Solteira Quase Surtando: Gui Agustini defende cinema nacional

O ator do filme conversou com o Cineclick sobre vários assuntos

18/03/2020 15h17

Por Alexandre Dias

Solteira Quase Surtando, comédia nacional dirigida por Caco Souza (400 Contra 1 - Uma História Do Crime Organizado), conta com o ator Gui Agustini no elenco. Ele interpreta o galã espanhol Miguel no longa e conversou com o Cineclick sobre o filme, a sua carreira e o cinema brasileiro. 

O projeto em questão é o primeiro longa-metragem de Agustini, que já se aventurou na televisão e em diversos curtas. Inclusive, o ator já foi modelo, tenista e hoje também é diretor, sendo Roses Are Blind um de seus trabalhos mais renomados nessa função. 

O filme

A trama de Solteira Quase Surtando tem uma mulher independente de 35 anos como a personagem principal. Apesar de nunca ter se preocupado com convenções sociais como o casamento, a sua vida vira de cabeça para baixo quando ela descobre estar em uma menopausa precoce.

Bia, a protagonista, é vivida por Mina Nercessian (Rio 2), que também assina o roteiro. Além dela e Agustini, outros nomes do elenco são Leandro Lima (Chacrinha - O Velho Guerreiro) e Letícia Birkheuer (Império). 

O filme teve a sua estreia nos cinemas no dia 12 de março. 

Entrevista completa

Confira a entrevista do Cineclick com Gui Agustini:

Quais foram os maiores desafios de fazer um longa-metragem pela primeira vez?

O maior de todos foi lidar com a incerteza. Como tudo o que se faz pela primeira vez existe um nível de ansiedade e nervosismo mais elevados. E não saber como vai ser a dinâmica no set de um longa, os outros atores, o crew, o diretor, etc, cria uma expectativa positiva mas também negativa. Mas neste caso, como na maioria das minhas experiências, uma vez que o entrosamento com a equipe vai se dando, o relaxamento, confiança e tranquilidade começam a dominar a situação e aí tudo flui. Em termos técnicos, o maior desafio é sempre estar 100% presente no momento da gravação, escutando e respondendo autenticamente ao companheiro de cena.

O que te levou a escolher esse projeto como o seu primeiro longa?

Eu acho que o projeto me escolheu mais do que eu escolhi o projeto. Foi uma oportunidade que apareceu inesperadamente para mim graças à minha amizade com a produtora do filme, Meire Fernandes, que me perguntou se eu queria fazer um teste para o personagem do espanhol Miguel. O fato de ser um longa brasileiro que já tinha uma equipe de peso no filme junto ao fato de Miguel ser um personagem importante na trama e com características bem desafiadores, foram o suficiente para eu não pensar duas vezes em dizer que sim ao teste e comemorar muito uma vez que recebi a notícia que tinha sido selecionado.

Como foi interpretar um personagem espanhol em um filme brasileiro sendo você um brasileiro?

Bem estranho para ser sincero, mas também muito bacana. Como ator, interpretar personagens que nos fazem transformar é sempre uma satisfação bem grande. E o Miguel me proporcionou essa transformação em muitos sentidos.

O que você mais gostou em participar de Solteira Quase Surtando?

Mais do que a experiência de interpretar Miguel e viver as experiências únicas e, a maioria, divertidas que ele vive no filme, foram as pessoas que conheci e as amizades que criei.

Quais foram as maiores dificuldades de migrar do esporte para o cinema?

Foi uma jornada longa que ainda continua. É só o começo na minha perspectiva. Mas o principal foi começar do zero, aos 20 anos, uma carreira que eu não tinha nenhum conhecimento sobre. Agora que eu olho para trás, vejo que tudo foi gradativo e passo a passo. Por mais que muitas decisões no momento foram estressantes e cheias de incertezas, não foi uma decisão da noite para o dia. E a medida que a decisão ficou cada vez mais clara, certas dificuldades foram se dissipando, porém outras novas foram aparecendo. E esse é um processo que não termina. Faz parte da vida. Do crescimento como ser humano e, no meu caso, como artista.

Há algum diretor (a) ou ator (atriz) brasileiro (a) específico (a) que você gostaria de trabalhar?

Sim. Seria uma alegria e honra muito grande poder trabalhar com Rodrigo Santoro, Wagner Moura e José Padilha.

Há algum tipo de filme específico que você gostaria de trabalhar mais no Brasil do que em um outro país ou o contrário?

Não em particular. Cada filme é uma situação drasticamente única e os fatores que mais pesam variam. Porém, se a história e o personagem forem interessantes para mim, eu estarei feliz em fazer parte dele.

Como você enxerga o panorama do cinema nacional atual?

De muita incerteza e vivendo um momento bem delicado, assim como a população mundial hoje em dia com a pandemia do Corona. Mas eu tenho fé e, como otimista que sou, acredito que vamos nos superar e seguir progredindo e criando filmes importantes e de imensa qualidade.

Como o cinema nacional é visto em terras internacionais?

Aqui nos EUA o cinema brasileiro não é muito conhecido. Claro que os filmes que tiveram uma repercussão internacional grande como Central Do Brasil, Tropa De Elite, Bacurau no ano passado, são filmes que muitos conhecem e respeitam. Mas ainda penso que falta reconhecimento.

Você já trabalhou em algumas séries de TV. Há algum projeto ou papel que você gostaria de desenvolver mais nessa mídia do que no cinema?

Hoje estamos vivendo na era de ouro das séries. A grande maioria delas são como filmes que se dividem em episódios. Então eu gostaria muito de fazer parte de um projeto próprio para essa mídia ou interpretar um papel que tenha uma jornada muito maior do que é possível no cinema. Porém, minha paixão pelo cinema, eu acredito, sempre vai ser minha número um.

Veja uma cena de Solteira Quase Surtando

 

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