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    Spoilers: Assistimos Homem de Ferro 3 e contamos tudo

    Filme tem ótimas cenas de ação, mas roteiro deixa muito a desejar.
    Por Felipe Minozzi
    22/04/2013

    Na última quinta-feira (18), cheguei à cabine de Homem de Ferro 3 com grandes expectativas, afinal, este é um dos heróis que mais li durante minha adolescência. Mas conforme o filme se desenvolvia, ficou clara a falta que Jon Favreau faz na direção da franquia, pois a nova aparição de Tony Stark no cinema (a quarta, se contarmos Os Vingadores) fica devendo bastante aos demais longas.

    O contraste em Homem de Ferro 3 não poderia ser mais gritante. As maravilhosas cenas de ação são conectadas por um roteiro capenga, que apela para a narração em off em vários momentos e duvida da inteligência do espectador.

    Apesar dos problemas, as cenas de ação fazem valer o ingresso e ajudam a maquiar a péssima qualidade da trama escrita por Shane Black, que também dirige o longa, e Drew Pearce, do ainda inédito Círculo de Fogo. São tantas coisas para falar que achei melhor colocá-las em tópicos. Vamos lá:

    [CUIDADO, SPOILERS]

    A PARTE BOA

    1 – Ação frenética
    As cenas de ação estão melhores do que nunca. Com efeitos especiais impecáveis, ver Tony Stark trocando de armadura durante uma batalha é empolgante e, para mim, colocou Homem de Ferro 3 ao lado (ou até um pouco acima) de Os Vingadores quando se fala de espetáculo visual.

    2 – Tony Stark ainda melhor
    As piadas e tiradinhas do maior playboy da Marvel estão simplesmente hilariantes. A relação de Stark com Harley, um garotinho que o ajuda no Tennessee, é responsável pelas melhores cenas de comédia de toda a série. A má notícia é que as tentativas de humor só funcionam com Robert Downey Jr. em cena.

    A PARTE RUIM

    1 – O Mandarim não existe
    Não há necessidade de adaptação que justifique transformar o Mandarim em um falso terrorista que, na verdade, é um ator contratado para encobrir os atos de Aldrich Killian. No anunciado “universo sem magia” do Homem de Ferro nos cinemas, um extremista genérico cumpriria muito bem o papel. Transformar o maior inimigo de Stark em um personagem paspalhão é, no mínimo, um desperdício gigantesco. Por melhor que seja a interpretação de Ben Kingsley, o Mandarim entra na galeria das piores adaptações de personagens para o cinema.

    Os famosos anéis, o nome de origem chinesa e a tatuagem no pescoço com o escudo do Capitão América são simplesmente ignorados. Esqueça tudo isso; ele é um falso terrorista, veste roupas meio-orientais, meio-militares e pronto; engula e não espere nenhum reviravolta, pois o vilão que ajudou a vender o filme não passa de um personagem caricato. Decepcionante, para não dizer inacreditável.


    O Mandarim sofreu uma das piores adaptações de personagem para o cinema.

    2 – O verdadeiro vilão
    Vamos ao verdadeiro vilão da história: na virada do ano 2000, Aldrich procurou Stark para apresentar o projeto de sua vida. O playboy prometeu ouvi-lo, mas o deixou esperando e nunca apareceu. Isso, além do fato de Aldrich ter tentado várias vezes a sorte com Pepper Potts, agora namorada de Stark, são suas motivações para dedicar 13 anos de sua vida a enriquecer e tentar destruir o Homem de Ferro.

    Obadiah Stane e Ivan Vanko, vilões dos primeiros filmes, tiveram motivações críveis e coerentes com suas ações. Já Aldrich Killian parece só querer fazer maldade. É um Dr. Evil (da série Austin Powers) com super-poderes e um terno muito bem cortado.
    Na batalha final, Aldrich Killian explode duas vezes: a primeira só serve para irritá-lo, mesmo sendo visivelmente mais letal. Fica claro que essa foi a solução encontrada para dar a chance de Pepper Potts deixar de ser a mocinha indefesa e tornar-se heroína.

    3 – O exército Extremis
    Pessoas injetadas com a tecnologia Extremis tem dois destinos: explodem espontaneamente ou tornam-se poderosíssimas, sem motivo aparente. Com um brilho laranja interno e uma temperatura corporal de 3000ºC, o visual do “exército Extremis” é bom, mas fica a impressão de que eles só existem para que as várias armaduras de Stark tenham oponentes suficientes. Sem maiores explicações, Aldrich fica só com as partes boas da Extremis, apenas por ser o “chefão”. Ou seja, mais um problema de roteiro.


    As novas armaduras fazem apenas aparições rápidas.

    4 – Final incoerente

    CUIDADO, SPOILER: NÃO LEIA SE NÃO QUISER SABER O FINAL

    Para fechar com chave de ouro: Tony Stark, cansado de ver as pessoas que ama correrem perigo, resolve tirar o estilhaço de seu peito. Pois é. Todo esse tempo, era simples assim. Em 2008, ele poderia ter saído da caverna com a Mark I e ido direto ao hospital resolver seu problema.

    Toda sequência precisa de uma grande mudança para que o ritmo se renove, mas o final de Homem de Ferro 3 simplesmente inutiliza toda a série ao mostrar que o problema de Stark se resolveria com um plano de saúde e um bom cirurgião.

    Se haverá outra sequência ou não, tanto faz. Espero que haja, para que consertem os equívocos cometidos aqui. Tratando-se de um filme totalmente fantasioso, não é difícil dar explicações mais coerentes.