RIO 2011: Apagão interrompe sessão de Girimunho e prejudica apreensão do filme

Cine Odeon ficou cerca de 20 minutos sem energia; blecaute atingiu dez estados brasileiros

09/10/2011 12h32





















Um apagão na noite de sábado (8/10) deixou às escuras dez estados brasileiros. Nem o Cine Odeon, na central Cinelândia, escapou: por volta de dez minutos após o início da sessão de Girimunho, longa-metragem nacional em sua primeira sessão no Brasil após ter passado pelos festivais de Veneza, Toronto e San Sebastián, , acabou a luz do cinema.

A surpresa, porém, veio quando Andreia Cals, mestre de cerimônias do festival e coordenadora da Première, subiu ao palco do Odeon para avisar os espectadores que não tinha sido um problema exclusivo do cinema, mas da cidade. Em pouquíssimo tempo, empunhados com iPhones, os espectadores descobriram pelo Twitter outras regiões vitimadas pelo apagão.

Aos poucos, cada um trazia um lugar novo. Botafogo... Laranjeiras … Ipanema... Vila Isabel... Com a falta de energia, cerca de um terço da sala saiu e não voltou para ver o filme depois de vinte minutos, quando a energia foi restabelecida no Odeon.

A vítima do apagão foi obviamente Girimunho, o filme, que deu o azar de ter a projeção interrompida por conta do blecaute. Uma pena para um filme que se esforça tanto, já no começo, em criar uma ambientação e trazer o espectador para sua proposta de dramaturgia de pessoas que reconstituem ficcionalmente suas vidas na tela.

Não é tão simples aderir à composição do filme. Mergulhadas num sertão que parece ter saído das páginas de Guimarães Rosa, temos Dona Maria do Boi e Dona Bastú, duas senhoras que não são atrizes, mas reconstroem detalhes de sua vida para a câmera: o batuque, a morte, o tempo, a memória, os netos são temas que gradativamente se desenvolvem.

Porém, não no registro de O Grão, ficção que vai para o sertão nordestino ambientar o rito de passagem de uma senhora percebido por seu neto. Girimunho é outra coisa que não se encaixa sequer no clichê de filme que borra a fronteira entre documentário e ficção. O longa-metragem de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina está mais próximo de O Céu Sobre os Ombros, grande vencedor do Festival de Brasília em 2010, e sequer parece tomar isso como uma questão de fato. O cerne, para eles, parece ser encontrar a verdade de um local e de seus personagens, sendo a abordagem escolhida a única que lhes pareceu capaz disso.

Por isso, o apagão foi um imenso balde de água fria. Uma vez interrompida a sessão, o pacto de adesão foi quebrado e sofridamente reconstruído após a volta da energia, mesmo com toda a beleza das imagens. Torna-se imperioso, então, rever o filme em condições saudáveis antes de tecer comentários precipitados.

Serviço

Sessões de Girimunho no Festival do Rio

Domingo (9/10), às 15h, no Pavilhão do Festival [PV004]
Segunda-feira (10/10), às 17h50, no Estação Vivo Gávea 3 [GV317]
Segunda-feira (10/10), às 22h10, no Estação Vivo Gávea 3 [GV319]
Terça-feira (11/10), às 14h, no Roxy 3 [RX017]
Terça-feira (11/10), às 19h, no Roxy 3 [RX019]


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus