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    Relembre o crime do 'Ônibus 174'; filme completa 19 anos

    Documentário sobre caso é um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos
    Por Daniel Reininger
    06/12/2021 - Atualizado há cerca de 2 meses

    Um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo a Abraccine, Ônibus 174 é um documentário brasileiro dirigido por José Padilha sobre o sequestro do ônibus 174 por Sandro Barbosa do Nascimento, em 2000, na zona sul do Rio de Janeiro. 

    Esse se tornou um dos crimes mais chocantes do Brasil, com desfecho trágico e o longa de Padilha analisa como tudo isso aconteceu. 

    No aniversário do longa, vamos relembrar o caso e o filme.

    O filme

    O sequestro do ônibus 174 foi transmitido ao vivo pela televisão, mas o foco do filme de Padilha é como o sequestrador foi vítima de um processo de exclusão social. O documentário mostra como o rapaz se voltou ao crime por falta de escolha, após ser um dos sobreviventes da Chacina da Candelária, no qual oito jovens de rua foram assassinos em 1993.

    O documentário mostra o processo de transformação da criança de rua em bandido e reflete sobre as as causas da violência nas grandes cidades do Brasil. Um dos relatos é o de Sandro ter presenciado o assassinato de sua própria mãe aos 8 anos de idade.

    O longa recebeu quatro indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil de 2003 e foi premiado em diversos festivais, como: Festival de Havana de 2003,  Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, de 2002, Mostra Internacional de Cinema São Paulo, de 2002. E venceu o Emmy Awards de 2005 como melhor documentário.

    Caso

    No dia 12 de junho de 2000, às 14h20m, o ônibus da linha 174 (atual Troncal 5) (Central–Gávea) da empresa Amigos Unidos foi sequestrado.

    Tudo aconteceu no bairro do Jardim Botânico, onde o ônibus ficou parado por quase 5 horas quando Sandro Barbosa do Nascimento, sobrevivente da Chacina da Candelária, invadiu o transporte.

    Com bermuda, camiseta e um revólver calibre 38 à mostra, Sandro pulou a roleta e sentou-se próximo a uma das janelas. Vinte minutos depois, um dos passageiros conseguiu sinalizar para um carro da polícia, que então interceptou o veículo.

    O motorista, o cobrador e alguns passageiros conseguiram escapar, pulando pelas janelas e usando a porta traseira, mas dez passageiros foram tomados como reféns pelo sequestrador. O sequestrador chegou a atirar contra o vidro do ônibus a fim de intimidar os fotógrafos e cinegrafistas no local.

    Willians de Moura foi o primeiro a ser liberado, assim, o sequestrador ficou  com  reféns apenas do sexo feminino.

    Sandro então obrigou Janaína Neves e escrever nas janelas, com batom, frases como: "Ele vai matar geral às seis horas" e "ele tem pacto com o diabo".

    Após um tempo, Sandro libera também uma mulher chamada Damiana Nascimento Souza, que já tinha sofrido dois AVCs e, durante o sequestro, acabou tendo um terceiro derrame.  

    Um dos momentos de maior tensão foi quando o assaltante andou de um lado para o outro com um lençol na cabeça de Janaína. Segundo ela, Sandro afirmou que iria contar de um até cem e a mataria. Sandro contava pulando os números e, ao chegar no número cem, fez a refém se abaixar e fingiu dar-lhe um tiro na cabeça. Após isso, fez ameaças: "delegado, já morreu uma, vai morrer outra".

    Caso do Onibus 174Reprodução

    Tragédia

    Às dezoito horas e cinquenta minutos, Sandro decidiu sair do ônibus usando a professora Geísa Firmo Gonçalves como escudo. 

    Ao descer, um policial do Grupamento de intervenção tática tentou alvejar Sandro com uma submetralhadora e acabou errando o tiro, acertando a refém de raspão no queixo.

    A reação do bandido foi se abaixar, usando a jovem como escudo e disparamdo à queima roupa atingindo as costas de Geisa.

    Com a refém morta, Sandro foi imobilizado, enquanto uma multidão correu para tentar linchá-lo, mas ele foi colocado na viatura, onde morreu. 

    Segundo a polícia, Sandro chegou a quebrar o braço de um policial e morder outros ao tentar tirar uma arma deles, por isso foi morto por asfixia pela polícia.  

    Os policiais responsáveis pela morte de Sandro foram levados a julgamento por assassinato, mas foram declarados inocentes.  

    Geísa Firmo Gonçalves foi enterrada em Fortaleza, no cemitério do Bom Jardim. O funeral reuniu mais de 3.000 pessoas.

    Assista

    O impactante documentário merece ser visto, afinal é emocionante e traz importantes reflexões. O longa está disponível na Globoplay e no Telecine Play.

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