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    O Terror através das décadas: dos anos 70 até hoje

    A história do Terror no Cinema é longa. Aqui separamos alguns de seus capítulos mais marcantes
    Por Da Redação
    16/12/2020

    A história do Terror no Cinema conta com mais de cem anos de assombro. Nós preparamos um especial sobre a trajetória de um dos gêneros mais controversos da Sétima Arte, que você pode ler completo aqui: A História do Terror no Cinema: tudo sobre filmes de terror!



    Filmes de Terror: uma história que começa em 1896

     

    A trajetória dos filmes de terror começou em 1896, um ano após o que é considerado o início do cinema.

    Conhecido como o primeiro filme de terror do mundo, O Castelo do Demônio, de George Méliès, surgiu com apenas dois minutos de duração - que retratam Mefistófeles e os temores da virada do milênio - e conseguiu seu lugar na história.

    Alguns anos depois, o mundo seria abalado por diversas crises e guerras e isso influenciou diretamente o gênero. Em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial e quando a Alemanha passava por um forte período de depressão econômica, surgiu o Expressionismo Alemão. Nos filmes de terror que pertencem a esse movimento, o que não faltam são cenários distorcidos, personagens com maquiagens carregadas e filmagens que aprofundam essa deformação.

    É impossível falar do Expressionismo Alemão sem citar O Gabinete Do Dr. Caligari (1919), que apresenta uma realidade repleta de sonambulismo e loucura por meio de seus personagens e cenário, cujo exagero por si só já impacta (e assusta) a audiência.

    Outro filho direto do movimento é o clássico Nosferatu (1922), carregado de uma fotografia gótica e do personagem que viria a fazer história no gênero com suas orelhas pontudas e dedos compridos. Títulos que também marcaram o início do terror e que valem a menção são "A Morte Cansada" (1921) e "O Estudante de Praga" (1926).

    Surfando na onda iniciada por Nosferatu, que se você não sabia é uma adaptação do livro "Drácula", de Bram Stoker, modificada por causa de direitos autorais, muitos filmes de terror mergulharam de cabeça nos clássicos da literatura gótica. Os mais famosos são os inesquecíveis Drácula (1931) e Frankenstein, ambos de 1931, que durante a Grande Depressão transportaram a audiência para lugares longínquos repletos de monstros - um terror diferente da realidade da época.

    Anos mais tarde, o cenário piorou com a chegada da Segunda Guerra Mundial e ela, assim como as crises que a antecederam, influenciou diretamente na Sétima Arte. A mudança do papel das mulheres na sociedade, que começaram a sustentar a casa e substituir os homens enviados à guerra, apareceu nos filmes. Foi quando as vilãs chegaram ao imaginário do terror, com filmes como Pérfida (1941), Pacto de Sangue (1944) e À Meia Luz (1944).

    De fato, a Segunda Guerra marcou para sempre a sociedade e não foi à toa: além dos horrores da guerra, o uso de armas nucleares e seus efeitos devastadores nas cidades de Nagasaki e Hiroshima chocaram o mundo. Como consequência, filmes com monstros gigantes que ameaçavam cidades inteiras emergiram nas telonas, sendo Godzilla (1954) o mais marcante de todos. Parte desses monstros são os famosos zumbis, representados pelo clássico A Noite Dos Mortos Vivos (1968).

    Nessa época, o cinema também ganhou cores e o sangue vermelho (e algumas vísceras) começou a dar o ar da graça no gênero. Banquete de Sangue (1963), por exemplo, é conhecido como um marco do gore, subgênero do terror que conta com muita violência e cenas de restos mortais e muito, mas muito sangue.

    Chegando na década de 1970, os horrores da guerra foram ficando para trás e sendo substituídos por casos chocantes. Um dos mais emblemáticos foi o da Família Manson, uma seita comandada por Charles Manson que cometeu uma série de assassinatos, incluindo o de Sharon Tate, atriz consagrada e esposa do diretor Roman Polanski, que estava grávida de nove meses na época. Como resultado, vários filmes de terror se inspiraram diretamente no caso; os que merecem destaque são Aniversário Macabro (1972), Amargo Pesadelo (1972), O Massacre Da Serra Elétrica (1974) e Quadrilha Dos Sádicos (1977).

