. Ficou divertido e alto astral. E, assim já fui batizado e inserido neste time tão talentoso do canal, para dar um gostinho de como vai ser bom produzir logo logo a Casa Paraíso e trazer de volta tantos atores e comediantes da melhor idade para o programa.

Ter meus queridos Cacau Protásio, Paulinho Serra, Monique Alfradique, Ataíde Arcoverde, Guida Vianna, entre tantos outros talentos. Vamos unir a velha guarda da comédia e os talentos atuais para colorir as nossas noites, numa casa de repouso superdivertida e cheia de trapalhadas. Estou ansioso!

Você participou recentemente da live Risadaria em Casa, com o Porchat e outros grandes nomes da comédia. Como foi fazer esse stand-up virtual?

Eu já faço parte do Risadaria há um bom tempo com meu grande amigo Paulo Bonfá. Esse foi mais um desafio, porque a comédia, especialmente no formato de stand-up, depende muito do calor do público, das risadas, do retorno que o público dá a uma piada... Tudo isso dita muito o andamento do que vai ser criado e construído no minuto seguinte, então é desafiador olhar pra uma câmera sem vida e reação, com ninguém para te xingar ou dormindo na primeira fila, sabe? Mas sou um cara movido por desafios, ainda mais neste "novo normal" que não conhecemos ainda. Temos que abrir a mente e arriscar coisas novas e novos formatos. Acredito que teremos uma revolução em todos os setores, e na arte não será diferente. Este é o maior dos talentos do ser humano, se reinventar. Surgirão muitas coisas criativas e inovadoras em geral.

O slogan "rir é o melhor remédio" nunca foi tão certeiro e necessário como nessa pandemia que estamos vivendo. No seu Instagram você tem postado vários vídeos focados na sua experiência vivenciando a quarentena. Sentiu alguma diferença no engajamento do público?

Este é um jargão que uso em minha carreira e na minha vida. No início tive meus momentos de medo, angústia e preocupações, mas resolvi procurar nas situações do isolamento social motivos para suavizar nossas dores e, de uma forma mais bem humorada, compartilhar com as pessoas que me acompanham e que possam se identificar com minhas experiências. Sempre busquei fazer minha comédia focada na identificação de quem está me assistindo, seja na tela do cinema ou da televisão, no palco do teatro, nas dublagens ou nas minhas redes sociais. Desejo que, ao assistir, as pessoas se conectem e pensem "nossa, isso acontece comigo também" ou "nossa, isso já passou pela minha cabeça". Por mais que obviamente eu traga o exagero do humor, sempre é na intenção de mostrar que estamos junto em várias situações.

Ouvi uma frase outro dia que faz todo sentido para mim: "Nós estamos todos na mesma tempestade e no mesmo oceano, mas estamos em barcos diferentes. Há quem esteja passando pela tempestade num iate, outros em botes e há ainda quem esteja a nado. Logo não dá para falar que todo mundo está no mesmo barco". Então, além de fazer e estimular as campanhas para doações, suporte e reconstrução do todo, que são super importantes, quero me doar nesse momento. Que seja o meu acalento ou um sorriso, mesmo que de canto de boca e que ainda venha acompanhado de uma lágrima nos olhos, mas se você conseguir por um segundo sorrir, eu me sentirei presenteado.

Os números de engajamento e audiência nunca foram meus objetivos, mas sim colaborar e fazer alguma mínima parte na "cura" das emoções tão atingidas e em desequilíbrio neste momento. Amo receber retorno por comentários ou mensagens que mostram que estamos conectados e vibrando para o universo, na alegria de estarmos unidos pela esperança que sempre moveu a humanidade.

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