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    Se você gostou de Fleabag, precisa ver I May Destroy You

    Criada e estrelada pela magnífica Michaela Coel, a minissérie é um relato pessoal e marcante
    Por Thamires Viana
    03/02/2021 - Atualizado há 25 dias

    I May Destroy You, série criada e protagonizada por Michaela Coel, era um dos nomes cotados para integrar a lista de indicadas à categoria de Melhor Série Dramática no Globo de Ouro 2021, no entanto, isso não aconteceu.

    Lançada no primeiro semestre de 2020 no catálogo da HBOGo, a atração inglesa chamou a atenção daqueles mais atentos às produções dramáticas por mesclar o humor ácido a uma dura realidade. Em 12 episódios, Coel usa a ficção para exorcizar uma situação traumática de abuso vivida há alguns anos. 

    Embora tenha recebido 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, site especializado em críticas, I May Destroy You não recebeu a devida atenção que, de fato, merecia. Por isso, essa matéria tem como objetivo te apresentar a atração para você apertar o play agora mesmo!

    I May Destroy You

    Ambientada em Londres, país de origem de Michaela, a atração é como um processo de cura para a autora. Na trama, ela vive Arabella, uma escritora londrina que está com a vida perfeita: tem um grupo de amigos por perto, um namorado que vive na Itália e uma promissora carreira pela frente. 

    Em uma noite, ela dá uma pausa na escrita de seu novo livro para se encontrar com uma amiga em um bar, mas acaba sendo abusada sexualmente por estranhos que colocam drogas em sua bebida. Agora, Arabella precisa não só superar esse trauma, como também buscar justiça e reconstruir a sua vida.

    A premissa de I May Destroy You segue o trauma vivido pela autora na vida real. Em 2016, enquanto estava à frente de Chewing Gum, outra série criada por ela, a inglesa foi abusada sexualmente depois de ter seu drink "batizado" em um bar local. Na ocasião, assim como retratado na trama, Michaela saiu para encontrar com uma amiga e acabou se tornando vítima de estranhos.

    Escrever [I May Destroy You] foi definitivamente catártico. Eu gostava de passar pelos diferentes estágios de luto, da depressão à descrença e à aceitação. Foi muito terapêutico. Meu discurso não foi apenas sobre o ataque de Arabella. Eu queria ampliar a maneira como exploramos a agressão sexual e o consentimento", contou ela em entrevista ao site InStyle no pré-lançamento da série.

    A atração ainda circula pelos desafios de jovens adultos em relação à profissão, à homossexualidade e destaca a importância da valorização da amizade. Embora aborde uma narrativa delicada e dolorosa, I May Destroy You traz para alguns de seus episódios um humor ácido, até mesmo comum em produções inglesas, que caracterizam ainda o tom de escrita único que Michaela traz para suas criações. 

    E em que se parece com Fleabag?

    Phoebe Waller-Bridge em Fleabag (2016)Reprodução

    A comparação com Fleabag, um dos maiores sucessos da carreira de Phoebe Waller-Bridge e ganhadora do Emmy de Melhor Série de Comédia em 2019, se dá não só pela trama em si, mas também pela forma como o humor foi usado pelas duas autoras para criar uma camada de "proteção" ao contar histórias delicadas. Ambas as personagens enfrentam o luto, cada uma à sua maneira. 

    Em Fleabag, a personagem título lida com a morte de sua melhor amiga e sócia, enquanto em I May Destroy You, Arabella vive o luto de ter tido sua própria vida devastada por estranhos após os abusos sofridos.

    Na série de Waller-Bridge, vemos o mergulho na mente dessa mulher que, embora seja autêntica, destemida e cheia de conflitos internos, cria como sua característica principal o uso da acidez no humor, além da quebra da quarta parede que deixa tudo ainda mais significativo! 

    Em ambas as produções, a inquietude das protagonistas se aproximam do público, assim como as situações muitas vezes vividas por quem assiste criando identificação com suas próprias dores.

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    Michaela Coel

    Michaela Coel em cena de I May Destroy YouReprodução

    Nascida em Londres, Inglaterra, a roteirista, atriz, dramaturga, cantora e compositora de 33 anos é um dos nomes para se guardar na mente. 

    Dona de um talento brilhante, Michaela chama a atenção dos críticos desde a estreia de Chewing Gum, série criada por ela em 2015 e inspirada na sua peça teatral apresentada na Guildhall School of Music and Drama, em 2012, como projeto de formatura. A atração venceu o Prêmio BAFTA de Melhor Comédia Feminina e colocou Michaela no radar de Hollywood.

    De lá para cá, ela estrelou outras produções de renome como o episódio USS Callister, primeiro da quarta temporada de Black Mirror, a série Black Earth Rising, thriller dramático da Netflix, e o filme musical No Ritmo da Sedução, outra produção original do serviço de streaming americano.

    Com I May Destroy You, Michaela foi ovacionada pela crítica especializada, saindo vencedora do Gotham Independent Film Awards e Independent Spirit Awards em 2020.

    A minissérie tem ao todo 12 episódios que variam de 25 a 30 minutos e está disponível no catálogo de streaming HBOGo

    Trailer oficial