Saiba como A Origem, de Christopher Nolan, marcou a década

O longa sobre sonhos com Leonardo DiCaprio continua espetacular

26/07/2020 17h00

Por Alexandre Dias

Christopher Nolan é um dos cineastas mais conceituados do cinema blockbuster nos dias atuais, o que se deve à reputação que construiu em cima do trabalho de ideias complexas em grandes produções. Prestes a lançar Tenet, exemplo dessa mesma linha de projeto, ele conseguiu colocar a sua marca em muitos filmes, mas um deles é até hoje um dos seus pomos de ouro: A Origem.

O longa completa dez anos em 2020, tendo estreado em julho de 2010 nos Estados Unidos e em agosto do mesmo ano no Brasil. Desde então, é uma das referências na carreira do diretor, incorporada em exemplos como Doutor Estranho e até por ele mesmo, no próprio Tenet

Com o aniversário do filme, vamos destrinchar os seus prinicpais méritos para lembrá-lo do porquê estamos falando de um espetáculo visual:

Conceitos de Nolan

O cineasta é conhecido por trabalhar conceitos naturais do dia a dia dos seres humanos, de uma forma que caminha entre o realismo e a fantasia. Em Amnésia, por exemplo, o diretor investe na dinâmica das lembranças, quando coloca um homem que sofre de perda de memória recente para refazer seus passos. Em A Origem, o foco é no mundo dos sonhos. Obviamente, esse é um tema recorrente no cinema, então qual foi o mérito da abordagem em questão? 

Sem dúvida, se deve ao fato do assunto estar intrinsecamente ligado à narrativa. Não é um pano de fundo, e sim a própria história. Na trama, Cobb (Leonardo DiCaprio) é um especialista em invadir mentes e roubar segredos, porém a missão principal dele se torna a contrária: plantar uma ideia em um executivo. 

Todas as explicações que Nolan faz sobre como funciona o sonho e a nossa humanidade vista a partir dele é muito precisa, pois têm sentido dentro do "exagero" que a arte permite. 

Técnica

Além dos sonhos estarem atrelados à história, a parte técnica do longa também se aproveita disso. Afinal, como não lembrar da apresentação desse universo abstrato feita por Cobb a Ariadne (Ellen Page)? Os prédios em movimento são inesquecíveis! 

Os efeitos visuais são deslumbrantes e, mais uma vez, contribuem para a trama. Há um determinado momento decisivo do longa que é a prova cabal disso, pois traz diversas situações em câmera lenta; esse é um velho artifício da mídia cinematográfica para deixar o espectador apreensivo, o que seria justo isoladamente, porém está relacionado com o modo como o tempo acontece no mundo dos sonhos. 

Sem mencionar as cenas de ação, que também são empolgantes. Apesar do marco digital da produção, Nolan nunca abandona os efeitos práticos, algo que pode ser notado principalmente nas perseguições de carros.

Dinâmica

Normalmente, Nolan procura trabalhar esses conceitos mais abstratos em histórias de investigação, sejam de policiais ou bandidos. Em Amnésia é um assassinato; A Origem e o vindouro Tenet são voltados para a espionagem. Dessa forma, ele consegue dinamizar uma história muito conceitual, sem torná-la algo necessariamente didático. 

O compositor e habitual parceiro do cineasta, Hans Zimmer, como de costume também auxilia nesta tarefa. A trilha sonora dá a sensação ao público de que estamos diante de um quebra-cabeça sendo montado com cautela, para que a grandiosidade da história seja gradativa. 

As peças são quase pequenas missões, portanto o espectador não fica perdido. Podemos notar essa característica no recrutamento de Cobb da equipe para participar da missão. 

DiCaprio e elenco

Leonardo DiCaprio merece um destaque à parte porque A Origem está no intervalo de tempo em que ele catapultou a carreira e se mostrou um dos melhores atores da sua geração. Nos cinco anos anteriores, ele participou de projetos como Os Infiltrados e Ilha Do Medo, enquanto nos cinco anos seguintes vieram O Lobo De Wall Street e Django Livre.

Mesmo com essa lista de obras-primas, o seu desempenho em A Origem é exemplar; o seu trauma emocional é sentido na pele e o conhecimento do mundo dos sonhos é crível. Aliás, cada membro do seu time traz muito carisma, com destaque para Tom Hardy e Joseph Gordon-Levitt.

Esses dois últimos voltaram a colaborar com Nolan em Batman: O Cavaleiro Das Trevas Ressurge. Geralmente, o diretor carrega os seus preferidos consigo e, além desses casos, há os ótimos Ken Watanabe (Batman Begins), Cillian Murphy (Dunkirk) e Marion Cotillard (também de O Cavaleiro das Trevas Ressurge).

Final aberto

Cuidado com os spoilers! 

O famigerado final do filme. Nolan conseguiu criar uma discussão eterna sobre o último take do peão rodando, que indicaria que Cobb supostamente poderia estar sonhando. O próprio DiCaprio comentou no início do ano sobre a conclusão: 

"O que aconteceu? Eu não tenho ideia", afirma o ator em participação no podcast WTF (via IndieWire). Já Michael Caine (o Alfred da trilogia O Cavaleiro das Trevas) disse em 2018 que todas as cenas que ele participou não eram sonho e ele está nesta. 

Ainda assim, como a declaração do intérprete de Cobb comprova, o nó na cabeça do público sempre estará presente. E, afinal, não poderia ser diferente com um filme que segue explodindo as nossas cabeças como A Origem

Confira o trailer do longa:


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