    Ao mesmo tempo, filmes com temas sobrenaturais, de exorcismos a cultos demoníacos, dominaram a década e ganharam o público. O Exorcista (1973), por exemplo, é um longa que, além de sobrenatural, também é baseado em fatos reais - algo usado a seu favor, uma vez que, distorcendo a realidade, tornou-a ainda mais aterrorizante. Outros filmes com temas além da compreensão humana são: Carrie - A Estranha (1976), A Profecia (1976), Suspiria(1977) e Poltergeist - O Fenômeno (1982).

    Também foi por volta dessa época que outra ameaça chegou aos noticiários: o vírus da AIDS. Não é à toa que infecções e histórias com parasitas que se espalhavam pelo corpo sem ninguém perceber chegaram aos filmes de terror nessa década. Um exemplo deles é Invasores De Corpos, de 1978.

    Entrando na década de 1980, os filmes de terror começaram a ganhar os ícones contemporâneos como Freddy Krueger, Jason e Chucky. Nessas histórias, o que predomina é o subgênero slasher, no qual um psicopata mata aleatoriamente inúmeras vítimas.

    Como se pode imaginar, o terror sugestivo já havia perdido um bom espaço, sendo substituído por uma demanda por horror escancarado. Faz sentido, uma vez que os anos 1980 contaram com o que até agora nenhuma outra época dos filmes de terror tiveram acesso: tecnologia em ascensão. Clássicos que se beneficiaram dessa onda foram a trilogia original de Alien, O Oitavo Passageiro, assim como a transformação de um homem em lobisomem em Um Lobisomem Americano Em Londres (1981).

    Em comparação com suas antecessoras, a década de 1990 não foi tão marcante para o cinema de terror. Muitos a definem como um período de continuações, tanto das tendências de efeitos especiais como também dos sucessos que marcaram os anos anteriores, já que inúmeras sequências foram lançadas nesse período.

    Outras apostas da época foram o thriller psicológico, como em O Silêncio Dos Inocentes (1991) e Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995), e o terror para adolescentes, como em Pânico (1996). Alucinações do Passado (1990) e Drácula De Bram Stoker (1992) também marcaram a década, seguidos por A Bruxa De Blair (1999), exemplar de sucesso dos subgêneros Found Footage e mocumentário, no qual o enredo tem um caráter documental.

    Chegando nos anos 2000, o atentado do 11 de setembro marcou a sociedade e trouxe novamente à tona um sentimento de estarmos vivendo tempos apocalípticos. Essa tendência resultou no Madrugada Dos Mortos (2004), remake de Despertar dos Mortos, por exemplo, mas não se limitou a isso. Filmes que apostavam na tortura como maior premissa começaram a despontar, como Jogos Mortais (2004) e O Albergue (2005).

    Cada vez mais, os efeitos especiais foram se aproximando da realidade e vários clássicos do terror foram refeitos, provando essa evolução, como é o caso de O Massacre Da Serra Elétrica (2003). Outra aposta foi o sobrenatural no estilo de filmagens encontradas como em Atividade Paranormal (2007).

    Essas tendências de certa forma se mantiveram ao longo da década seguinte, com remakes como Poltergeist - O Fenômeno (2015) e filmes sobrenaturais que tiveram um grande sucesso como Invocação Do Mal (2013). Outra aposta que se vê muito frequente são temas mais políticos e apostas em um terror mais psicológico, como é o caso de Corra! (2017) e A Bruxa (2016).

    Filmes de terror de 1970 até hoje: as obras e tendências mais marcantes

     

    DRÁCULA DE BRAM STOKER

     

     

    O que não falta ao longo da história dos filmes de terror são obras marcantes que não só retrataram o imaginário de uma época, mas também ajudaram a sociedade a lidar com os medos que enfrentava. De fato, é impossível entender os movimentos do cinema de terror sem ter um pouco do contexto do momento histórico em que foram lançados.

    A seguir, mostramos quais os filmes de terror mais marcantes de 1970 até os dias de hoje e as tendências que os influenciaram.

     

     

     

    De alienígenas a serial killers: os filmes de terror nos anos 1970

    A década de 1970 já teve início de forma conturbada em termos históricos, principalmente na terra do Tio Sam. Ela começou com a Guerra Fria em alta, sendo que em 1962 ocorreu a Crise dos Mísseis entre Cuba e EUA e em 1969, a chegada do homem à Lua.


