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    Sexo no cinema já foi até tabu, mas aos poucos ganha visões mais realistas

    Entenda como as relações sexuais são retratadas na tela
    Por Daniel Reininger
    26/02/2021 - Atualizado há cerca de 2 meses

    O sexo é retratado no cinema desde os seus primórdios em tramas que permitem ao espectador se descontrair, se empolgar ou, muitas vezes, gerar incômodo. Governos já baniram filmes por cenas de sexo, enquanto em outros países a violência é mais tolerada nas telas do que o amor entre duas pessoas. Seja como for, o sexo tem um longo caminho e é retratado tanto de forma saudável, como tóxica.

    Cenas de sexo ou eróticas podem ser encontradas em uma ampla gama de gêneros e subgêneros, como dramas, thrillers comédias, filmes de amadurecimento, longas românticos, entre outros. 

    As cenas de amor, eróticas ou não, estão presentes no cinema desde a era muda. Mas não confunda com um filme pornográfico, quando o sexo não reivindica qualquer mérito artístico.

    Para minimizar o risco e porque o ator pode se sentir vulnerável ao filmar uma cena de sexo, acordos são assinados antes das filmagens. Neles, os termos específicos são negociados, incluindo detalhes como quais serão os arredores do estúdio quando as cenas serão filmadas.

    Sexo no mundo

    A Europa saiu na frente ao tratar a sexualidade com naturalidade. Pedro Almodóvar, da Espanha, é um diretor renomado e conhecido por incluir erotismo em muitos de seus filmes. Tinto Brass, da Itália, dedicou sua carreira a trazer a sexualidade explícita para o cinema convencional. Já o primeiro orgasmo feminino aconteceu em 1933 no filme Ecstasy.

    Em Hollywood, a inclusão da sexualidade tem sido controversa desde o desenvolvimento do cinema. Beijos, por exemplo, eram considerados escandalosos. Até os anos 1970, cineastas podiam ter problemas com o menor dos detalhes, visto como algo sexual.

    Os filmes de terror ajudaram a mudar isso, mas ainda não mostravam o sexo com bons olhos, afinal, era comum ver os personagens envolvidos em relações sexuais serem alvos do antagonista e mortos grotescamente.

    No Brasil dos anos 1970 e 1980 o sexo foi muito explorado nas chamadas Pornochanchadas, talvez o gênero mais emblemático da história do nosso cinema. Baseada nas comédias italianas e com forte teor erótico, à exemplo de A Viúva Virgem (1972), do cineasta Pedro Carlos Rovai, as películas dessa corrente duraram até o fim da década de 1980. Era preciso incluir nudez e sensualidade nas produções a fim de atrair o público masculino aos cinemas.

    Além disso, na década de 1970, filmes como Dona Flor E Seus Dois Maridos (1976), do cineasta Bruno Barreto, faziam bastante sucesso.

    Cena do filme Ecstasy (1933)

    Cena do filme Ecstasy (1933) Reprodução
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    Sexo em filmes e séries

    Hollywood historicamente retrata uma visão higienizada e centrada no homem da sexualidade. Claro, existem exceções à regra, mas filmes como Beleza Americana deixam isso claro. O longa ganhador do Oscar mostra um homem mais velho interessada na amiga adolescente da filha e tudo ao redor da trama acontece como uma fetichização desse fato.

    Cinquenta Tons de Cinza é outro exemplo de fetichização do corpo feminino e uma visão masculina do sexo. O longa se propõe a tratar da arte do BDSM, também conhecido como sadomasoquismo, mas o filme lida muito pouco com essas práticas e não aprofunda o tema realmente. Da forma como é mostrada, apenas reforça a machismo da relação sexual.

    O Brasil saiu da fase das pornochanchadas na época da retomada (final dos anos 90), mas a relação com o sexo ainda é centrada na visão masculina e, muitas vezes, fetichizada. Em Bruna Surfistinha, por exemplo, Deborah Secco vive a prostituta mais famosa do Brasil, com diversas cenas onde seu corpo é erotizado. Além disso, glamouriza a profissão da garota de programa.

    Cena de Bruna Surfistinha Reprodução

    Mas também existem longas e séries capazes de tratar o assunto com leveza e trazer discussões válidas:

    Filmes como Sex Tape: Perdido Na Nuvem, protagonizado por Jason Segel e Cameron Diaz, discute o sexo do âmbito de um casal junto há algum tempo e como as mudanças na vida de cada um impactam a relação. O destaque vai para a cena em que eles gravam a sex tape.

    Sex Education é uma das séries mais didáticas sobre o assunto, especialmente por ser focada no público adolescente. A série mostra as descobertas dos jovens e as dúvidas comuns a muitas pessoas em sua iniciação sexual, tentando desmistificar muitas questões tratadas como tabu.

    Homens? discute a sexualidade para cada gênero e o quanto o machismo está intrínseco na nossa sociedade, o que acaba por refletir nas relações sexuais. 

    Missão Madrinha de Casamento traz uma cena muito boa, quando Kristen Wiig diz a um frenético Jon Hamm: “Acho que talvez estejamos em ritmos diferentes aqui”, em uma cena que destaca de forma brilhante a importância da comunicação eficaz durante o sexo.

    De Pernas para o Ar, por exemplo, desmistifica as sex shops e o sexo, com uma visão feminina do tema.

    E você, tem lembra de algum filme que trata o sexo de maneira positiva? 

    Cena da série Sex EducationReprodução