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    Se tivesse outra criação, Chico Xavier seria budista, afirma Daniel Filho

    Por Heitor Augusto
    24/03/2010

    Mito, aproveitador, santo, fraude, guia, coerente, pacifista. Estes e outros adjetivos já foram atribuídos ao médium Francisco Cândido Xavier, mas, com o lançamento da cinebiografia Chico Xavier, a lista de elogios ou críticas à persona pode aumentar.

    “Não poderia dirigir sem entrar na cabeça dele”, afirmou o diretor Daniel Filho em coletiva para a imprensa nesta quarta-feira (24/03) em Paulínia. Essa “entrada na cabeça” do personagem, além de ser uma exigência básica do cinema, justifica-se porque o diretor, ateu, foi dialogar com o universo espírita.

    Aí entram produtores, distribuidores, elenco para tirar o rótulo de “filme religioso” e tentar posicioná-lo como “filme sobre um grande brasileiro”. Inicia o coro Nelson Xavier, que interpreta Chico Xavier de 1969 a 75, período no qual sua imagem se espalhou por todo o Brasil. “Ele foi uma revolução na minha vida. Ele me convenceu de que a gente precisa acreditar no amor”.

    Marcel Souto Maior, autor do livro que dá base ao roteiro de Marcos Bernstein, analisa porque o médium ultrapassou crenças. “Ele desconcerta os céticos. Chico tinha sentido de missão, doação integral ao outro e aceitação das dores e obstáculos, além de ter uma história de vida coerente com o que acreditava”.

    Chico Xavier, que estreia em 2 de abril, condensa acontecimentos de 1918 a 1975 e é dividido em infância (interpretada por Matheus Costa), marcada pela perda da mãe e o aparecimento dos primeiros sinais de mediunidade; idade adulta (Ângelo Antônio), na qual aprimora a disciplina espírita; e a velhice, imagem que a maioria dos brasileiros guarda na memória.

    Foram despendidos R$ 11 milhões na produção, mas Rodrigo Saturnino, da Sony, codistribuidora com a Downtown, nega-se a fazer uma estimativa de público e foge do chutômetro. “Apenas podemos propiciar ao filme chegar ao seu público, qualquer que seja”. Em números, significa que a distribuidoras devem lançar o filme com 300 a 400 cópias.

    Como manter a unidade de interpretação quando três atores interpretam os mesmos personagens em períodos diferentes? “Ensaiamos durante um mês e meio, especialmente a voz”, explica o diretor Daniel Filho.

    Outra dificuldade para a direção foi materializar Emmanuel, o espírito guia de Chico Xavier. “Há alguns desenhos dele e, para Chico, ele existia. Não podia apenas representar um espaço vazio”. No filme, ele aparece diversas vezes.

    Na visão de Daniel Filho, se Chico Xavier não tivesse crescido tão próximo do catolicismo, ele poderia ser budista. “Eu não sou aprofundado em religiões, mas tenho a sensação de que ele se aproximava de coisas que eram professadas de maneira mais forte no budismo”.