    Como se não bastasse, em agosto de 1969 também ocorreu o Caso Tate-LaBianca, no qual a atriz Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski e grávida de 9 meses, quatro amigos e o casal Leno e Rosemary LaBianca foram assassinados brutalmente.

    De fato, não faltou material para influenciar os filmes de terror dos anos 1970, que retrataram temas que iam desde massacres realizados por seitas religiosas até extraterrestres descobertos em missões espaciais. Talvez a abundância de inspirações seja um dos motivos pelos quais a época foi uma das mais importantes para o cinema de terror, lançando filmes que são referências até hoje.

    Seguindo o tema de seitas satânicas e dando início aos de serial killers, o brasileiro O Despertar da Besta (1970), de José Mojica Martins, e o italiano Banho de Sangue (1971), de Mario Brava, abriram a década com bastante sangue e erotismo. Essa tendência também estamparia o clássico O Massacre Da Serra Elétrica (1974), que firmou o subgênero slasher, e se desenvolveria em Halloween: A Noite Do Terror (1978). Vale lembrar de Tubarão (1975), filme que não é exatamente um slasher, mas bebeu bastante dessa fonte.

    A década seguiu para o macabro e profano com O Exorcista (1973), primeiro filme de terror a concorrer à categoria de Melhor Filme no Oscar e passagem obrigatória para qualquer fã de terror - em especial os de possessão. Em Carrie - A Estranha (1976) o sobrenatural se mescla aos dramas da adolescência, resultando em um filme marcante para o público. Aqui também vale a menção dos imperdíveis A Profecia (1976) e Suspiria (1977), famoso por colorir o terror com tons de neon.

    Por fim, os filmes de terror dos anos 1970 foram encerrados com chave de ouro com o tema extraterrestre. Invasores De Corpos (1978) contou com alienígenas e infecções - uma alusão à AIDS - em um enredo de tirar o fôlego. Um ano depois, em 1979, estreava Alien - O Oitavo Passageiro - Edição Especial Do Diretor, filme que marcou a história do cinema e contou com inúmeras continuações e remakes - que seguem até hoje.

    Os filmes de terror dos anos 1980 e a abundância de carnificinas

    A década de 1970 chegou ao fim em alta para os filmes de terror e, como consequência, a de 1980 já começou lá em cima. Prova disso é o inesquecível O Iluminado (1980), que pode ser considerado um dos mais marcantes do subgênero terror psicológico, movimento que se fortaleceria ainda mais na década seguinte.

    Vale lembrar que ao longo da década de 1980, a Guerra Fria enfrentava seus últimos anos, mas foi só em 1989 que ela de fato chegou ao fim. Em outras palavras, muito dessa época traz um aprofundamento de alguns temas vistos nos anos anteriores, sendo um dos mais marcantes a ficção científica.

    Além disso, o avanço tecnológico marcou a década, que foi palco de um aceleramento exponencial na área. É claro que tudo isso refletiu diretamente nos filmes de terror dos anos 1980, como em Um Lobisomem Americano Em Londres (1981), O Enigma De Outro Mundo (1982) e A Mosca (1986), que chocaram a plateia com transformações nunca vistas antes nos longas do gênero.

    Outra tendência aprofundada na época foi o slasher, subgênero no qual um serial killer persegue e mata várias pessoas. Aqui desabrocharam grandes nomes do cinema de terror, como Sexta-feira 13 (1980), A Hora Do Pesadelo (1984), Hellraiser: Renascido Do Inferno (1987) e Brinquedo Assassino (1988).

    As assombrações e demônios também não ficaram para trás. A Morte do Demônio (1981) apostou na carnificina satânica contada por meio de um enredo bem construído e Poltergeist - O Fenômeno (1982) abusou de efeitos especiais para dar vida a espíritos e fantasmas.

    Continuações e tecnologia: o que foram os filmes de terror dos anos 1990

    A década de 1990 começou logo após a queda do Muro de Berlim e, com o fim de grandes embates políticos entre países, o mundo pode respirar aliviado. Essa foi a época em que a democracia se consolidou e o consumismo foi às alturas, estimulando o crescimento econômico e, consequentemente, tecnológico.

    O cenário de paz e o avanço tecnológico se refletiu nos filmes de terror dos anos 1990, muitos dos quais preferiram apostar em remakes ou adaptações de clássicos da literatura, mas agora com grandes orçamentos. Exemplos que marcaram o cinema dessa época foram Drácula De Bram Stoker (1992), Frankenstein De Mary Shelley (1994) e Entrevista Com O Vampiro (1994).

    Também foi nessa época que o excesso de sangue foi deixado um pouco de lado e o subgênero do terror psicológico, no qual a perseguição tensa prevalece, ganhou mais destaque. Os filmes de terror mais aclamados dessa linha são O Silêncio Dos Inocentes (1991) e O Sexto Sentido (1999) e em uma pegada parecida, mas da linha thriller o destaque fica com Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995).

    Durante a década de 1990, os filmes de terror clássicos do estilo slasher ganharam uma nova roupagem. Pânico (1996) foi o precursor do que ficaria conhecido como terror teen e, apesar de ser considerado um clássico do gênero, deu início a uma onda de filmes de baixa qualidade, como Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado (1997) e Lenda Urbana (1998).

    Por fim, os filmes de terror dos anos 1990 encerraram a década com um bom clássico que conseguiu se destacar dos anteriores: A Bruxa De Blair (1999). Considerado a consolidação do Found Footage, o longa inovou na divulgação, contando com uma boa ajuda da internet, que apesar de estar nos seus primórdios já revelava o seu poder de propagação.

    Filmes de terror dos anos 2000: a volta dos originais

    Sem contar com tantas continuações como a década anterior, os anos 2000 foram mais promissores em relação aos lançamentos originais. A década já começou com toques sobrenaturais, com Premonição (2000), início de uma franquia de sucesso que perdurou pela década, e Os Outros (2001), que explora bastante o terror psicológico e foi baseado no livro "A Volta do Parafuso", de Henry James, que também inspirou o hit "A Maldição da Mansão Bly", da Netflix.

    No entanto, eles não foram os únicos a tratar de temas além da compreensão humana. Outros marcos da década foram O Chamado (2002), adaptação do sucesso do terror japonês Ringu (1998), REC (2007) e Atividade Paranormal (2007) - ambos grandes nomes do subgênero Found Footage.

    Mas não foi somente nos temas sobrenaturais que os filmes de terror dos anos 2000 fizeram sucesso. O gore também se fez presente com a franquia de Jogos Mortais, que marcou a década com sete obras lançadas entre 2004 e 2010. Outro longa que bebeu da mesma fonte e aterrorizou o público com cenas grotescas foi O Albergue (2005).

    E para não falar que os remakes não tiveram sua cota, vale lembrar de Madrugada Dos Mortos (2004), refilmagem de Despertar Dos Mortos, e O Massacre Da Serra Elétrica (2003), que apostaram nos efeitos especiais como diferencial das novas versões.

    Pós-2010: o novo terror aclamado pela crítica

    É provável que estejamos vivendo um dos momentos mais importantes para os filmes de terror, talvez um dos mais reconhecidos e aclamados de sua história. Depois de 2010, começaram a surgir filmes de terror com uma nova pegada, que trata de tramas mais realistas e dramas existenciais, carregadas de questões políticas e sociais.

    O mais expoente dessa nova tendência é o filme Corra! (2017), do diretor Jordan Peele. O longa foi o terceiro filme de terror da história a ser indicado como Melhor Filme no Oscar (antes, só O Exorcista e Tubarão conseguiram o feito) e não é para menos: sua trama bem engendrada desenvolve a tensão e o medo ao mesmo tempo em que aborda o racismo.

    Nós (2019) foi outra obra-prima do mesmo diretor, que, após três semanas de estreia, alcançou uma das maiores bilheterias nos EUA. Na mesma pegada do novo terror, O Babadook (2014), A Bruxa (2015) e Um Lugar Silencioso (2017) foram outros filmes que deixaram suas marcas.

    Por mais que o novo terror seja uma tendência que provavelmente ainda se desenvolverá, talvez para caminhos cada vez mais prestigiados, o terror tradicional também ainda tem espaço no gênero. Prova disso é o aclamado Hereditário (2018), que por meio de um enredo construído à base de muito medo e mais perguntas do que respostas conquistou o público ao redor do mundo.

    Outros sucessos que merecem destaque são: Invocação Do Mal (2013), A Freira (2018), Halloween (2018) e It: A Coisa (2017), que entre remakes e originais trazem os clássicos sustos com tramas sobrenaturais e várias mortes.

    Leia também: A História do Terror no Cinema: medo ao redor do mundo