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    Série 3%: "O Brasil, de uma maneira, já é uma distopia", diz Bianca Comparato

    3% estreia na próxima sexta-feira, 25, na Netflix
    Por Daniel Reininger
    21/11/2016

    A série 3%, primeira produção brasileira da Netflix, chega ao serviço de streaming nesta semana com um mundo distópico, marcado pela desigualdade social e meritocracia. Com direção de César Charline, de O Banheiro Do Papa e diretor de fotografia de Cidade De Deus, a trama mostra um Brasil em ruínas, onde a população só tem uma chance de melhorar a sua vida ao ser escolhido para morar em Mar Alto - e somente 3% conseguirão.

    Durante a coletiva de imprensa que aconteceu nesta segunda-feira, no Hotel Grand Hyat, em São Paulo, com a presença dos atores João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes, Vaneza Oliveira, Rodolfo Valente, Viviane Porto e do criador, Pedro Aguilera, a equipe comentou sobre a série e a mensagem que ela procura levar ao público.

    Pedro explica como tudo começou em 2009, quando tinha 20 anos e era estudante de cinema da USP. Influenciado por clássicos como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell, ele começou a criar a história com clima totalitário no qual um único processo seletivo definiria a vida de milhões, em relação direta com a pressão dos jovens com Vestibular ou busca pelo primeiro emprego.

    "Na época surgiu um edital do Ministério da Cultura para ajudar a desenvolver seriados para o público jovem e pensei que seria legal criar uma situação distópica que se passasse no Brasil, algo que fosse relacionado com o que eu sentia. Eu queria tratar de distopia, mas com temas brasileiros e atuais", conta.

    A Netflix apostou na produção, que nasceu como websérie, mesmo após tantas TVs fecharem às portas para o conteúdo. Entretanto, se depender da temática, promete ser agradar, afinal, Bianca Comparato, protagonista de 3% e atriz conhecida por Sessão de Terapia, compara a obra com outro sucesso da Netflix: "É como Black Mirror. E digo que é como Black Mirror no sentido de dizer que é uma série sobre um futuro, mas, na verdade, é uma série sobre a gente mesmo". E ela conclui: "O Brasil, de uma maneira, já é uma distopia".

    3%, série da Netflix

    Para o ator João Miguel, a série trabalha bem a diversidade. "Todos os personagens têm suas contradições. Eles se contradizem, cada um da sua maneira, com a sua história. São diferentes sotaques, pessoas de diferentes lugares. Aparentemente, é ficcional, mas a série é um reflexo da sociedade o tempo todo", explica.

    A maioria dos atores protagonistas é desconhecida, como é o caso de João Miguel, além de Vaneza Oliveira, Viviane Porto, Michel Gomes e Rodolfo Valente. Todos se mostraram muito empolgados com o projeto e não pouparam elogios à Netflix. No caso de João, ele tinha uma dificuldade a mais: viver um cadeirante. "Eu assisti o piloto na internet e fiquei completamente alucinado e queria muito fazer. Eu cheguei com sangue nos olhos", conta.

    Para Bianca, o motivo de entrar nesse universo foi simples: "A primeira coisa que me atraiu foi a ideia da segregação. 3% versus 97%. É a mensagem que a série passa. Não sabia nem como seria, mas isso já estava claro".

    Trabalhar com metáforas para a realidade sempre foi um dos objetivos da equipe. "Ser algo brasileiro era muito importante para nós. Existe essa ideia de distopia, de uma desigualdade proposital na série, mas que é até muito bem aceita pelas pessoas ali. O Mar Alto não é perfeito também", completa Aguilera, que ainda comenta sobre a Meritocracia na trama. "Tentamos argumentar sobre os dois lados e deixar o público opinar sobre o tema", finaliza.

    3% estreia na próxima sexta-feira, 25, no serviço de Streaming. A produção brasileira estará disponível nos 190 países com acesso ao serviço. O Netflix apresenta a série também na Comic-Con Experience, que acontece entre dias 1 e 4 de dezembro no São Paulo Expo.

    Confira o trailer: